Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 748

>>A imprensa descobre o partido do crime
>>Jornalismo de dossiês

Por Luciano Martins Costa em 31/03/2008 | comentários

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A imprensa descobre o partido do crime

O Globo e o Estado de S.Paulo abrem a semana com grandes contribuições para o entendimento de dois fenômenos presentes no noticiário, mas nem sempre relacionados entre si pela imprensa: o crime e a política.

O Globo apresentou no domingo, e reforça na edição de hoje, o resultado de um trabalho sobre o funcionamento do Estado paralelo que se instalou em bairros pobres do Rio de Janeiro.

O Estadão fez uma radiografia do PCC, o grupo criminoso com raízes na corrupção policial em São Paulo, que se prepara para consolidar seu poder político e institucional.

A reportagem do Globo, publicada no final de semana e com uma continuidade na edição de hoje, testemunha os processos de julgamento e sentenciamento de moradores das favelas que atrapalham os negócios dos traficantes, ou que simplesmente desobedecem o bizarro código social que os criminosos impõem às populações abandonadas pelo poder público.

As cenas descritas pelo jornal carioca deveriam provocar uma intervenção imediata do Estado naquelas comunidades, para livrá-las da tirania do crime.

A reportagem do Estadão, publicação também iniciada no final de semana, começa destrinchando a contabilidade da organização chamada PCC – Primeiro Comando da Capital, revelando que o negócio do crime cresceu 511% em dois anos.

Mostra também que a facção que dominou os presídios paulistas durante o governo Geraldo Alckmin tem conexões internacionais e faz parte de uma aliança para o tráfico de cocaína que pode envolver até mesmo as Farc – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Na edição de hoje, o Estadão revela que o PCC tem planos adiantados para influenciar na política, por meio de doações a tesoureiros de partidos e apoio a certos candidatos.

Recentemente, neste Observatório da Imprensa, foi feita a afirmação de que os jornais deveriam atentar para os sinais de que o crime organizado estaria atuando em municípios importantes no sentido de influenciar as eleições deste ano.

A citação foi feita a partir da observação de conexões no noticiário sobre ações do crime organizado e a estrutura dos casos de corrupção descobertos pela Polícia Federal em centenas de prefeituras.

Noticiou–se, há pouco tempo, por exemplo, que em 70% dos municípios paulistas há suspeitas de irregularidades envolvendo prefeitos e vereadores.

Como um fenômeno desse tipo não ocorre espontaneamente, trata-se claramente de uma ação organizada, que só pode ser levada adiante com uma estrutura como a que caracteríza o PCC.

O Estadão afirma hoje que a organização criminosa usa como modelo a estrutura do Ira – Exército Republicano Irlandês, que migrou do terrorismo para a representação política.

O trabalho do Globo e do Estado mostra como a imprensa, quando quer, pode fazer jornalismo de verdade, e ajudar a sociedade a se prevenir de riscos como esse.

Agora, trata-se de dar seguimento às investigações, ajudando o leitor a observar que candidaturas podem estar nascendo com a mão do crime.

Jornalismo de dossiês

A publicação de dados parciais vazados de aquivos públicos não ajuda o leitor a entender o caso dos gastos com cartões corporativos e contas especiais do governo.

O jornalismo dos dossiês e vazamentos é um retrocesso nas relações entre a imprensa e o poder.

Alberto Dines:

– Seja dossiê ou banco de dados, qualquer nome que se dê ao conjunto de documentos vazados da Casa Civil para a revista Veja sobre cartões corporativos no período FHC, a esta altura o que importa é saber como um material necessariamente sigiloso foi parar nas mãos de uma revista oposicionista. É evidente que os jornalistas beneficiados pelo vazamento jamais revelarão a fonte. Mas os vazadores, estes têm a obrigação de acabar com este contrabando que está convertendo Brasília na capital da contravenção jornalística.

Depois da façanha dos ‘aloprados’ em 2006, flagrados ao tentar vazar o forjado Dossiê Vedoin, imaginava-se que o procedimento seria abandonado. É obsoleto, não funciona, equivale a um tiro no pé.

Vazamento só prejudica o vazador porque a primeira reação que provoca é saber a quem beneficia a divulgação. Por isso não ‘colou’ a desculpa inicial da ministra Dilma Roussef ao alegar que o dossiê — ou banco de dados — era forjado.

As suspeitas eram tantas que a Casa Civil preferiu seguir outra linha de argumentação e optou pelo eufemismo, o dossiê não era dossiê, era uma base de dados. O jornalismo de vazamentos, sem investigação, é mau jornalismo. Cultivar este mau jornalismo prejudica a todos – prejudica as autoridades, a oposição e, sobretudo, prejudica os jornalistas.

Todos os comentários

  1. Comentou em 31/03/2008 Odracir Silva

    Cume ee q ee quemossabi? ‘O Estadão fez uma radiografia do PCC, o grupo criminoso com raízes na corrupção policial em São Paulo, que se prepara para consolidar seu poder político e institucional.’. Aonde (q o PCC vem da corrupcao policial em SP) nos artigos do Estadao estaa isso? Isto veio dos artigos do estadao ou ee uma opiniao do blogueiro? Alias, ee uma acusacao muito seria.

  2. Comentou em 31/03/2008 Odracir Silva

    Agora jaa se ve uma mudanca de rota, p/ melhor na questao do dossie. Sim, este negocio de dossies ee terrivel para a midia. Isto vem do ACMs, Zee Dirceus e seus aloprados. Um basta a isso, a palavra ee transparencia. A jogada do gov. foi lamentavel, soo coloca a instituicao do Estado (mais) na lama. E tem gente do OI pensando q isto ee uma tempestade num copo d´agua. Soo pq o presidente estaa c/ popularidade alta? lembrem-se do Medici… q coisa.

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