Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > ALESSANDRO PORRO, 73

Uma vida, um enredo

Por lgarcia em 14/10/2003 na edição 246

ALESSANDRO PORRO, 73

[Publicado originalmente em O Globo, 13/10/03; título da redação do OI; título original "Alessandro Porro, jornalista, 73"]

Ele poderia ser o personagem de um livro ou de um filme, sua vida daria um enredo. Mas ele foi um contador de histórias. Jornalista e escritor, Alessandro Porro morreu anteontem em São Paulo, aos 73 anos, 50 de profissão. Nesse período, ele trilhou uma trajetória ímpar, que inclui passagens por Londres, Paris, Roma, Buenos Aires e Tel Aviv, como correspondente. Alessandro Porro nasceu em Nápoles, no Sul da Itália e lá começou a carreira. Foi um dos mais prestigiados repórteres da revista Epoca, editada em Milão. A sua história com o Brasil começou quando foi enviado para fazer uma reportagem sobre o país, em moda na Europa depois do sucesso do filme Orfeu do carnaval, de Marcel Camus. Ele conheceu Vitor Civita, fundador da Editora Abril, que costumava comprar suas reportagens escritas na Itália. "Por que você não vem escrever diretamente para mim?", convidou Civita. E foi o que Alessandro fez: naturalizou-se brasileiro e trabalhou quase 30 anos na Abril. Em 1968, ele se tornou correspondente da revista Veja em Paris. E estava bem acompanhado: como contou, em entrevista ao Globo quando assumiu sua coluna no Segundo Caderno, em 1997, foi vizinho do casal Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Foi também autor de reportagens premiadas como as coberturas da morte de Indira Gandhi, na Índia, e de Anuar Sadat, no Egito.

Antes disso, Alessandro vivera um dos maiores êxitos de sua carreira, ao conseguir entrevistar a princesa Soraya, mulher do xá Rehza Pahlevi, do Irã, logo depois de ela ter fugido do marido. Para isso, fez-se passar por assistente de um famoso estilista, de quem era amigo. Ele tirou as medidas da princesa, que visitava o ateliê, e conseguiu a entrevista.

No livro Memórias do meu século, publicado em 2001, Alessandro narra sua trajetória, começando pela infância de menino judeu na Itália sob o domínio fascista. Em outro livro, fala sobre outra peculiaridade sua, com bom humor: casado e divorciado por seis vezes, ele cita, no livro, 218 frases bem-humoradas sobre casamento.

No globo, Alessandro foi titular da coluna "Swann" em 1997 e 1998, quando voltou a ser correspondente em Roma por seis meses. O jornalista entrevistou gente como o ditador espanhol Francisco Franco e cobriu o casamento da atriz Rita Hayworth.

No Brasil, foi um dos fundadores da revista Realidade e diretor da sucursal da Veja, no Rio. O sucesso não o impediu de se divertir com a profissão que escolheu. Alessandro costumava dizer que encarava o jornalismo como hobby.

O jornalista Alessandro Porro deixa viúva e quatro filhos. Ele morreu anteontem [11/10], às 14h30m, no Hospital Santa Cruz, na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo. Seu corpo será velado numa cerimônia que vai durar duas horas. O sepultamento está previsto para hoje [13/10], ao meio-dia, no Cemitério Israelita de Embú das Artes, na Zona Sul da cidade. Alessandro estava internado desde o dia 9 e morreu em conseqüência de complicações pulmonares causadas por enfisema.

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