Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 646

>>A fragilidade da mídia
>>Rescaldo da tragédia

Por Luciano Martins Costa em 06/11/2007 | comentários

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A imprensa vai à guerra

A imprensa brasileira tanto repetiu o mantra de que existe um estado de pré-guerra na América Latina que acabou acreditando.

Depois de algumas reportagens sobre o programa de rearmamento do governo venezuelano, com as inevitáveis ilações que a personalidade polêmica do presidente Hugo Chávez produz, os jornais e revistas semanais estão vestindo seus uniformes militares.

Agora, o orçamento para o programa de renovação das Forças Armadas do Brasil é anunciado como uma resposta às supostas provocações de Chávez.

Num canto qualquer das reportagens, um ou outro veículo observa que trata-se de antiga reivindicação dos militares brasileiros, cujos equipamentos vêm sendo sucateados há mais de vinte anos – ou seja, os investimentos brasileiros estão muito longe de transformar o País numa potência militar.

No entanto, o tom geral é de mobilização de tropas.

Sarney ganha espaço

Habituado a se equilibrar entre as forças políticas, sem se comprometer definitivamente com nenhuma delas, o senador e ex-presidente José Sarney tem sido o mais destacado entre os arautos da guerra.

Garante seu espaço na mídia, com um discurso sob medida, nacionalista e sem risco de conflito com o governo ou a oposição.

Nenhum outro parlamentar se dispôs a subir à tribuna do Congresso para exigir medidas militares contra a Venezuela.

Mesmo porque, nenhum deles realmente acredita que os Estados Unidos, a maior potência militar do mundo, iriam tolerar uma guerra em sua vizinhança.

O orçamento militar do Brasil é de 33 bilhões de reais por ano, cerca de trinta vezes menos que o dos Estados Unidos.

Para ter uma defesa eficiente, o País precisaria aumentar em pelo menos dez vezes seus gastos, o que seria insensato, diante das outras necessidades.

A guerra do gás

Os jornais fizeram a mesma coisa quando o presidente da Bolívia, Evo Morales, nacionalizou as fontes de energia do país: quase diariamente, o governo brasileiro era chamado de inepto por não reagir com rigor contra a decisão de Morales de denunciar os contratos com a Petrobrás.



Passaram-se os meses, a questão se acomodou, e agora o governo encaminha as negociações para que a Petrobras volte a investir na produção de gás em território boliviano.

Sem tiros, apesar das fanfarronices da imprensa.

A fragilidade da mídia

O ataque de piratas da internet ao site do Observatório da Imprensa, durante o final de semana, é um sinal de advertência para a mídia em geral, que vai progressivamente migrando para os novos meios eletrônicos.

Segundo os jornais de hoje, o Google anuncia que vai produzir programas para a inserção de conteúdos nos aparelhos celulares.

A partir daí, o processo de mudança deve se acelerar, com a possibilidade de todo portador de um telefone ganhar acesso a notícias a qualquer hora, em qualquer lugar.

Nesse cenário, a questão da segurança das informações se torna crucial.

Como reagir diante da ação dos hackers?

Esse é o tema de hoje de Alberto Dines.

Dines


– O terrorismo dos hackers deve ser denunciado ou escondido? A divulgação das façanhas dos vândalos da Internet deve ser mantida sob sigilo para não estimulá-los?  E se um bando de delinqüentes joga uma granada na rotativa de um jornal, põe fogo no depósito de papel ou impede a distribuição dos exemplares impressos – os jornalistas devem resignar-se calados ou protestar indignados? Se a internet está destinada a substituir o jornalismo impresso (como prevêem os profetas) porque razão não se deve reagir aos atentados à liberdade de expressão no mundo virtual com a mesma indignação usada no mundo real? Essa e outras questões vão ser examinadas na edição de hoje à noite no ‘Observatório da Imprensa’. Às 22h40, ao vivo pelas redes TV-Cultura e TV-Educativa.

Luciano:

Renan está de volta

Discretamente, sem avisar nem mesmo os funcionários de seu gabinete, Renan Calheiros reassumiu sua cadeira no Senado.

Sua prioridade é preservar o mandato.

Vai encontrar o governo e a oposição ocupados demais com as negociações sobre o projeto de prorrogação da CPMF. Se sua estratégia der certo, ele vai ficando, vai ficando, vai ficando…



Os jornais também o trataram com discrição. Apenas o Estado de S.Paulo lhe deu um espaço mais destacado, entre o noticiário sobre a CPMF e as especulações sobre mudanças nas regras das eleições presidenciais.

Assim quietinho, Renan começa hoje a conversar com os senadores para ver se melhora suas chances de evitar a cassação.

O relatório do primeiro dos três processos a que ainda terá que responder no Conselho de Ética só sai na semana que vem.

Até lá, Renan vai conversando, vai conversando…

Sem surpresas

Enquanto isso, as negociações entre governo e oposição chegam ao momento decisivo para o destino da CPMF: o parecer da relatora Kátia Abreu deve ser apresentado à Comissão de Constituição e Justiça na sexta-feira.

Depois, entra na pauta do plenário por cinco dias.

Tanto o Executivo quanto a oposição querem que o projeto entre em votação com tudo previamente acertado.

É assim que funciona o Congresso. As cenas no plenário são quase sempre o cumnprimento de um roteiro previamente discutido entre os contendores.

O governo não quer surpresas na votação, para não perder o prazo e ter que lidar com um orçamento reduzido no primeiro trimestre de 2008.

A oposição quer garantir o que já conquistou nas negociações.

O acerto é apenas uma questão de tempo.

Rescaldo da tragédia

Uma menina de onze anos, Laís Gonçalves Coutinho de Melo, salvou o dia da imprensa, no rescaldo da tragédia que matou oito pessoas domingo, na Zona Norte de São Paulo.

Sobrevivente da queda do Learjet sobre a casa da amiga, com quem brincava, Laís foi entrevistada ontem, após deixar o hospital, e revelou uma calma e uma clareza surpreendentes para a circunstância e para alguém da sua idade.

Entrevistada por todos os repórteres que foram ao bairro da Casa Verde acompanhar os trabalhos no local do acidente, Laís descreveu os momentos de horror com frases perfeitas, vocabulário adequado e muita expressão.

Seu rosto ferido está em todos os jornais.

Seu pedido para que a família adote a amiga sobrevivente, que tem deficiência mental, dá um tom mais humano ao noticiário sobre mais uma tragédia brasileira.

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