Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
Menu

Programa nº 749

>>A imprensa e a natureza dos bancos
>>O Brasil desconhecido

Por Luciano Martins Costa em 01/04/2008 | comentários

Ouça aqui

Download

A imprensa e a natureza dos bancos

Os jornais de hoje destacam duas notícias sobre o setor financeiro que, embora pareçam distantes, são peças complementares para quem ainda tem a pretensão de enxergar alguma racionalidade no noticiário econômico.

A primeira notícia, destaque em toda a imprensa mundial, dá conta de que o governo dos Estados Unidos anunciou a maior reforma já feita no mercado americano desde a Grande Depressão, iniciada em 1929.

E a peça principal da mudança é o estabelecimento de controles mais rigorosos do banco central americano, o Federal Reserve, sobre bancos de investimento, seguradoras e outras instituições privadas.

A medida inclui a criação de uma ‘polícia financeira’, que deverá ter poderes para inibir a liberdade de ação dos bancos e intervir em operações que representem risco de agravamento da crise.

A outra notícia se refere ao mercado brasileiro.

Por aqui, os bancos reagiram à exigência de divulgar os preços de suas tarifas da maneira mais natural possível: primeiro aumentaram as tarifas, e depois publicaram a lista.

Em pelo menos um caso, o aumento chegou a 150%.

O Procon e o Instituto de Defesa do Consumidor, citados por todos os jornais, consideram que houve um jogo combinado, ou seja, os bancos estariam atuando como um cartel ao alinhar os preços ao mesmo tempo, sem outra justificativa além da nova exigência de transparência criada pelo governo.

A característica principal do cartel é que ele substitui a concorrência dos agentes do mercado entre si pela concorrência entre eles e o consumidor.

É um jogo em que não se sabe quem ganha mais.

Sabe-se apenas quem perde.

Para o leitor habitual de jornais, pode parecer estranho que a imprensa tenha recebido com muita naturalidade a informação de que, no coração do sistema de livre mercado, o Estado seja convocado a aumentar sua intervenção para resolver uma crise do mercado.

Talvez algumas pessoas também estejam sentindo falta da gritaria de certos articulistas que vivem apregoando o fim do Estado e exigindo a plena liberdade para o capital financeiro como condição para o desenvolvimento.

Em 1995, quando o governo brasileiro decidiu intervir para estimular o mercado, criando o Proer, esses analistas aplaudiram.

Há cerca de duas semanas, quando o Federal Reserve adotou medidas para evitar o agravamento da crise, injetando dinheiro nas instituições financeiras dos Estados Unidos, muitos desses especialistas compararam a medida ao nascimento do Proer brasileiro.

Houve até certo ufanismo, do tipo: ‘receita brasileira salva bancos americanos’.

Agora que o governo dos Estados Unidos decidiu que cabe ao Estado policiar o mercado, o silêncio dos radicais privatistas chega a ser ensurdecedor.

O Brasil desconhecido

O Globo tem sido o jornal brasileiro com maior capacidade de penetrar nas comunidades pobres dominadas pelo crime organizado e tiranizadas por milícias de policiais corruptos.

Até mesmo pela proximidade com as favelas nos morros cariocas, o jornal tem surpreendido seus leitores com reportagens que revelam parte da realidade nessas comunidades.

Mas quem de fato conhece esse Brasil que o Brasil abandonou?

Quando a imprensa fala dos favelados, seja para noticiar os crimes de que são vítimas ou protagonistas, seja para enaltecer sua ginga e sua capacidade de sempre renovar o carnaval, estea falando de quem afinal?

Ouça o comentário de Alberto Dines:

– O que pensam os favelados? Será que a mídia consegue interpretar as opiniões e sentimentos daqueles que vivem na terra-de-ninguém entre o Estado o crime organizado?

A Central Única das Favelas encomendou uma pesquisa inédita em 101 comunidades carentes do Rio de Janeiro e o ‘Observatório da Imprensa’ vai discutir hoje à noite as suas conclusões.

São surpreendentes.

Às 22:40 ao vivo na TV-Cultura e TV-Brasil.

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/04/2008 Ivan Moraes

    ‘o governo dos Estados Unidos decidiu que cabe ao Estado policiar o mercado’: pelo contrario, o Estado agora esta nas maos do Banco Central dos EUA, o FED, e aberto aa chantagem DIRETA, portanto vai ser um desastre. A fome brasileira, as muitas fomes brasileiras dos anos 80 e 90, as muitas guerras do Oriente Medio, a privatizacao da tecnologia de ponta pelo bem de pouquissimos, os muitos roubos de populacoes inteiras de todos os seus direitos para que pouquissimos exportem todo valor e todo dinheiro de paises inteiros… vai tudo se globalizar. Era isso que os bancos queriam. Sejamos bondosos e esperemos mais 10 minutos pra proxima guerra causada pelo bem da financa internacional comecar…

  2. Comentou em 02/04/2008 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Você está sendo otimista. As reformas dos gringos são paliativas. O Estado só vai recuperar seu poder sobre os Bancos quando os mesmos forem proibidos de dar dinheiros aos partidos e aos políticos e quando os políticos perderem seus cargos e liberdade por terem recebido favores ou dinheiros dos banqueiros (inclusive de Bicho, de Drogas, etc…). Até que isto ocorra, não acredito no sucesso das reformas dos gringos. Quando às nossas reformas… forget! As grandes novidades do 1º mundo chegam aqui envelhecidas ou nunca chegam (como a destruição do feudalismo, por exemplo). Infelizmente não leio O Globo. Mas se você está dizendo que o jornal consegue penetrar no Brasil que o Brasil esqueceu confio em seu julgamento. E pergunto: quando a Folha e o Estado penetrarão no São Paulo que os Prefeitos e o Governadores têm esquecido? Ah… esse compromisso dos jornais com os políticos e suas ambições futuras é uma arma de destruição em massa das notícias, não acha?

  3. Comentou em 02/04/2008 Jorge Sá de Miranda Netto

    Espero que o Observatório divulgue essa pesquisa. Quanto a seus resultados e conclusões, os governos vão ignorar.
    A grande mídia dá ampla divulgação aos crescente índices de popularidade do presidente da Silva. Mas (salvo alguns raríssimos colunistas) não analisa em profundidade por que os que acham o sr. da Silva um grande presidente também desaprovam a segurança pública, a educação e a saúde, que têm tudo a ver com o governo federal, claro também os estaduais e municipais

  4. Comentou em 01/04/2008 Fabio Passos

    É… tá caindo a ficha. O mercado financeiro é quem governa, de fato, o Brasil. E a mídia é o sustentáculo de seu poder. E esta mídia também quer mesmo é que os favelados, seus interesses, sentimentos e sonhos… se lasquem. A África do Sul já superou os afrikaaners… o Brasil não!

Programas Anteriores

1 2 3 4 5 última

1 de 2625 programas exibidos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem