Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES >   COMERCIAL NA TV

Xico Sá

Por lgarcia em 28/10/2003 na edição 248

SEXO FRÁGIL

“O lendário homem sensível ataca outra vez”, copyright Folha de S. Paulo, 24/10/03

“OHS, essa praga inventada pela publicidade para vender cremes e ervas finas, ataca novamente. HS vem a ser homem sensível, um produto tão bom quanto cerveja sem álcool, ouvir musica new age, comer picanha sem gordura, ser um macho sem testosterona etc. A coisa é tão séria que apelo para a filosofia eslovena do amigo platônico Slavoj Zizek: isso é que é hedonismo envergonhado.

Ora, essa moral norte-americana do rapaz atordoado -pulverizada sobre a lavoura transgênica das sitcons do mundo inteiro- é de terceira categoria. Sejamos homens, reconheçamos o triunfo das mulheres. Lindo. Sejamos homens também ao reconhecer o triunfo estético dos gays, que fazem a boa festa, ditam moda e conseguem hoje maior grau de hedonismo sem culpa.

Para não assumir uma coisa nem outra, o discurso machista, covarde como sempre, adotou a tal fábula do homem atordoado. Conta outra, velho Esopo. Pergunta se meu primo lá do parque São Rafael (zona leste) anda perdido diante da mina gostosa que ele conduz até o terminal São Matheus. Nem ela. Questão de classe.

Viva o nariz-de-cera. É que estreou ?Sexo Frágil?, sobre o assunto, na Globo. O segundo episódio vai ao ar hoje. João Falcão, dono da história, é grande diretor de teatro. Escreveu e dirigiu ?Muito Pelo Contrário?, sua melhor peça (1981). A sua praia. Na TV, tenta fazer o que se denomina, preconceituosamente, ?produto de qualidade?. Mas o rapaz tem sustança sim.

O programa peca por cair nessa onda de homens perdidos, como se as mulheres também soubessem o que querem a essa altura da vida. Sintoma de tempos quadrados que ignoram a tragédia que somos juntos. Na boa, tudo é tragédia mesmo, e a tragédia é a grande e bela descoberta. É o gozo deveras. A felicidade é uma arma quente, mas publicitária.

?Sexo Frágil? tem atores que arrebentaram no tal do cinema, aquele que sai da ?Grande Família? e vira homem na sexta, uma confusão danada. Só não tem mulher. Os mesmos meninos fazem a vez delas, digo, representam-nas, sem nenhum distanciamento, diga-se. ?Noooossa!,? diria o finado Costinha. Recurso ousado, diria o também finado Elia Kazan. O que não falta a Falcão e à talentosíssima Flávia Lacerda, que co-dirige o programa, é aventura e coragem, resguardadas as possibilidades de uma emissora cada vez mais conservadora, que acha que a vida se resume a falsa sacanagem e folclore.”

 

HELICÓPTERO / SATÉLITE

“Helicóptero vira ?satélite? de emissora de TV”, copyright Folha de S. Paulo, 22/10/03

“Que São Paulo tem uma das maiores frotas de helicóptero do mundo, já deu até no ?New York Times?, há mais de três anos. Quase acostumados ao barulho de pousos e decolagens, os paulistanos passaram a conviver nos últimos tempos com helicópteros parados no ar, servindo para a retransmissão de equipes de TV em solo, como ?satélites?.

Ao menos quatro das cinco principais redes de televisão do país utilizam os seus helicópteros em São Paulo também para retransmitir ao vivo para a sede dados captados por equipes em terra, que vão aonde as câmeras aéreas não conseguem chegar. Parados, ou quase, por até 40 minutos, perturbam os moradores.

Além de retransmitirem imagens de carros de reportagem, os helicópteros também dão apoio a equipes em motocicletas. A pioneira nessa ?variação? foi a Record, que começou a usar jornalistas em motocicletas com retransmissão de dados por helicópteros em janeiro de 1999.

Anteontem, houve o primeiro acidente com uma dessas equipes, chamadas de ?motolinks?, em que um pedestre morreu.

A Globo, que utiliza helicópteros desde 1996, a Bandeirantes e a RedeTV! também se valem dos ?motolinks?. Mas as aeronaves nunca decolam apenas para servir de ?satélites? -sempre carregam câmeras para imagens aéreas.

As TVs chegam a usar até seis helicópteros. Em alguns casos, no mesmo ponto da cidade.

No total, a cidade de São Paulo tem 437 helicópteros registrados, abaixo apenas de Nova York e de Tóquio. No país, são 952.

Uma das poucas regras para os helicópteros, que não têm rotas predefinidas, é a altura mínima de 500 pés (cerca de 150 metros) quando voam em regiões habitadas. Como existem cerca de 200 helipontos na cidade, a maioria irregular, há muitas reclamações de associações de moradores.

A Secretaria de Planejamento Urbano já terminou um estudo sobre o tema, que deve servir de base para que a prefeitura fixe uma lei sobre os helicópteros.”

 

REALITY SHOWS

“Sony vence leilão por ?reality show? gay”, copyright Folha de S. Paulo, 22/10/03

“Programa sensação do momento na TV paga norte-americana, ?Queer Eye for the Straight Guy? vai ser exibida no Brasil pelo Sony. O canal venceu a disputa pelo ?reality show? gay com os concorrentes GNT (da Globo/ Globosat), People and Arts (Discovery/BBC) e A&E Mundo.

Na linha ?transformação?, ?Queer Eye for the Straight Guy? (?Olhar Gay para Caras Heteros?) estréia na TV paga brasileira no próximo dia 9, às 20h30. A cada episódio do programa, cinco homossexuais afetados _cada um especialista numa área (gastronomia/vinho, cultura, decoração, cosmética e moda)_ ajudam um heterossexual rude a se transformar em um cavalheiro elegante e de bom gosto. E ainda dão dicas de como conquistar uma mulher.

?Queer? estreou nos EUA em julho, dando ao canal pago Bravo sua segunda melhor audiência (2,8 milhões de telespectadores). Na semana seguinte, foi exibido pela NBC, com 7,7 milhões.

Outra estréia do Sony em novembro (dia 4, 21h30), a versão americana do inglês ?Coupling? (um ?Friends? picante) também foi disputado por dois outros canais, entre eles o Warner. Fora do ar nesta quinzena (deve voltar em novembro), ?Coupling? foi a 20? maior audiência da TV aberta dos EUA entre 29/9 e 5/10, pela NBC.

?Joan of Arcadia?, ?Dead like me? e ?The Jamie Kennedy Experiment? completam o quadro de estréias do Sony em novembro.”

 

COMERCIAL NA TV

“TVs terão mais intervalos no final de ano”, copyright Folha de S. Paulo, 27/10/03

“O telespectador verá mais comerciais em novembro e dezembro do que assistiu nos mesmos meses de 2002. Para tentar suavizar a crise, emissoras estão criando novos intervalos, que irão reduzir a duração de programas.

Foi o que decidiu, por exemplo, a direção da Record. A partir desta semana e até 22 de dezembro, todos os programas da emissora terão um intervalo a mais do que o previsto. Segundo Walter Zagari, superintendente comercial da Record, a medida irá acomodar anúncios em rede nacional, cujo volume superou a expectativa.

O último trimestre é tradicionalmente o período de maior veiculação de publicidade. Neste ano, no entanto, a Record irá faturar 30% a mais do que no quarto trimestre de 2002, estima Zagari.

Na Globo, a receita com publicidade deverá ser 32% maior neste trimestre em relação ao mesmo período de 2002. Executivos da emissora, no entanto, preferem dizer apenas que, na média do ano, o crescimento será de 15%. Mas profissionais de agências de propaganda contam que, desde o início do mês, têm tido dificuldade para reservar espaços no horário nobre da Globo até dezembro.

Apesar desse crescimento sazonal, no conjunto 2003 não será um ano satisfatório para todas as redes. Isso porque o volume de publicidade só começou a aumentar em setembro e, na maioria dos casos, graças a promoções e descontos.

OUTRO CANAL

Panetone A Globo fechou na semana passada o pacote de filmes que exibirá no fim de ano. ?O Grinch?, ?Homem de Família?, ?O Tigre e o Dragão?, ?Chocolate? e ?Outono em Nova York? são os títulos.

Revólver 1 A Band colocou no ar na última terça uma nova peça de sua campanha contra o desarmamento e pelo direito do cidadão comum ao porte de arma legal. A publicidade agora bate na tecla de quem tem de ser desarmado é o bandido.

Revólver 2 A peça divulga um e-mail (defenda-se@band.com.br). Até sexta-feira, a emissora tinha recebido 321 mensagens telespectadores _80% delas, segundo a Band, a favor da iniciativa.

Intriga 1 O apresentador João Dória Jr. notificou a Rede TV! na sexta-feira dizendo que a emissora tem que cumprir contrato que prevê a exibição do ?Show Business? até abril de 2004. Caso contrário, irá acionar o canal na Justiça.

Intriga 2 Na quinta, a Rede TV! deu prazo de 30 dias para Dória Jr. desocupar o horário que ocupa (domingos, 23h/ 0h), pelo qual paga valor mensal. A Rede TV! diz que, desde 2000, não há contrato com Dória Jr. (só uma minuta sem a assinatura dos donos da TV). Já o apresentador afirma que há contrato, assinado em abril deste ano.”

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