Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 672

>>A CPMF volta à origem
>>O bispo, a seca e o rio

Por Luciano Martins Costa em 12/12/2007 | comentários

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A CPMF volta à origem

O governo surpreendeu ontem os políticos e a imprensa ao anunciar que, se for prorrogada, a CPMF vai ser destinada integralmente à saúde, como era seu propósito original.

A decisão torna inócuas algumas das razões da oposição e de senadores da bancada governista para votar contra a proposta, mas isso não quer dizer que ela será aprovada.
Afinal, as razões dos políticos nem sempre são aquelas que eles declaram aos jornais.

O noticiário de hoje não explica uma questão básica que deve estar rondando a cabeça de muitos leitores: se o governo pode destinar à saúde todos os 40 bilhões de reais que o tributo rende todos os anos, por que só decidiu isso agora?

Para entender, é preciso buscar na pilha de jornais velhos alguns detalhes da negociação que vem acontecendo há três meses.

Parte da oposição, alinhada com a Fiesp e a Federação do Comércio de São Paulo, diz que a CPMF não é mais necessária porque o governo já conta com excesso de arrecadação para pagar suas despesas.

Outra parte, alinhada com os governadores, teme que o fim da CPMF corte o fluxo generoso de recursos do tesouro federal para seus cofres.

Como todos são, de alguma forma, candidatos a alguma coisa, nenhum deles quer correr o risco da falta de receita nos anos futuros.

E o presidente da República já ameaçøu fechar a torneira se o Senado não aprovar a prorrogação.

Para quem está no governo, seja o presidente da República, os gorvernadores ou os prefeitos, pouco importa se o dinheiro da CPMF tenha que ser aplicado apenas na saúde.

Com a fonte de receita sob ameaça, é melhor ter o recurso comprometido do que correr o risco de ficar sem ele.

Para oposicionistas que não têm mandato executivo, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, interessa produzir desconforto para o partido que está no poder, reduzindo sua influência e mantendo a oposição ativa.

É parte do jogo democrático, embora as razões de um ou outro possam ser mais pessoais do que partidárias.

Para o cidadão, é importante saber para onde vai o dinheiro que lhe sacam a cada operação bancária.

Isso também é parte do jogo democrático, mas essa parte da regra nem sempre entra em campo.

O bispo, a seca e o rio

O caso do rio com nome de santo e do bispo que se oferece em sacrifício contra um projeto do governo volta aos jornais com mais destaque, agora por conta de uma decisão judicial.

O desembargador Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal de Brasília, mandou suspender as obras de transposição do Rio São Francisco, para conferir a legalidade de todos os procedimentos que levaram à aprovação pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

O bispo dom Luiz Cappio, que completa hoje duas semanas de greve de fome, comemorou a decisão mas decidiu manter o jejum até que o projeto seja suspenso.

Conforme já observou recentemente o jornalista Alberto Dines, a imprensa não dá a menor atenção ao protesto do religioso.

Da mesma forma, os jornais apenas têm repetido burocraticamente declarações de autoridades ou decisões judiciais, e evitam se posicionar claramente sobre as obras.

Pelo desprezo de demonstram com relação à greve de fome do bispo, dão a entender que são a favor da transposição das águas do Rio São Francisco.

Mas também negam ao leitor explicações técnicas sobre o assunto.

Já faz tempo que a imprensa repete a expressão ‘transposição do São Francisco’ sem dizer do que se trata, que riscos ambientais o projeto apresenta, que benefícios pode produzir.

Do jeito que a questão aparece nos jornais, parece coisa do tempo de Antônio Conselheiro: a eterna seca do Nordeste, um rio que muda de lugar, um sacerdote que ameaça se matar de fome.

Vai ver, é mesmo coisa de Antônio Conselheiro.

Todos os comentários

  1. Comentou em 13/12/2007 Ivan Moraes

    E se era pra desistir de alguma coisa dos 55 por cento de impostos que brasileiros ja pagam, dava tambem pra dar uma outra olhada nos ridiculos precos de televisoes, geladeiras, e maquinas de lavar roupas do Brasil, que sao mais caros e tecnologicamente muito inferiores aas dos EUA? Ao absurdo preco que ja esta sendo pago ha decadas, e em dolares, na da pra fazer um pais melhor?

  2. Comentou em 12/12/2007 thomaz magalhães

    A greve de fome do bispo simplesmente não tem importância, por isso não merece atenção da imprensa.

  3. Comentou em 12/12/2007 Ivan Moraes

    E se era pra desistir de alguma coisa dos 55 por cento dos impostos que os brasileiros pagam, porque eh que o governo nao pode olhar mais uma vez para os impostos das ridiculas, perigosas, precarias PULGUINHAS sendo vendidas no Brasil a 35 mil dolares, e que por falta do que fazer a industria esta chamando de ‘carros’?

  4. Comentou em 12/12/2007 Ivan Moraes

    ‘governo surpreendeu ontem os políticos e a imprensa ao anunciar que, se for prorrogada, a CPMF vai ser destinada integralmente à saúde’ e o governo mentiu, naturalmente, mas se a oposicao ao imposto nos presenteia com paulistas de suporte, paulistas de logistica e, quem sabe, paulistas de sabotagem… entao Lula falou a verdade: o imposto eh antisonegacao. Infelizmente, Lula soltou a mentira acima em vez de manter o imposto antisonegante e desistir de alguns outros impostos, ou seja, tem uma excelente ideia bem aa mao, ideia que nada tem a oferecer ao povo. Bom, ninguem jamais disse que o governo do Brasil nao eh burro, mas politico nao deveria pelo menos uma vez por decada pensar no povo?

  5. Comentou em 12/12/2007 zanuja castelo branco

    Estou esperando que o tal bispo comece a greve de sede, daí ele não dura 5 dias. Morre e o nordeste fica livre dele. Nós precisamos dessa transposição.
    Pq o bispo não faz greve p acabar com a pedofilia na igreja?

  6. Comentou em 12/12/2007 Odracir Silva

    Mesmo q nao isto nao seja postado ai vai: acho muito engracado esta retorica dos jornalistas simpatizantes do governo. Colocam todo o onus na oposicao, como a oposicao por si soo fosse capaz de legislar as casas. Falta ao caro blogueiro a nocao q a base aliada tem a maioria no senado, falta ao blogueiro discernir q haa uma grande suspeicao q o gov. federal nao cumpre as suas ‘promessas’. Todo este rolo do imposto do cheque ee devido ao governo… o presidente faz ameacas e declara q quem ee contra a prorrogacao do cheque ee um infrator. Os lideres e os ministros tentam cooptar c/ promessas q nao sabem se vao cumprir. Abrem o balcao de negocios sabendo q a credibilidade ee pouca. E falta aos jornalistas simpatizantes do planalto q o grande culpado ee o governo, q agora na base do desespero fica a fazer suposicoes. Nao culpem a oposicao por ser precavida, pois a palavra q vem do planalto perdeu muito o valor nestes ultimos 4 anos

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