Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Valor Econômico

Por lgarcia em 20/01/2001 na edição 105

E-NOTÍCIAS

INTERNET EM CRISE?

"A fase de transição das empresas da internet", editorial, copyright Valor Econômico, 16/01/01

"Nada será como antes no mundo dos negócios virtuais. A exploração comercial da internet parece ter chegado ao fim de um ciclo – a fase dos desbravadores e das perspectivas de lucros fáceis e rápidos, que frequentemente os acompanha. Os tombos vertiginosos da Nasdaq criaram pânico e nem a euforia, nem a depressão são boas conselheiras para o futuro. A internet, face mais conhecida e glamourosa das novas tecnologias, continuará no centro da revolução tecnológica. Ela veio para ficar. Equivocam-se todos os que não a levarem em conta em suas perspectivas empresariais para o futuro.

Com a internet ocorreu fenômeno semelhante à de todos os novos setores de ponta na história da indústria, por mais que a palavra virtual tenha servido para iludir alguns de seus magos de que as leis de ferro da velha economia tinham sido abolidas. A entrada de grande número de concorrentes em um novo negócio tende a reduzir a margem de lucro do setor. A história da euforia da net guarda apenas uma particularidade, típica da globalização: raras vezes o lucro apareceu, no caso dos provedores e empresas que tiveram em sua atividade principal o relacionamento direto com o público consumidor. Mais comum foi o aumento dos prejuízos e a disputa cerrada por fontes de receitas que não cresciam exponencialmente. Na verdade, o lucro operacional era a componente virtual desta indústria. A possibilidade de fazer bilionários da noite para o dia vinha da possibilidade de financiamento via mercado de capitais. No primeiro abalo sério das fontes de financiamento – direta, por meio de ações, ou indireta, por meio de crédito e investimentos – o setor passou por uma carnificina.

A fase de consolidação, que virá agora, exigirá, além de idéias renovadoras – o bem mais precioso da rede – a prosaica e difícil busca do lucro. Como relata Valor em sua edição de ontem, a vida se tornará bem mais difícil para todos os que tinham apenas uma idéia na cabeça e um computador nas mãos. Viabilidade comercial, capaz de ser conquistada em um período de tempo determinado, passará a ser considerada parte vital do ‘business plan’ das empresas da rede.

A internet apanhou, como é natural, pelo noviciado. Superestimou a capacidade, que seria ilimitada, das fontes de financiamento. Superestimou a capacidade de obter receitas e despreocupou-se com pesados custos de implantação e gerenciamento. Superestimou, com base nos milhões de usuários, a disposição com que eles se lançariam às compras e jogariam dinheiro em seus cofres.

Nenhum desses problemas é incontornável. O setor provavelmente crescerá mais devagar e com mais solidez. Com todas as dificuldades e tropeços, há dinheiro para empreendimentos sérios, como mostrou a reportagem do Valor. Além disso, enquanto um dos setores da net encontrou seu aparente limite pelo modelo de negócios vigentes antes da crise, outros mal começaram a exibir todo o seu potencial. O uso da rede entre empresas para negócios ainda engatinha, mas representa promessa bastante sólida de boas receitas e ganhos expressivos. Por um motivo simples: sucesso neste ramo representa uma enorme redução de custos em quase todas campos das empresas, que estão hoje às voltas com uma competição feroz nos quatro cantos do planeta.

Apesar dos baques gerais e inevitáveis que uma desaceleração das principais economias do mundo provoca, há poucas dúvidas que o futuro passa também pela rede e todas as gigantes mundiais de equipamentos e telecomunicações correm contra o tempo para descobrir instrumentos eficazes de convergência das tecnologias – onde a internet tem um lugar mais que garantido. Os negócios bilionários em torno da rede tiveram sua velocidade reduzida, mas não o seu potencial – dos fabricantes de software à infra-estrutura dos cabos óticos. O desafio das empresas que se jogaram na net continua sendo o da criatividade não apenas nos produtos que fornece, mas também na sua capacidade de ganhar dinheiro com isso. Uma engenharia financeira consistente e balanços pelo menos equilibrados farão bem a elas."

"A morte anunciada da internet grátis", copyright Valor Econômico / Financial Times, 16/01/01

"A rápida mudança na percepção com relação aos papéis de internet podem deixar a Amazon.com, a loja de livros e CDs on-line dos EUA, como a única verdadeira varejista iniciante on- line a sobreviver, segundo Marc Andreessen, um dos pioneiros da internet. No início dos anos 90, Andreessen, engenheiro de 21 anos, ajudou a revolucionar a internet e Wall Street por sua parte na criação e na concorrida abertura do capital da Netscape, fabricante do navegador da rede mundial de computadores.

‘Os EUA estão em meio a uma tremenda ressaca de champanha, com cortes e recuos. Muitas pessoas estão tendo as suas cabeças oferecidas a eles’, afirma Andressen. Dentre todas as principais ações de internet dos EUA, ele estima que a Amazon conseguirá ‘fazer a economia funcionar’ no varejo de internet.

‘Durante a empolgação com as pontocom, diziam para as empresas que ou elas se tornavam grandes ou podiam fechar. Todas as empresas que se constituíram dessa maneira, à exceção da Amazon, estão falindo’. Ele continua cético a respeito de empresas que criaram o hábito de oferecer descontos e entrega gratuita de mercadorias. ‘A era em que tudo será grátis acabou’.

Hoje com 29 anos, ele duvida da proliferação do comércio eletrônico. Questionado sobre o futuro do modelo B2B, respondeu: ‘a vasta maioria dessas iniciantes B2B fracassou. Elas rolarão na poeira’. Para ele, a guinada na expansão acelerada ocorreu quando a Amazon atingiu o seu pico e com a abertura de capital da iVillage, um portal para mulheres. Andreessen agora acredita que as atitudes estão retornando ao que eram no início dos anos 90. ‘Naquela época, era muito natural supor que as empresas tivessem lucros e receitas. Na Netscape, obtivemos fluxo de caixa positivo em menos de um ano’.

A preocupação de criar uma empresa com faturamento e um caminho claro rumo à lucratividade orientou seu mais recente empreendimento, a Loudcloud. Ele oferece uma mistura de software, hardware e serviços, para ajudar as empresas a estabelecer operações de comércio eletrônico através da terceirização. Seus clientes incluem a Nike e a Britannica.com. Parte da lógica por detrás da Loudcloud se deve à crença de Andreessen de que o setor de software está prestes a passar por uma sacudida fundamental."

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