Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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PRIMEIRAS EDIçõES > ERROS MÉDICOS

Vamos dançar com as idéias

Por lgarcia em 31/10/2001 na edição 145

JORNALISMO APRESSADO

Sou estudante de Jornalismo e estou no segundo ano. Este texto de Deonísio da Silva, "Síndrome de jornalismo apressado", reflete bem os erros que o profissional comete motivado pela pressa do dia-a-dia. Isto é bom para o estudante parar, pensar e pesquisar, para que erros de hoje não se repitam no futuro. Algo remotamente possível. Praticamente impossível, Pois errar é humano, mas persistir é burrice, aprendamos com nossos erros.

Em matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo do dia 2/9/01, o educador e escritor Rubem Alves escreve: "Pensar não é ter as informações. Pensar é dançar com o pensamento apoiando os pés no texto lido." A leitura dos jornais nos torna estúpidos? E este é um texto musical, onde podemos dançar facilmente nos apoiando em cada palavra. O profissional de hoje fala muito bem a língua inglesa, espanhola e se esquece um pouco do português. Não posso mudar, mas, farei a minha parte de informar com dignidade e não ser apenas um coadjuvante. Quero ser, a testemunha ocular da história.

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ERROS MÉDICOS

Com base nos dados divulgados pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), traçando um perfil das denuncias recebidas pela entidade – no período de janeiro de 1995 a julho de 2001 -, o jornal Folha de S. Paulo (18/10) publicou o editorial "Erros médicos", comentando o assunto. "(…) Das 12.892 queixas encaminhadas ao conselho entre 1995 e julho de 2001, apenas 41 (0,3%) resultaram na cassação do registro profissional dos responsáveis, a penalidade mais grave prevista em lei. O total de punições aplicadas, 802, representa um índice de 6,2%. Mas boa parte das sanções aplicadas, as advertências e censuras, confidenciais em aviso reservado, que somam 369 (g. n.) ? quase metade ? são bastante leves (…)".

Diferentemente do que é dito no editorial, a porcentagem de médicos que tiveram os seus registros cassados não é de 0,3% , uma vez que não estavam em julgamento as 12.892 denuncias e, sim, 1.061 processos, dos quais não se sabe o numero de médicos em cada um dos processos. Por sua vez, o total de médicos punidos foi de 774, e não 802, o que representa um índice de 72,95%, e não 6,2%, conforme mostrado no editorial. Por fim, receberam as penalidades, ditas "leves" (?) pelo editorialista, cerca de 341 médicos, e não 369.

De um total de 12.892 denuncias recebidas pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, no período de janeiro de 1995 a julho de 2001, 1.061 foram transformadas em Processos Ético-Disciplinares, com 774 (72,95%) médicos apenados. Desses, 41 médicos (5,29%) tiveram os seus registros profissionais cassados; 121 (15,63%) receberam a suspensão do exercício profissional por 30 dias; 271 (35%), a censura pública em publicação oficial, e 341 (44%), advertência/censura confidencial em aviso reservado. Não é citado quantas foram as queixas apreciadas e analisadas, se a totalidade (12.892) ou não. Tampouco é dito quantas das reclamações eram improcedentes ou foram arquivadas por falta de provas testemunhais ou documentais.

Igualmente, não foi divulgado o número de processos, entre os 1.061 julgados, que correspondia à infração ao Art. 29 do Código de Ética Médica, que diz respeito aos erros médicos propriamente ditos, bem como qual seria o número de médicos citados em cada um dos processos. Suponhamos, por exemplo, que, entre os 774 médicos que sofreram algum tipo de sanção, aproximadamente a metade (387) estivesse sendo julgada pela prática de erro médico. Isso nos faria pressupor que o número de médicos cassados, em termos porcentuais, seria da ordem de 10,3%., um índice, diga-se, bem expressivo, por tratar-se de uma penalidade que impede o exercício profissional pelo resto da vida.

    
    
            
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