Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > TV / COMPORTAMENTO

Wilson Tosta

Por lgarcia em 06/01/2004 na edição 258

TV ALERJ

“TV para Assembléia do Rio custará R$ 4 milhões”, copyright O Estado de S. Paulo, 28/12/03

“RIO ? Com apoio do PT, a Assembléia Legislativa fluminense gastará em 2004 cerca de R$ 4 milhões para transmitir, por um canal de televisão a cabo, ao vivo e em programas gravados, as atividades de seus 70 deputados em plenário, comissões permanentes, CPIs e audiências públicas. As transmissões da TV Alerj têm início previsto, de forma experimental, para janeiro, e mobilizarão 30 profissionais ? cerca de 20 contratados pela Digilab, que venceu a licitação para tocar a emissora, e no mínimo oito funcionários da Casa, com salários de R$ 3 mil a R$ 7 mil. A operação de fato começará em fevereiro.

Além da projeção que ajudará a dar a parlamentares, em sua maioria desconhecidos fora de seus redutos, a TV Alerj poderá se transformar em arma de controle sobre as Câmaras de Vereadores dos 92 municípios fluminenses, num ano eleitoral. O canal reservado ao Legislativo local deve ser operado pela Assembléia; as câmaras municipais precisam acertar com os deputados estaduais seus horários de transmissão. Um poder que atingirá até a Câmara da capital, que comprou equipamentos no exterior e neste fim de 2003 já tenta, também experimentalmente, colocar no ar suas sessões e atividades.

Criticada por ocorrer em meio à maior crise financeira da história do Rio, a instalação da emissora da Alerj, que transmitirá pelo canal 12 da Net, é defendida por sua idealizadora, a jornalista e vice-presidente da Casa, deputada Heloneida Studart (PT). ?Por que o Rio de Janeiro, que é a capital cultural do País, não pode ter uma emissora legislativa?? Espera-se que a transmissão experimental comece após 20 de janeiro, e que a programação definitiva, de 24 horas diárias, entre no ar antes do Carnaval, em fevereiro.

Licitação

Diferentemente da Câmara Municipal carioca, que comprou equipamentos, a Assembléia Legislativa do Rio adquiriu um pacote de serviços. A Digilab foi escolhida em outubro, em licitação disputada por oito empresas. Por R$ 323 mil mensais, ela vai se responsabilizar por instalar, fornecer, operar e manter os equipamentos e a programação. A produtora já opera emissoras do gênero em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O preço inclui as obras de instalação e o uso da aparelhagem, que continuará pertencendo à Digilab.

A licitação vale por cinco anos, mas o contrato inicial tem vigência de um ano ? nesse período, o pagamento soma cerca de R$ 3,9 milhões. Para dar lugar à emissora, foram deslocadas do quinto andar do Palácio Tiradentes instalações da área administrativa. Só ficaram o Cerimonial e a assessoria de Comunicação Social. No espaço aberto, estão sendo feitas obras para instalar um estúdio, duas ilhas de edição, uma de finalização, uma redação e um escritório. O lugar está recebendo tratamento para isolamento acústico e instalação de ar refrigerado. Quatro câmeras e uma mesa de corte ficarão no plenário. Uma quinta câmera será móvel. O sistema é digital, o que permitirá que a transmissão seja operada por computador da Assembléia.

O comando da TV, subordinado à Mesa Diretora, representada por Heloneida e pelo corregedor, Leandro Sampaio (PMDB), será de funcionários da Assembléia ocupantes de cargos de confiança. Serão pelo menos um diretor-geral, um assessor do diretor-geral, um assistente de diretoria, um assessor de diretoria, um assistente de diretor-geral, um diretor de programação jornalística, um diretor de programação cultural e um assessor-adjunto administrativo. A criação dos cargos, pela extinção de vagas efetivas (foram criados postos em outras áreas) foi denunciada como ?trem da alegria?.

Programação

Heloneida conta que o presidente da Assembléia na legislatura passada, Sérgio Cabral Filho (PMDB), lhe pediu em 2001 um projeto para a emissora, que foi feito por dois jornalistas amigos da parlamentar.

Ele negociou um convênio com a TV Educativa, mas desistiu, diante dos preços apresentados pela emissora estatal, considerados altos. ?Até que o (Jorge) Picciani (do PMDB, hoje presidente da Casa) fez um acordo com a bancada do PT, dizendo que, eleito, implantaria a TV?, conta ela. Picciani foi eleito presidente em 2003. A deputada explica que, além do plenário e das atividades parlamentares relevantes, a TV Alerj transmitirá programas culturais e entrevistas com personalidades. ?O deputado fluminense, com a TV, vai ser mais assíduo, vai se comportar no vestuário?, especula ela. ?Tem deputado que se veste de renda preta?, completa a parlamentar.”

 

CONTROLE DA TV

“Governo revê classificação de programas”, copyright Folha de S. Paulo, 28/12/03

“Impulsionado pelas mais de 600 queixas apresentadas neste ano por telespectadores constrangidos com as cenas de sexo e violência, o governo decidiu rever os critérios para classificação dos programas de televisão.

Constituiu-se no Ministério da Justiça uma comissão para discutir as mudanças e a primeira decisão foi definir que serão fixadas regras diferenciadas para a classificação dos filmes veiculados em cinemas e a programação destinada às TVs. ?O cinema é mais fácil de administrar, porque éeacute; uma escolha. Você paga, autoriza seu filho a ir. A televisão entra em nossa casa, invade a vida das pessoas?, diz a secretária nacional de Justiça, Cláudia Chagas, coordenadora da comissão.

No regime militar, a censura era exercida pela Polícia Federal. Hoje, cabe ao Departamento de Classificação, apêndice da pasta da Justiça, a tarefa de definir horários de veiculação de programas televisivos e a faixa etária dos filmes exibidos no cinema. O trabalho é realizado por 18 pessoas, com a mesma metodologia há 11 anos. A equipe assiste às fitas, no caso do cinema, e analisa as sinopses de novelas, roteiros de programas e campanhas publicitárias.

O Ministério da Justiça publicou no ?Diário Oficial da União? de 19 de dezembro a versão preliminar de uma portaria que torna obrigatório informar, nos cartazes de divulgação, o conteúdo de filmes cuja audiência não é livre. Além disso, foram criadas duas novas faixas de classificação -para oito e dez anos.

Desde maio, em cumprimento a uma determinação judicial, a mesma equipe também assiste ao conteúdo veiculado. Verificados desvios, a emissora e o responsável pelo programa recebem uma advertência. Inicialmente, os diretores dos programas são chamados a Brasília para conversar sobre a infração, como aconteceu com Wolf Maia por conta da novela ?Kubanacan?.

Na reincidência, há notificação por escrito. Persistindo a infração, o programa pode ser reclassificado, com a transferência de sua exibição para mais tarde, penalidade imposta, por exemplo, à novela ?Mulheres Apaixonadas?. Casos considerados mais graves são levados ao Ministério Público.

Um dos campeões das queixas é o apresentador João Kléber, da Rede TV. João Kléber chegou a liderar o ranking da baixaria na TV, uma enquete elaborada por uma subcomissão da Câmara dos Deputados. O grupo, presidido pelo deputado Orlando Fantazini (PT-SP), lançou em 2002 a campanha ?Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania?, pela ética na programação da televisão.

João Kléber, depois de ser chamado a Brasília, acertou algumas mudanças em seu programa. ?Eles [Departamento de Classificação] tinham razão. A gente estava exagerando mesmo com os barracos?, diz ele.

?Além dos protestos básicos, relacionados a sexo e violência, sentimos uma demanda de homossexuais e negros que se sentem discriminados. Uma nova classificação tem de trazer esses elementos?, afirma Cláudia Chagas.

Vencida a fase de discussões, as modificações serão baixadas por portarias do Ministério da Justiça.

As mudanças chegarão também à indústria. O governo pretende regulamentar uma lei tornando obrigatório que novos aparelhos de TV tenham um dispositivo que permita programar os horários em que poderão ser ligados.”

“Reclamações levam a reelaboração de critérios”, copyright Folha de S. Paulo, 28/12/03

“A secretária nacional de Justiça, Cláudia Chagas, 40, preside a comissão que irá redefinir os critérios de classificação do conteúdo de programas televisivos e fitas de cinema. Leia abaixo trechos de entrevista concedida pela secretária à Folha.

Folha ? Por que o governo decidiu rever os critérios de classificação do cinema e da televisão?

Claudia Chagas ? Houve essa decisão porque as pessoas cada vez mais querem que a gente assuma uma postura de suspender o programa, de proibir, coisa que não podemos, que é ilegal. Há cartas de mães que chegam dizendo que têm vergonha de assistir à novela junto com a filha. Outras, cobram alguma providência direta do ministro [da Justiça, Márcio Thomaz Bastos], acham que ele tem que tirar o programa do ar.

Folha ? Quais as principais queixas dos telespectadores?

Chagas ? Sexo e violência, nesta ordem.

Folha ? As emissoras não seriam capazes de, juntas, fazer uma auto-regulamentação da programação?

Chagas ? Se ficar só na auto-regulamentação, o Estado se retira. As emissoras ainda não criaram suas ouvidorias para saber o que as pessoas acham do que estão assistindo. O Estado tem que fiscalizar como defesa dos interesses da sociedade. Hoje há receio de falar de qualquer forma de controle, porque surge logo a idéia de censura. Não é censura, mas também não pode ser omissão. Penso que já amadurecemos o suficiente para não ter medo de confundir isso [classificação] com censura. O Estado tem que entrar nessa questão com a família, com a sociedade.”

 

ÉTICA NA TV

“Moralização e mundo real na TV”, copyright Jornal do Brasil, 31/12/03

“Enquanto a Globo usou o trabalho de produtoras independentes para melhorar sua programação, outras emissoras tomaram um rumo ligeiramente de mais qualidade pressionados pela campanha Quem financia a baixaria é contra a cidadania, coordenada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Lançada no fim do ano passado, foi em 2003 que a proposta de apontar os programas apelativos tomou força e amedrontou apresentadores.

Em boletins periódicos, a campanha divulgava os programas que mais incomodavam o telespectador. Entre as queixas estavam vocabulário chulo, cenas de sexo, desrespeito, ridicularização, constrangimento moral e incitação à violência. Ainda é possível ver programas com esses ingredientes, mas grandes baluartes da baixaria mudaram de postura. Na Band, Márcia Goldschmidt se concentra no Jogo da vida, enquanto o Hora da verdade se anuncia com ?novo formato?. No SBT, Ratinho ainda explora dramas de miseráveis, mas reserva um dia da semana para investir em música no lugar de trocas de gritos e pontapés. E na RedeTV!, João Kleber, quem diria, anunciou que queria liderar a moralização na TV, desistindo de levar ao ar quadros que apelavam para o erotismo.

Mesmo com essa luz surgindo no fim do túnel, em setembro, houve um blecaute no senso de ética de um dos mais populares apresentadores da TV brasileira. No Domingo legal, do SBT, Gugu Liberato levou ao ar uma entrevista com falsos integrantes da facção criminosa paulista PCC. Os dois sujeitos contratados para posar para a câmera com capuzes na cabeça e codinome ?alfa? e ?beta?, ameaçaram apresentadores que exploram o mundo criminal em seus programas. Quando a farsa foi descoberta, Gugu foi ao programa de Hebe Camargo, na mesma emissora, para se desculpar da vergonhosa situação perante o público e seus colegas de profissão. Não foi o suficiente. A Justiça Federal acatou um pedido do Ministério Público e suspendeu por uma semana o Domingo legal, acarretando afastamento de alguns anunciantes. Foi a punição de Gugu por criar fatos.

Já na Globo, a mistura de realidade e ficção foi mais feliz. A novela Mulheres apaixonadas, de Manoel Carlos, bateu recordes de audiência, sempre passeando pela casa dos 50 pontos e chegando a um pico de 66 no último capítulo. Parte da estratégia do autor foi jogar fortes doses de realidade em seu drama. Tinha mulher apanhando do marido, adolescentes lésbicas, esposas infiéis, etc. O barulho foi maior quando as já corriqueiras balas perdidas do mundo real foram atingir a personagem Fernanda. Temendo que o sangue respingasse para fora do folhetim, entidades ligadas ao turismo reclamaram do episódio. A mistura de vida e arte ainda rendeu uma passeata pelo desarmamento, contando com personagens marchando ao lado de gente de carne e osso, devidamente transportados para o script.

Na MTV, emissora que teve como base cenários fantasiosos de clipes musicais, foi a realidade também ajudou para que se destacasse em 2003. Ganhou um prêmio Esso com uma reportagem sobre Aids e levou duas categorias na eleição na Associação Paulista dos Críticos de Arte. Um para Rockgol de domingo, como melhor humorístico ? que faz piadas sobre o universo futebolístico ? e outro para João Gordo, como melhor entrevistador, que foi além das perguntas amigáveis que permeiam muitos talk shows e partiu para um bate-papo mais chegado ao mundo real, como quando perguntou ao padre Marcelo Rossi se ele tinha ereções.”

 

TV / COMPORTAMENTO

“Força na peruca”, copyright Época, 29/12/03

“Não é por falta de atrizes e muito menos de candidatas a atriz, mas o que não falta atualmente na televisão é homem vestido de mulher. Em Sexo Frágil, a sitcom das sextas-feiras na TV Globo, são quatro ? isso quando não há convidados especiais travestidos. Os sete integrantes de Casseta e Planeta, mesmo com Maria Paula disponível, não dispensam uma boa peruca desde que o programa foi ao ar, há 11 anos. Fora do humor, na novela das 6, o jovem e promissor galã adolescente Kayky Brito, um dos recordistas de cartas da emissora, faz o papel de um menino que é criado como menina. Vive às voltas com tranças e babados na novela Chocolate com Pimenta.

O público parece gostar ? tanto quanto eles. Quando Sexo Frágil estava para estrear, há dois meses, o diretor e roteirista do programa, João Falcão, tinha dúvidas sobre a aceitação do telespectador. ?Gravamos os primeiros episódios só com homens, mas não sabíamos se teríamos de chamar atrizes para os papéis femininos depois de um tempo?, diz. Não foi necessário. O comentário geral é de que alguns dos atores ficam ainda mais bonitos como mulher do que como homens. Wagner Moura, o Edu de Sexo Frágil, garante que, apesar do trabalho ? uma hora e 20 minutos só de maquiagem -, está adorando a experiência. ?É maravilhoso, muito gostoso mesmo?, diz. ?Apesar da depilação a que somos submetidos?, completa, referindo-se aos colegas Lázaro Ramos, Bruno Garcia e Lúcio Mauro Filho.

Kayky diz que fazer Bernadete é um delicioso desafio

Kayky Brito, de 15 anos, conta que levou um susto quando soube do papel de Bernadete, mas se surpreendeu com a falta de chacota dos colegas. ?Quando fiz O Beijo do Vampiro mexiam muito mais comigo?, garante. Kayky acha que, ao final de Chocolate com Pimenta, o personagem vai se rebelar e revelar que é homem. ?Mas juro que vou ficar com saudade da Bernadete?, assume.

A antropóloga Mirian Goldemberg acredita que, com a Revolução Francesa, ocorreu a ?grande renúncia? masculina em relação à moda. Até então, homens usavam roupas, cabelos e enfeites tão extravagantes (ou mais) que os das mulheres. Com a revolução, as roupas masculinas passaram a ser neutras, sóbrias, escuras. Isso poderia explicar a fascinação de heterossexuais ao se travestir, hoje. ?Como homens, não podem ousar muito. Então, quando têm essa chance, sabendo que é uma brincadeira, um trabalho, e que não serão acusados de homossexuais, aproveitam?, diz.”

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