Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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>>A imprensa, de ressaca
>>Fingindo de morto

Por Luciano Martins Costa em 27/02/2009 | comentários

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A imprensa, de ressaca

Talvez seja uma sensação tipicamente brasileira, essa de que todo ano tem dois começos: o 1o. de janeiro e o primeiro dia útil após o carnaval.

E nesta quinta-feira pós carnavalesca, os jornais parecem estar iniciando novamente o ano de 2009, sem sinais de que as redações tenham imposto a si mesmas aquelas resoluções típicas de réveillon: as edições do dia parecem jornais velhos sobre a mesa.

Até mesmo o anúncio do orçamento americano para o primeiro ano do governo recém inaugurado de Barack Obama cai no cenário déjà-vu do período pré carnavalesco.

O leitor fica sabendo que Obama prevê um déficit de quase 2 trilhões de dólares, mas os jornais não lhe explicam o que isso tem a ver com a sua vida.

A única diferença de abordagem é a da Folha de S.Paulo, destacando desde a manchete que o orçamento do novo governo dá prioridade à questão social.

Os outros jornais destacam a continuação do esforço de guerra no Afeganistão e as medidas financeiras.

As grandes multinacionais anunciam novos balanços negativos, e o leitor já sabe que nos próximos dias virão outros balanços igualmente negativos, à espera da contabilidade final da crise.

No Brasil, parece que o carnaval varreu junto com os confetes e serpentinas toda aquela indignação com as imoralidades do Congresso.

O PMDB, colocado sob os holofotes por uma entrevista do senador Jarbas Vasconcelos à revista Veja, perdeu a briga pelo controle do bilionário fundo de pensão dos funcionários da empresa Furnas.

Mas não há sinais de que tenha arrefecido sua sede por boas e lucrativas posições junto ao poder público, razão de ser de sua existência, segundo Vasconcelos.

Parece que, em vez de aproveitar o recesso oficial para aprofundar investigações e reflexões sobre a corrupção, ou estudar o cenário econômico para oferecer ao leitor uma visão mais ampla da crise, os jornalistas caíram na folia.

O retorno dos factóides, a manifesta dependência de fontes interessadas e interesseiras para obter informações e a falta de continuidade nas coberturas de fôlego dão a impressão de que a imprensa cansou.

Ou está de ressaca.

Fingindo de morto

Talvez não haja precedente no caso do senador José Sarney, “homenageado” com um perfil arrasador na edição passada da revista britânica Economist.

A escolha de Sarney para a presidência do Senado, segundo a revista, representa uma vitória do semifeudalismo.

A resposta de Sarney, publicada na edição desta semana da revista, é tíbia.

Ele não demonstra ter ficado indignado com as críticas.

E a imprensa nacional também faz de conta que não leu os trechos mais graves do impiedoso retrato que faz do presidente do Congresso brasileiro a publicação britânica.

Alberto Dines:

– A edição da Economist que está nas bancas brasileiras traz a resposta do senador José Sarney às contundentes críticas que recebeu na edição anterior.

O ex-presidente brasileiro foi chamado de dinossauro da política, dono de feudo eleitoral, responsável pela calamitosa situação do Maranhão e da sua capital, São Luiz e respondeu de forma tíbia, convencional, tentando igualar-se às grandes figuras da política inglesa como Churchill, Lloyd George e Disraeli.

Nenhuma palavra ou tentativa de explicação sobre uma das mais graves acusações da Economist: a de aproveitar-se do seu poder como parlamentar para obter concessões de radiodifusão e assim tornar-se um dos mais poderosos coronéis eletrônicos do país.

Sarney preferiu passar ao largo das evidências. Mesmo porque a repercussão das críticas da Economist na imprensa brasileira deixou de lado a questão das concessões ilegítimas.

É claro: nossa mídia não discute os problemas da mídia, apenas suas modas. E Sarney sabe disso.

O senador Jarbas Vasconcelos também sabe, por isso não mencionou a promíscua distribuição de concessões aos congressistas na arrasadora entrevista à Veja. Se tocasse no assunto-tabu, suas denúncias seriam esquecidas um dia depois.

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