Segunda-feira, 23 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº983
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Programa nº 746

>>A heroína da imprensa
>>Os ‘arapongas’ da imprensa

Por Luciano Martins Costa em 27/03/2008 | comentários

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A heroína da imprensa

O fenômeno da imprensa irresponsável não é apenas brasileiro, e a chamada imprensa tablóide da Inglaterra se celebrizou por essa característica.

O fato é que a mídia constrói celebridades instantâneas, criando para elas valores e atributos que muitas vezes não possuem.

E depois que passa o efeito dos quinze segundos de fama, persistem aqueles atributos como sendo verdadeiros, mesmo que os fatos os desmintam.

O leitor, a leitora, certamente ainda acha que a brasileira Andréia Schwartz, deportada dos Estados Unidos no final de semana, foi uma das responsáveis pela queda do ex-governador do Estado de Nova York Eliot Spitzer, certo?

Pois uma publicação dessas especializadas em ‘gente’, ou seja, em colunismo de celebridades, acaba de demonstrar que é tudo mentira.

Segundo a revista Glamurama, criada pela jornalista Joyce Pascovitch, que se tornou conhecida com uma coluna na Folha de S.Paulo e um programa de conversas na televisão, a história de Andréia é uma fraude completa.

O jornalista Osmar Freitas Júnior produziu para a revista o que o resto da imprensa deveria ter feito.

Ele simplesmente conferiu as datas da prisão de Andréia e os fatos envolvendo o ex-governador, e observou que a moça já estava presa bem antes de começar a investigação sobre os maus hábitos de Spitzer.

O escândalo estourou no começo deste ano, e Andréia já havia feito o acordo para ter a pena reduzida e ser deportada para o Brasil em 28 de janeiro de 2006, ou seja, antes de Spitzer ser eleito.

Além de checar as datas, Osmar Freitas foi ouvir as autoridades. Entrevistou um detetive de Manhattan que participou das investigações e o promotor público que conduziu o caso do governador.

Ficou sabendo que não apenas Andréia nunca havia trocado emails com o governador, como ouviu que, se ela tivesse alguma relação com o escândalo, não teria sido deportada, pois o processo contra Spitzer prossegue e seu testemunho seria importante.

A história de que teria sido a informante da Promotoria de Nova York foi plantada por um amigo dela no tablóide The New York Post, conhecido por publicar qualquer coisa que faça vender jornal.

A imprensa brasileira, em peso, comprou a mentira e criou a celebridade.

Ela teve desembarque de heroína e, segundo a imprensa, já assinou contrato com aquela edificante revista da Editora Abril para posar nua.

Certamente, será apresentada como ‘a brasileira que derrubou o governador de Nova York’.

O leitor e ouvinte pode estar questionando: por que estamos perdendo nosso tempo com essa bobagem?

Será que não existem outros assuntos importantes na imprensa?

De fato, o caso em questão não tem muita relevância.

Afinal, trata-se apenas de uma aventureira usando a mídia para aquecer seus negócios.

O problema é observar que, assim como compra uma ficção tão mal ajambrada, a imprensa pode agasalhar histórias capazes de destruir a reputação de pessoas honestas, produzir pânico sem motivos reais, como aconteceu no caso da febre amarela, no ano passado, ou afetar a eficácia de políticas públicas. 

Assim como os recursos da manipulação de fotografias permitem às revistas eróticas transformar qualquer coisa em diva, o jornalismo preguiçoso é capaz de criar mitos e perpetuar mentiras.

Os ‘arapongas’ da imprensa

Trata-se de um novo gênero jornalístico, que produz muito barulho mas nem sempre informa corretamente.

A mania dos dossiês baseados na bisbilhotice é o tema do comentário de hoje de Alberto Dines:

– O jornalismo baseado apenas em ‘vazamentos’, sem investigações, pode produzir manchetes, escândalos, mas é jornalismo de má qualidade. Não informa, confunde. Logo, não serve ao leitor. O tal dossiê publicado por Veja sobre supostos gastos do presidente FHC e sua família com cartões corporativos é um clássico do ‘jornalismo de vazamentos’, onde ninguém está interessado em revelar a verdade, todos querem apenas fazer barulho. O Planalto diz que o documento é rigorosamente falso, mas para comprovar a veracidade do que publicou, o semanário da Abril teria que revelar a fonte que vazou aquelas informações sigilosas. Claro que jamais o fará, pois a confidencialidade das fontes é garantida por lei. Acontece que a revista apresentou o seu dossiê como uma tentativa do governo em intimidar a oposição até então animadíssima com as revelações sobre os gastos com os cartões corporativos. Agora, depois da Veja, a oposição reagiu e está querendo que se publiquem os gastos pessoais do Presidente Lula e de sua família. Pergunta-se: a intenção dos vazadores do documento não seria justamente essa – encostar o atual governo contra a parede e mantê-lo na defensiva no início da temporada eleitoral? Uma coisa é certa, a imprensa não pode entrar no jogo pesado dos vazamentos. Quem abre estas torneiras são sempre os arapongas e os arapongas, por profissão, nunca revelam de que lado estão.

Todos os comentários

  1. Comentou em 28/03/2008 Francisco José Ferreira

    Infelizmente ainda existem fatos como esse, que só emprobece o jornalismo no Brasil, lembro os PASQUINS: periódicos irônicos, os pasquins, tiveram seu auge entre 1830 e 1850. Folhetos como O Homem de Cor e O Crioulinho, eram jornais de baixo conteúdo cultural que falavam inclusive da vida pessoal de seus ‘opositores’, um jornalismo pobre e tendencioso.

  2. Comentou em 28/03/2008 Luis Antonio Aragão

    O Brasil sempre teve uma [ ] de plantão.As messalinas na velha Grécia tinham relevância na sociedade.Observe que todas que se prostituem na mídia (revista,tv,jornal) são recebidas com louvor,chegando a ter importância grega.Ferindo o artigo 221 da côlcha de retalhos que é a constituição,elas tornam-se até apresentadoras de televisão,disseminando a pornografia e recebendo menção honrosa pela audiência conquistada.O interessante da fôrça avassalladora da mídia liberal,é que ela agrega valores familiares à prostituição,tornando-a inerente nas camadas mais inferiores e até em outros nivéis

  3. Comentou em 28/03/2008 Marco Antônio Leite

    Nem todo analfabeto não sabe entender o que se passa nas entranhas da imprensa festiva nacional. Nem todo culto entende o que de fato a imprensa esta ou não escrevendo, se esta escrevendo verdade ou sofismando para a platéia inerte com as lambanças deste ou daquele escriba e dos grandes veículos de comunicação de massas (não confunda veículo com automóvel, nem massas com pão ou pizza). No frigir dos ovos todos são enganados pelo sistema de venda de sofisma capitalista entenda ou não entenda!

  4. Comentou em 28/03/2008 Sérgio Troncoso

    ‘Gostei’ da reportagem da Folha sôbre o novo factóide.’Autoridades do ministério estariam preocupadas’,’o braço direito da Dilma teria confirmado’,e outros estaria,teria e haveria.Mas também vi a resposta da ministra ao repórter da Globo News,você pode até achar que é mentira,direito seu,mas que ela é límpida e clara,isso é.Só que eu acho que a Folha e a Veja não vão dar uma linha.Fazer o que?

  5. Comentou em 28/03/2008 Marco Antônio Leite

    Quem gosta de heroína são aqueles usuários de drogas, mas parece que a imprensa também se lambuza no mesmo fel. Lá como cá a imprensa em geral gosta de criar ídolos de barros, bastou à imprensa de lá sofismar sobre a conduta da cafetina brasileira sobre a derrubada do pino maior do boliche para alvoroçar sobre a carniça que até urubu rejeita para fazer um carnaval danado, com direito à rainha de bateria. A artista do momento para não perder o foco das luzes e lentes desandou a dar entrevistas chegando ao ponto de agradecer o apoio do povo brasileiro pela exemplar conduta da rainha da casinha da luz vermelha. Quanta idiotice dessa imprensa caolha e manca de criatividade.

  6. Comentou em 28/03/2008 Marco Antônio Leite

    Quem gosta de heroína são aqueles que usam drogas? Certo ou Errado? Em se tratando de droga os meios de comunicação é useiro e vezeiro em abusar de escândalos nebulosos para faturar alto, bem como proporcionar o famoso 15 minutos de fama, seja mal ou bem, mas fale do ‘artista’ do momento. A tal celebridade instantânea chegou ao país como estrela maior da constelação da cafetinagem internacional, muitos emissoras de rádio, televisão e repórteres de jornais de papel deram a maior abertura para a figura em questão, a qual teve o desplante de agradecer ao povo brasileiro pelo apoio que lhe foi dado.

  7. Comentou em 28/03/2008 Lucas Artur

    Pobre daquele semi-analfabeto que acreta em tudo que a imprensa solta por ai. Tava muito na cara que essa moça iria dar um jeito de
    se manter na mídia brasileira. E acho que ela não plantou noticia só no jornal Americano, aqui também aconteceu isso.
    A revista Veja, ja não tem mais credibildade no meio das pessoas mais esclarecidas. Que tem muito mais mistérios a serem descobertos sobre estes cartões, isso não se pode negar, se a revista apurasse com mais seriedade com certeza não ficaria só com informações, sedidas por um araponga, insatisfeito com alguém que lhe prometeu um cargo e não cumpriu. Se isso fosse realmente uma prova irrefutável os oposicionistas não tariam tão desesperados.

  8. Comentou em 28/03/2008 Carlos Esteves

    Quero ver é este observatório abordar com seriedade didática como se deu a fabricação de uma falsa crise envolvendo a ministra Dilma. O motivo? Dilma é séria candidata à sucessão de Lula. Agora, usemos apenas dois de nossos bilhões de neurônios para nos perguntarmos: será que depois de tudo que aquela publicação da abril já andou aprontando contra Lula, algum ‘aloprado’ seria insano o suficiente para procurar exatamente aquela revista e ainda por cima para publicar algo justamente contra os queridinhos da casa, FHC e Ruth? Como é tosca nossa imprensa, não?

  9. Comentou em 28/03/2008 Bernardo Soares

    Quero ver o que esse observatório vai falar sobre Mãe Dilma – a heroína do PAC, depois do escândalo – agora comprovado – do Dossiê. Mais um para a extensa lista…

  10. Comentou em 28/03/2008 Graziela Lavezo

    Salve, salve os observadores da imprensa. Há dias penso nessa questão da cafetina que derrubou o governador. ‘Como é que a imprensa pode dar tanta importância a essa mulher?’, ficava me perguntando toda vez que abria os jornais. E uma outra pergunta que também estava, e ainda está, me incomadando: porque será que brasileiros sempre detonam notícias ruins, não importa sobre o quê? É tara de americano ou é apenas resultado de uma exportação da cultura da malandragem e do sexo fácil?

    Enfim, o que importa é que não sou o único ser brasileiro intrigado com essa perfídia da mídia em catapultar para o estrelato figuras que não possuem importância relevante para o país. Acredito que o problema não está na pilantragem de plantar informações falsas, como é o caso de Andrea, mas sim da mídia cair de boca em cima de tal sensacionalismo, sem exercer o princípio básico do jornalismo: a apuração e checagem da veracidade de uma informação.

  11. Comentou em 27/03/2008 Luciano Baía Meneghite

    O que a Veja faz não pode ser chamado de jornalismo. É lixo, esgoto, podridão! Luiz Nassif que o diga!

  12. Comentou em 27/03/2008 José Orair Silva

    Verdade ou mentira não importa. Uma outra garota, ex-namorada do presidente do Senado, também protagonizou um belo escândalo midiático e se deu muita bem. Posou na Playboy, escreveu um livro e foi recentemente convidada para apresentar um programa na TV Alterosa de Belo Horizonte. A jovem Andréia, se não fizer muita questão de praia, poderá seguir a mesma trajetória e, sem dúvida, merecerá acolhida nos meios de comunicação de Minas Gerais que andam sedentos por personagens midiáticos…Essa forma de ingresso nos meios de comunicação tem sido um grande incentivo para milhares de jovens de ambos os sexos que, confiantes e idealistas, ainda acreditam no estudo sério…

  13. Comentou em 27/03/2008 Ney José Pereira Pereira

    Alberto Dines, o observador da imprensa, por profissão não é araponga. Aliás, araponga faz muito barulho. Coruja é mais observadora e silenciosa. Mas ao que inferi, o observador da imprensa não admite em hipótese alguma que os gastos pessoais do presidente Lula e de sua família sejam publicados. Por quê?.

  14. Comentou em 27/03/2008 Jose de Almeida Bispo

    ‘(…)como aconteceu no caso da febre amarela, no ano passado, (…)’ e começa acontecer com a Dengue. Mais real, porém, já superdimensionada. Aguardem a correria e o festival de acusações que já permeiam quando ninguém discute os verdadeiros motivos do descontrole que é descentralização radical e irresponsável do controle de endemias. (O signatário também é funcionário do MS (ex Fundação SESP/MS desde 1982).

  15. Comentou em 27/03/2008 Erick Schunig

    Sobre a questão envolvendo a ‘heroína da imprensa’, concordo plenamente com o autor. Os 15 minutos de fama dessa senhora ainda estão rendendo. A ‘profissional do amor’ deu um drible nos coleguinhas durante a sua chegada em Vitória – contou com a ajuda da Infraero – e mandou dizer por telefone que só daria entrevista mediante pagamento. Mesmo esnobando tudo e a todos, alguns veículos de comunicação no ES ainda insistem em dar atenção a essa senhora. Desde supostas propostas para posar nua até a mudança da cor de cabelo. Lamentável.

  16. Comentou em 27/03/2008 Odracir Silva

    Nao sou jornalista, mas olha o q eu acho… FATO: o planalto nao disse q o documento ee falso. Razoes para o fato: investigacao de quem vazou a informacao. Segundo a Dilma os dados somente poderiam ser acessados no palacio do planalto. Dilma chama a Dona Ruth pedindo desculpas pelo vazamento. OPINIAO: Ee realmente lamentavel este negocio de dossies, e somente c/ transparencia ee q se resolve tudo isso. OBSERVACAO: ee pitoresco ver os fatos atropelar as opinioes dos jornalistas, neste caso o do caro Dines.

  17. Comentou em 27/03/2008 Gersier Lima

    Não sei se vcs viram ontem a Bandeirantes afirmando que fundos de pensão de estatais brasileiras financiaram campanhas do PT anos atrás. Estão mais uma vez querendo criar outra falsa crise, outro factóide. A pergunta é: a denuncia depois de vários anos se for verdadeira é para alavancar a candidatura do Kassab que anda mal das pernas? O que se nota é que a reportagem teve a clara intenção de prejudicar o PT. Tanto é verdade que a Bandeirantes, como reza a cartilha do jornalismo sério, deveria ter ouvido alguém do partido, seja para contestar ou confirmar ou esclarecer essas denuncias, mas o que ela fez? Não teve nem a hombridade de dizer que procurou algum representante do PT, claro, essa não era a sua intenção. É assim que agem os que dizem ser jornalistas. Dão crédito a primeira fonte que aparece nem, que depois quebrem a cara.É por essas e outras que o brasileiro esclarecido e mais politizado, cada vez mais acredita menos no que divulgam, principalmente se for denuncia.

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