Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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William Safire

Por lgarcia em 22/01/2003 na edição 208

PROPRIEDADE CRUZADA

“O perigo das fusões na área das comunicações”, copyright O Estado de S.Paulo/The New York Times, 21/1/03

“Você não vai encontrar um filme indicado para o Oscar no qual a heroína – que luta para revelar o domínio dos conglomerados da mídia na distribuição do entretenimento – seja esmagada por uma gigantesca empresa que controle financiamento, distribuição de filmes e críticas de cinema.

Você não vai encontrar revistas de tevê revelando destemidamente a pressão dos lobbies do setor de radioemissoras sobre o Congresso e tribunais para que permitam aos proprietários de estações de rádio engolir um número cada vez maior de outras estações e adquirir participações cruzadas em jornais locais, determinando, assim, que informações os moradores de um mercado local deverão receber.

Você não vai encontrar, tampouco, muitas redes jornalísticas confiando a seus repórteres a tarefa de revelar o efeito do gigantismo da mídia sobre a cobertura local ou enviando-os para cobrir a maneira pela qual os editores induzem os políticos, famintos de publicidade, a afrouxar restrições antitruste.

Será que deveríamos desregulamentar inteiramente as ondas de rádio, permitindo que os principais meios de divulgação fiquem reduzidos a alguns poucos e preciosos? Deveríamos reduzir as escolhas disponíveis a apenas alguns individualistas perversos, que não querem que suas informações e seu entretenimento sejam limitados por meios de divulgação em massa, cada vez mais maciços? Isso é ?uma besteira de luddites? (inimigos das máquinas), respondem muitos magnatas das fusões no setor da mídia, apontando para a aparentemente ferrenha competição da internet e a proliferação de canais a cabo.

Digam isso aos compradores de propaganda política: o dinheiro grosso vai para a tevê com seu incomparável custo por milhares de telespectadores. E parem para examinar a tão decantada ?competição? que a mídia em processo de consolidação afirma temer: os 20 principais sites da internet e os maiores canais a cabo já estão em mãos de empresas em expansão, como GE-NBC, Disney, Fox, Gannett, AOL Time Warner, Hearst, Microsoft, Cox, Dow Jones, The Washington Post e The New York Times. (Ofendi algum?) Linhas – Quanto à diversidade, será que 16 mil estações locais de radio não fornecem grande parte dessa diversidade de opiniões e gostos que os americanos querem? Em 1996, as duas maiores redes de rádio tinham 115 estações; hoje, detêm mais de 1.400. Um grupo pequeno (5) de grandes proprietários costumava gerar só um quinto da receita dessa indústria; agora, ganha 55% de todo o dinheiro gasto em rádios locais. O número de proprietários e de estações de rádio afundou, sofrendo redução de um terço. A diversidade anterior degenerou para as Top 40 ou, como dizem os barões da consolidação que tomam emprestadas propriedade públicas, ?o interesse público que se dane?.

Vamos admitir: as opiniões de Rush Limbaugh diferem das que se ouvem na NPR (Rádio Pública Nacional) liberal, exatamente como um produtor independente de cinema pode ganhar dinheiro em favor de um pequeno conglomerado com um filme que vai contra o gosto comum. Mas, embora os paranóicos políticos se acusem mutuamente de vastas conspirações, a verdade é que as fusões na mídia reduziram o alcance da informação e do entretenimento disponível a pessoas de todas as ideologias.

Isso me tornaria (pasme!) pró-regulação? Michael Powell, nomeado por Bush presidente do FCC, sempre diz ?o mercado é minha religião?. Minha religião econômica conservadora está baseada na filosofia da competição, que – desde os tempos de Teddy Roosevelt – protege pequenos negócios e os consumidores dos preços predatórios que levam ao monopólio de mercado.

Os republicanos no Congresso, intimidados pelo poderoso lobby das emissoras, não admitem que algumas regras podem ser a favor dos negócios, assim como a Corte de Apelações em Washington, que quer mais provas detalhadas de que as fusões prejudicam a competição. Talvez o presidente da Comissão do Comércio, John McCain, consiga ver sob a ótica antitruste de Teddy Roosevelt e comece a detalhar ainda mais o assunto nas audiências – antes que a mania de fusões atinja a tevê e os filmes da mesma maneira que debilitou as rádios locais.”

 

“Globo.com passa de portal a provedor”copyright O Estado de S.Paulo, 17/1/03

“A Globo.com aposta no conteúdo da TV Globo para tornar-se líder em provimento de acesso por banda larga no prazo de dois anos. A empresa deixa de ser apenas um portal para prover acesso à rede a partir deste final de semana, com a meta de conquistar 20% do mercado de acesso rápido até 2005.

Hoje, a liderança desse serviço está com o provedor Terra.

O grande diferencial do novo provedor foi batizado de Globo Media Center, uma plataforma de distribuição de conteúdo da TV Globo pela internet, com a programação atual e passada da rede de televisão, que o assinante pode assistir ao vivo ou por demanda. Será possível, por exemplo, assistir a um capítulo antigo da novela ou a uma gravação do Jornal Nacional de dez anos atrás.

No lançamento, serão 50 mil vídeos cadastrados e outros 10 mil serão adicionados mensalmente, diz o diretor de Marketing da Globo.com, Frederico Monteiro. Foram investidos R$ 20 milhões nos últimos dois anos em desenvolvimento de software, montagem da infra-estrutura e empacotamento da programação para a nova mídia internet.

Segundo o presidente da Globo.com, Juarez Queiroz, o serviço de acesso deverá responder por 50% da receita da empresa já no ano que vem.”

“?Post? e ?Wall Street Journal? fecham acordo (Matérias do ?Washington Post? serão publicadas na versão internacional do diário financeiro)”, copyright O Estado de S.Paulo, 18/1/03

“O jornal The Washington Post e a Dow Jones & Co. Inc., que publica o Wall Street Journal, fecharam um acordo para que matérias do Post apareçam nas versões européia e asiática do diário financeiro, a partir deste mês.

O Post tem buscado aumentar a distribuição internacional de seu jornalismo, após o New York Times ter comprado sua fatia no International Herald Tribune, jornal sediado em Paris, que era mantido pelos dois diários americanos desde 1991. As negociações com a Dow Jones começaram na época da compra do IHT pelo Times, disse Leonard Downie Jr., editor-executivo do Post.

?Isto representa uma oportunidade de aumentar a quantidade de jornalismo do Washington Post, que aparece na forma impressa para os leitores ao redor do mundo?, afirmou Downie. ?Para o Wall Street Journal, isto irá complementar seu forte jornalismo financeiro com outros tipos de jornalismo.?

Artigos – Os termos financeiros do acordo ainda não haviam sido divulgados. A cada dia, editores do Post fornecerão às versões asiática e européia do Wall Street Journal uma lista de artigos que poderão ser publicados. O Post tem um acordo similar com a NBC, que transmite material do jornal em seus canais a cabo MSNBC e CNBC.

Por enquanto, o Post não publicará matérias do Wall Street Journal. Segundo Downie, as reportagens do Post que forem publicadas no outro jornal terão o crédito do autor.

Os leitores serão convidados a visitar o site do Post (washingtonpost.com) para obter informações adicionais. O jornal estará oferecendo também seus artigos de opinião para o Wall Street Journal.

Downie chamou o acordo de ?aberto?. ?Veremos aonde ele nos levará?, afirmou. (Washington Post)

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“EUA não cedem aos gigantes da mídia (Governo promete endurecer no debate sobre regras de propriedade no setor)”, copyright O Estado de S.Paulo / Los Angeles Times , 16/1/03

“O principal encarregado da regulamentação das comunicações no governo americano disse ao Congresso, na terça-feira, que não deverá afrouxar drasticamente as restrições de propriedade impostas a emissoras, editoras de jornais e outras empresas de mídia quando tratar do tema nas próximas semanas. Sob pressão judicial para revisar as regras de propriedade de mídia, o presidente da Comissão Federal de Comunicações (CFC), Michael K. Powell, prometeu não ceder à nova geração de gigantes da mídia que toma forma.

Ele culpou, pelo estado atual da indústria, decisões de gestões anteriores da CFC e o Congresso, que em 1996 aprovou reformas abrangentes na área de telecomunicações, derrubando vários limites à propriedade.

?Estou preocupado com a concentração na mídia, particularmente no rádio?, disse Powell à Comissão de Comércio do Senado, que ouviu testemunhos dos cinco conselheiros da CFC pela primeira vez em quase cinco anos. ?Se eu não me importasse com a concentração na mídia, não faria nada e deixaria os tribunais cancelarem todas as regras da comissão.? Entre outras restrições, as regras da CFC proíbem que uma companhia possua canais de televisão e jornais num mesmo mercado, impedem os proprietários de TV de alcançar mais de 35% dos lares americanos com televisores e limitam a propriedade de emissoras de rádio locais.

As regras de propriedade de mídia sofreram uma série de derrotas nos últimos dois anos, pelas mãos de tribunais federais. No ano passado, a Justiça ordenou que a CFC justificasse a necessidade das restrições ou as abandonasse.

Especulações – Especialistas especulam há meses que a CFC irá, no mínimo, permitir que uma companhia ou indivíduo possua um jornal e uma emissora de tevê ou rádio num mesmo mercado sem necessitar de uma concessão federal. Mas defensores do consumidor e vários congressistas temem que o debate público seja prejudicado se a CFC permitir que um punhado de gigantes da mídia controle o noticiário.

?Quando falamos sobre mais vozes, falamos sobre mais vozes controladas por um ventríloquo??, ironizou o senador democrata Byron Dorgan.

Observando que a maioria das fusões da mídia está sujeita à revisão antitruste do governo e a um teste de ?interesse público? por parte da CFC, Powell reconheceu que sua agência ?tem de começar a perceber o mercado da mídia pelos olhos e ouvidos dos consumidores?. Uma maneira de fazer isso é revisar os métodos pelos quais a agência mede os níveis de propriedade nos mercados locais, disse Powell.”

 

NOVELA & NEGÓCIOS

“Abreu pode ser o próximo autor das ?oito?”, copyright Folha de S.Paulo, 15/1/03

“Autor da fracassada novela das sete ?As Filhas da Mãe?, Silvio de Abreu (?A Próxima Vítima?, ?Torre de Babel?) pode ser o próximo a ocupar a faixa das ?oito? da Globo, ap&ooacute;s Manoel Carlos, com ?Mulheres Apaixonadas?, que estréia em 17 de fevereiro.

Abreu é o ?reserva? de Gilberto Braga, escalado como ?titular? para o horário depois de Manoel Carlos. Isso porque Braga insiste no projeto de ?Celebridades? (nome provisório), sobre a fama, que foi rejeitada por parte da cúpula da emissora, em meados do ano passado, como substituta de ?Esperança?. A Globo, na época, optou por manter Braga na ?geladeira? e convocar Manoel Carlos.

A Folha apurou que a rejeição a ?Celebridades?, embora parcial, permanece no comando da emissora. Mas Gilberto Braga, que não escreve novelas desde ?A Força de Um Desejo? (1999), diz que a idéia de ?Celebridades? continua de pé.

?É a mesma sinopse que eu tinha feito no ano passado, com poucas alterações?, afirma o cultuado autor de ?Dancin?Days? (1978) e ?Vale Tudo? (1988).

Braga diz que já estão escalados os atores Malu Mader, Claudia Abreu e Marcos Palmeira e que falta apenas definir qual será o diretor, uma vez que Roberto Talma, que iria comandá-la, irá assumir a próxima das seis. ?Já está tudo aprovado. Só falta escrever?, conta. Segundo ele, as primeiras linhas poderão começar a ser traçadas em duas semanas.

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“Rede TV! vai pagar para quem bater Record”, copyright Folha de S.Paulo, 17/1/03

“A Rede TV! vai pagar cerca de R$ 20 mil por trimestre para as equipes dos programas que superarem a Record no Ibope em seus horários. O prêmio, chamado de ?Bônus R?, foi a forma encontrada pela emissora para estimular seus profissionais a ?dar sangue? na ?guerra? contra a concorrente.

A premiação foi anunciada pelos acionistas da Rede TV!, Amílcare Dallevo e Marcelo de Carvalho, em reunião na última terça-feira com diretores de todas as áreas da emissora. Na reunião, Dallevo e Carvalho disseram que a meta da Rede TV! neste ano é ultrapassar a Record nos números do Ibope e tornar-se a terceira maior rede do país em audiência.

No balanço do ano passado, a Rede TV! teve média diária anual de 2 pontos na Grande São Paulo, a metade da Record. Mas alguns de seus programas _como o ?Eu Vi na TV?, ?Betty, a Feia?, ?Repórter Cidadão? e ?Noite Afora?_ já vêm superando a rede da Igreja Universal.

A Rede TV! também vai pagar um prêmio trimestral para o programa que tiver maior índice de participação no total de televisores ligados (?share?).

Na reunião, a cúpula da Rede TV! também declarou guerra à Bandeirantes, da qual quer tirar anunciantes e afiliadas descontentes com a venda de parte do horário nobre para o evangélico R.R. Soares. Já disputa, com a Record, as afiliadas da Band em Ribeirão Preto e Uberlândia.”

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“Record substitui Datena e encerra programa”, copyright Folha de S.Paulo, 17/1/03

“Com novo presidente há pouco mais de uma semana, a Record já sofre as primeiras mudanças em sua programação. A partir de fevereiro, Otaviano Costa passa a apresentar o ?game? ?No Vermelho? (sextas, 22h), substituindo José Luiz Datena. O ?atual? programa de Costa, o ?Jogos de Família? (segundas, terças e quintas, 21h) acaba definitivamente.

Foi o próprio Datena, que continua no ?Cidade Alerta?, quem pediu para sair do ?No Vermelho? e indicou Otaviano Costa para seu lugar. O jornalista, que pode ganhar um programa de entrevistas, não estava se sentindo à vontade em um ?game?. Achava que estava se ?queimando?.

?No Vermelho?, que promete pagar dívidas dos vencedores de suas provas, estreou em novembro, aos domingos (19h), com médias de 4 pontos. A emissora, então, o transferiu para as sextas, e seu ibope subiu para 6 pontos.

Otaviano Costa negocia agora mudanças no programa. Quer explorar menos os dramas dos endividados, torná-lo mais ?game? e inserir prestação de serviços.

Já ?Jogos de Família? está fora do ar desde a semana passada. Edições com famílias de famosos, que seriam exibidas a partir desta semana, deverão ficar engavetadas. É que os filmes que a Record está exibindo no horário estão dando no mínimo o dobro da audiência de ?Jogos? (3 a 4 pontos).

Na semana que vem, a Record discute a programação de abril.”

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“?Big Brother? tem dois figurantes da Globo”, copyright Folha de S.Paulo, 18/1/03

“Apesar de a TV Globo afirmar que todos os 14 participantes do ?Big Brother Brasil 3? foram selecionados de um total de 70 mil inscritos, pelo menos dois deles já eram conhecidos na emissora.

Os participantes Sabrina e Alan já trabalharam como figurantes de produções da Globo. O nome de Alan aparece em todos os catálogos de empresas que fornecem figurantes para a emissora.

Já Sabrina tem uma ?ficha artística? mais extensa. Ela já atuou como dançarina do ?Domingão do Faustão? e participou do concurso ?Essa É pra Casar?, de mulheres bonitas, promovido pelo ?Caldeirão do Huck? em 2001.

A Globo, que sempre afirmou que o principal critério para ser selecionado para o ?Big Brother? é não ter pretensão artística, mas financeira (para tornar a disputa pelo prêmio de R$ 500 mil mais competitiva), mudou o discurso. Diz agora, por meio de sua assessoria de imprensa, que o principal critério para entrar no ?reality show? ?é ter um bom personagem e pronto? e que há, sim, um ?critério artístico para o grupo?.

A emissora, no entanto, afirma que todos os selecionados se inscreveram normalmente e que mandaram fitas para o programa. Sabrina, segundo a Globo, teria mandado três cópias de fitas.

Quase todos os selecionados do primeiro ?BBB?, em 2002, foram recrutados por ?olheiros?, o que colocou em xeque o processo de inscrição para o programa.

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