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ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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>>A ameaça dos transgênicos
>>Falta sintonia

Por Luciano Martins Costa em 11/05/2009 | comentários

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A ameaça dos transgênicos

O tema agricultura frequentou a imprensa no final de semana e volta nesta segunda-feira em reportagem da Folha de S.Paulo.

O agronegócio já é responsável por mais de 44% da pauta de exportações brasileira, informa neste início de semana a Gazeta Mercantil, mas a grande história do campo ainda não sensibilizou a imprensa como deveria.

Trata-se da ameaça das sementes transgênicas.

A Folha de S.Paulo escolheu o assunto para manchete no domingo, noticiando que o Brasil não tem controle sobre a expansão do milho transgênico.

Ainda no domingo, o Estado de S.Paulo afirmava que o agronegócio brasileiro se recupera e pode ter um desempenho equivalente ao de 2008, por causa da alta recente dos preços internacionais dos produtos agrícolas.

Nesta segunda, a Folha volta ao assunto, anotando que o Instituto de Defesa do Consumidor e outras entidades de direitos civis estão cobrando do governo medidas imediatas de garantias para as informações sobre a presença de organismos geneticamente modificados em alimentos ou ingredientes alimentares.

O fato é que ninguém ainda fez a conexão entre o crescimento das exportações brasileiras de alimentos e a incapacidade do setor de assegurar as características de seus produtos.

No Brasil e em outros países do mundo, as indústrias de alimentos são obrigadas a colocar nas embalagens de seus produtos o símbolo que identifica a presença de organismos geneticamente modificados.

Isso por causa dos riscos que podem representar para a saúde das pessoas.

Mas a expansão indiscriminada de sementes transgênicas, principalmente de soja e milho, já impossibilita esse controle.

A imprensa ainda não viu esse problema como o risco que representa para a economia brasileira.

Há pouco mais de dez anos, quando os movimentos ambientalistas começaram a questionar a manipulação genética de sementes, a imprensa, em sua maior parte, tomou a defesa da indústria química.

De nada adiantaram os avisos de cientistas, dizendo que seria impossível impedir a contaminação das lavouras tradicionais e a constatação de que apenas duas ou três grandes multinacionais sairiam ganhando com a produção de transgênicos.

Agora que os alertas dos ambientalistas se tornam uma realidade concreta e assustadora, os jornais fingem que o problema é a falta de fiscalização do governo.

Neste caso, a imprensa é mais do que cúmplice. É coautora do crime.

Falta sintonia

Alberto Dines:

– As capas das revistas deste fim de semana tratavam de assuntos completamente diferentes, assim também as primeiras páginas dos jornalões de domingo, onde apenas o Dia das Mães e a gripe suína conseguiram alguma notoriedade e mesmo assim sem grande ênfase. Em matéria de mordomias aéreas, só apareceu um escândalo e cabeludo: a Câmara dos Deputados paga o salário do piloto particular que serve ao ministro da Integração Nacional, Geddel de Oliveira Lima do PMDB da Bahia.

As dramáticas enchentes no norte-nordeste e a seca do sul não empolgam, cansaram. Mas não acabaram, os veículos é que se desinteressaram delas. A crise da imprensa brasileira é diferente da americana: aqui não é a internet que ameaça os jornais, são os jornais que não conseguem sustentar suas coberturas e vivem ciscando, incapazes de manter a continuidade. E como o jornalismo é um processo contínuo, sucessivo, persistente, estes vácuos minam o interesse do leitor.

Leitor desinteressado é infiel, intermitente – e isso é um perigo. Algumas causas são visíveis: a alta do dólar no último semestre afetou a despesa com o papel, os espaços para noticiário encolheram e como a publicidade também diminuiu por causa da recessão mundial, as pautas ficaram mais restritas.

A coisa pode piorar: no domingo o Globo aumentou o preço da sua edição dominical para quatro reais, equiparou-se aos jornalões paulistanos e as autoridades monetárias estão empenhadas em manter o dólar alto. Assunto não falta, o que falta é sintonia com o leitor. Em tempos de crise suas demandas são muito específicas e consistentes: não adianta enganá-lo com banalidades.

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