Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > BOSTON GLOBE

Vai um cigarro, jovem?

Por lgarcia em 22/08/2001 na edição 135

PROPAGANDA TABAGISTA

Após três anos, o acordo da indústria do tabaco americana que proibiria propaganda de cigarro dirigida a crianças mostrou-se ineficiente.Anúncios de três das quatro principais companhias de tabaco continuam aparecendo em revistas como Rolling Stone, People, Entertainment Weekly, Sports Illustrated e TV Guide, cujo número de leitores jovens é elevado.

As três empresas ? R. J. Reynolds, Brown & Williamson e Lorillard ? disseram que continuarão com a publicidade porque os limites que aceitaram em 1998 eram apenas linhas a serem seguidas, não leis. Segundo Alex Kuczynski [The New York Times, 15/8/01], a Philip Morris, a maior empresa de tabaco dos EUA, seguiu as linhas do acordo. Há um ano, deixou de anunciar em 50 revistas para leitores jovens.

Estudo publicado na New England Journal of Medicine de 15 de agosto revela que o acordo parece ter tido pouco efeito. Das quatro companhias, a R. J. Reynolds tem a visão mais ampla do que é uma revista adulta. Tão ampla que, em março, foi processada por Bill Lockyer, procurador geral da Califórnia que participou do acordo, sob a acusação de "sistematicamente mirar no público jovem" ao publicar vários anúncios de cigarro em revistas com grande porcentagem de leitores jovens.

Peter Bauer, publisher da People, disse que as revistas não estão legalmente proibidas de aceitar anúncios de cigarro, e que as linhas do acordo são voltadas às companhias de tabaco, que podem escolher entre segui-las ou não. O New York Times recusa propaganda de cigarro desde 1o de março de 1999, e foi seguido por, no mínimo, uma dúzia de jornais americanos.


BOSTON GLOBE

Jack Thomas, ombudsman do Boston Globe por quatro anos, despediu-se dos leitores em sua coluna de 13 de agosto. Intitulado "Adeus, caros leitores, e mea culpa", o último artigo trata de uma questão levantada por um leitor: quem julga o ombudsman? O interesse, para Thomas, é compreensível. "Confesso que muitas vezes não atingi minhas expectativas", afirma. "Muitos telefonemas não foram retornados, muitas cartas não foram respondidas e muitas questões legítimas levantadas por leitores não receberam minha atenção. Às vezes sou muito duro e, em outras ocasiões, pouco assertivo."

Em seu artigo, faz uma auto-avaliação. "Sou culpado do mesmo descuido de que critico os repórteres", diz. "Escrevi pretensiosamente." O contato direto com o leitorado deu a Thomas privilégios como jornalista, uma vez que as reclamações e os elogios acabavam por obrigá-lo a encarar sempre os dois lados ? o do emissor e o do receptor.

Thomas conta que cada dia em seu cargo de ouvidor era uma surpresa, e que sentirá falta do humor e do desafio de ser às vezes carrasco do jornalista, às vezes do leitor. Mesmo assim, o prestígio foi reconhecido. "Impressionado com o cargo de ombudsman, um leitor me perguntou se eu precisava usar um anel decodificador secreto e proteção para os ombros", diz. Thomas passará a escrever na Living, seção do Globe que fala de pessoas que moram ou trabalham em Boston.

    
    
                     

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