Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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PRIMEIRAS EDIçõES > REPÓRTER CIDADÃO

Uma loira para consolar

Por lgarcia em 01/07/2003 na edição 231

REPÓRTER CIDADÃO

Fernando Machado (*)

Que Marcelo Rezende, apresentador do programa Repórter Cidadão, da RedeTV!, às vezes parece um cachorro raivoso, eu já sabia. Durante uma entrevista coletiva com candidatos à presidência da República, ainda no primeiro turno das eleições, o jornalista não conseguia manter um mínimo de serenidade. Sem justificativa, tentou colocar os entrevistados contra a parede. Esbravejou contra eles. Normalmente, fico preocupado com a pressão do colérico Rezende quando ele apresenta as notícias policiais e analisa os índices e os casos de violência, um por um.

O que eu desconhecia era o lado solidário de Rezende. No programa do dia 19/6, o homem estava um doce. A seu lado estava Ângela Bismarck, viúva de um rico empresário morto em assalto, modelo, capa da revista Sexy. Loira, de pele bronzeada e dona de seios pontudos e empinados (como se viu por diversas vezes num vídeo artístico), a viúva seria capaz de fazer brotar a flor do compadecimento até no mais duro dos corações.

Um tanto tímido, com as bochechas já vermelhas, Marcelo pedia à produção que, enquanto consolava a pobre senhora, repetisse incessantemente o making of do ensaio fotográfico da revista na qual ela pousou nua. Já é tradição na casa da RedeTV! exibir às cinco da tarde, ou mesmo mais cedo, modelos e travestis nus, por exemplo.

Falsa indignação

O mote do assassinato do empresário, meses atrás, foi o que Alfred Hitchcock chamava de mcguffin, ou seja, apenas uma desculpa para pôr todo o processo em movimento.

O Repórter Cidadão não é o único programa da televisão a não apresentar nada de jornalismo e nem um pouco de cidadania. Apenas o sensacionalismo, a exploração da violência, do sexo, de coisas sem importância nenhuma. Ângela Bismarck tem para seguir o exemplo de uma infinidade de mulheres (e homens) que utilizam a exploração da violência na televisão, nas suas diversas formas, para ganhar dinheiro e satisfazer o próprio ego. E, assim como diz aquela música dos Engenheiros, a violência travestida faz seu trottoir.

Infelizmente, nada do que fazem Marcelo e Ângela é novidade.

Virou moda falar de ética hoje em dia. E o pior é que quem mais fala de ética e de justiça na televisão são os apresentadores de programas policiais da tarde. Aos gritos, esses atores sustentam falsa indignação e se beneficiam justamente daquilo que dizem combater.

(*) Estudante de Jornalismo da Universidade de Uberaba, MG

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