Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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Urna eletrônica não estimula voto

Por lgarcia em 25/09/2002 na edição 191

PESQUISAS COMO DANTES

Chico Bruno (*)

Vamos ter daqui a alguns dias a primeira eleição totalmente informatizada do país. Foi uma mudança gradualmente implantada em sucessivos exercícios eleitorais nestes últimos anos. Infelizmente, as pesquisas de intenção de voto não acompanharam a evolução tecnológica das eleições brasileiras.

Chegamos à informatização total, mas as pesquisas estimuladas são realizadas como se as eleições ainda fossem nos moldes tradicionais, em cédulas de papel. Os institutos não avançaram na busca de um novo modelo e permaneceram estagnados.

A mídia se arrisca ao comprar gato por lebre, aceitando o critério preconizado pelos institutos de pesquisa, de divulgar apenas os resultados das pesquisas estimuladas, deixando os resultados espontâneos em segundo plano. Na Bahia isto está sendo questionado pelo candidato do PT ao governo do estado.

Esta advertência é um alerta: a urna eletrônica não estimula o eleitor, pois nela não consta a relação dos candidatos, como acontecia na cédula eleitoral. Existe inclusive uma preocupação do Tribunal Superior Eleitoral em relação a isso, haja vista a campanha publicitária que o tribunal faz na televisão e no rádio, incentivando "cola" ou "pesca", que é a relação dos candidatos em que o eleitor vai votar.

Se a pesquisa estimulada remete às eleições com cédulas, a espontânea remete à urna eletrônica, pois obriga o eleitor a fazer um esforço de memória, do mesmo jeito, se não levar a cola, a que será obrigado diante da urna eletrônica.

Nesta reta final de campanha, seria útil se a mídia passasse a divulgar, também, os resultados da intenç&atildeatilde;o espontânea de voto. Essa divulgação é muito importante, pois não serve de estimulo para o voto útil, e livraria a mídia das tradicionais acusações que acontecem quando o resultado das urnas não bate com o das pesquisas ? o que, depois da informatização das eleições, tem acontecido com freqüência.

Já que o problema foi levantado na mídia baiana, vale a pena comparar os resultados para conferência futura. Na Bahia, as pesquisas estimuladas dão a Paulo Souto 54%, a Jacques Wagner, 15%, e um contingente de 16% de indecisos; a diferença entre os dois é de 39 pontos percentuais. Na espontânea, Souto tem 21%, Wagner 10% e o número de indecisos é de 59%; a diferença entre os dois é de 11 pontos percentuais. Entre as duas pesquisas, a diferença de indecisos é de 43 pontos percentuais. Estas diferenças, inclusive, fizeram com que o candidato Souto tentasse impedir no TRE que o programa de Wagner divulgue os resultados espontâneos, alegando que a tradição é divulgar os resultados estimulados e que exibir os espontâneos é manipulação.

A questão está posta e começa a ser debatida por analistas políticos. A mídia não pode desconsiderar a lebre levantada na Bahia. Não custa nada divulgar os dois resultados. Seria bom para todo mundo, inclusive para preservar os institutos de pesquisa.

(*) Jornalista

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