Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 1473

>>A História nas ruas do Cairo
>>Comendo mosca

Por Luciano Martins Costa em 31/01/2011 | comentários

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A História nas ruas do Cairo
A capa promocional em inglês apresentada pelo Estado de S.Paulo nesta segunda-feira, oferta de uma escola infantil bilíngue, levanta algumas questões sobre a eficiência desse tipo de publicidade, que vem se tornando corriqueira na imprensa nacional.

Uma delas: que sensação têm os leitores que não falam inglês, ao serem chamados de ignorantes ao ponto de terem que pedir a ajuda de uma criança para entender o que está escrito em seu jornal?

Outra questão é: com tão pouco tempo para dedicar à leitura, por que colocar mais um obstáculo entre o leitor e a informação?
 
No caso do anúncio desta segunda-feira no Estadão, a publicidade com notícias em inglês leva a reflexões sobre como a imprensa nacional enxerga certos eventos internacionais.
Neste episódio, o que se pode observar é o esforço para colocar a revolta no Egito no contexto das análises abrigadas tradicionalmente pela imprensa.

Diante do fato, até aqui incontestado, de que a população egípcia resolveu sair espontaneamente às ruas, sem lideranças formais, movida apenas pelo desejo de mudança, é o caso de se questionar, por exemplo, onde foi parar a teoria do fim da História, tão celebrizada pela imprensa no fim do século passado.
 
A despeito da grande quantidade de informações despejada na internet por agências internacionais de notícias – ou talvez por isso mesmo – a leitura dos jornais no final de semana remetia à idéia de um mosaico.

A falta de um agrupamento político formalmente postado na liderança da revolta dificulta para os editores e analistas convidados a definição do acontecimento histórico.

Afinal, o que está acontecendo no Egito? É a revolução do Twitter?

Não há aiatolás à frente das multidões que se aglomeram no Cairo e em outras cidades importantes, e os jornalistas ainda não entenderam como cobrir um movimento social sem líderes aparentes.

O que vemos nos jornais, com raras exceções, são especulações e a reprodução de imagens que se multiplicam na internet.

É a História, sempre movida pela ideologia, insistindo em acontecer à revelia de seus coveiros.
 
Comendo mosca

Alberto Dines:

– A mídia ainda não conseguiu ajustar-se ao estilo de Dilma Rousseff, que amanhã completa o primeiro mês do seu mandato. Na verdade, a mídia não conseguiu desencarnar do estilo, rotinas e parâmetros estabelecidos pelo antecessor. Com Lula na presidência era fácil fazer jornalismo, ou pelo menos o tipo de jornalismo mais tosco, declaratório: bastava acompanhar os seus pronunciamentos quase diários, ouvir os descontentes e dali saía obrigatoriamente a manchete do dia seguinte.

Dilma Rousseff enfrentou o maior desastre já ocorrido no país enquanto administrava o habitual assalto do PMDB a cargos e verbas em troca de apoio e nos intervalos entre os paroxismos está oferecendo indícios de um tipo de atuação em clave baixa, com simbologias sutis, porém nítidas, que uma mídia destreinada ainda não está sabendo identificar. Nem analisar. O adiamento da escolha dos caças da FAB não foi uma evasiva, foi uma decisão clara diante das pressões das centrais sindicais por um aumento do mínimo acima do previsto no orçamento.

Para ela, o equilíbrio fiscal é prioritário, a gastança precisa ser contida, porque a alternativa é uma inflação desembestada. Para acalmar os militares escolhe a Argentina como destino da primeira viagem ao exterior para acertar uma parceria na área nuclear. Na terceira saída de Brasília (depois da visita à região serrana do Rio devastada pelas chuvas e da homenagem a São Paulo no dia da sua fundação), a presidente foi a Porto Alegre para participar de uma discreta cerimônia para lembrar as vítimas do Holocausto: acendeu velas e fez um pequeno discurso contra ditaduras e em favor dos direitos humanos.

A grande mídia comeu mosca, mal registrou o evento, mas a mídia internacional soube perceber a mensagem subliminar embutida no gesto – um tranco no tiranete iraniano Ahmadinejad, campeão mundial em negar o Holocausto. Os porteiros das redações e os formadores de opinião carecem de uma reciclagem urgente. Se ficarem a espera de grandes proclamações no velho estilo Lula vão morrer de tédio. 

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