Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 718

>>A imprensa numa fria
>>A violência e o ufanismo

Por Luciano Martins Costa em 18/02/2008 | comentários

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A imprensa numa fria

A imprensa brasileira embarcou alegremente na excursão do presidente da República à Antártida.

Os primeiros relatos são aquele mesmo festival de declarações que nada dizem, como é do estilo e gosto do presidente.

A impressão que se passa ao leitor é de que o contato entre Lula e os jornalistas é feito de longe, aos gritos, na imensidão da geleira.

Parece que os repórteres simplesmente anotam as declarações do presidente, que soam para o público como frases desconexas.

Se de fato os jornalistas não têm a oportunidade de questionar o presidente sobre os temas que mais interessam aos cidadãos, é de se perguntar que diabos estão fazendo naquele lugar gelado.

Se foi para fazer jornalismo, o resultado deixa muito a desejar.

Se foi para fazer turismo, os cadernos especializados têm apresentado coisa muito melhor.

Se de fato estivessem preocupados em aproveitar todo contato com o chefe do Executivo para manter a população informada sobre estratégias de governo e oferecer respostas para questionamentos que intrigam o cidadão, os jornais deveriam exigir, como condição para aceitar o convite, que os assessores de Lula garantissem pelo menos uma ou duas entrevistas formais durante a viagem.

Poderiam ameaçar com um boicote caso o presidente insistisse nessa relação de mão única: ele fala, os jornalistas anotam e publicam.

Declarações unilaterais do principal mandatário da Nação não oferecem resposta para os problemas que se acumulam em função do estilo Lulista de governar.

Até mesmo seu aliado José Sarney, cuja biografia não oferece exatamente uma plataforma de boa reputação, ganha espaço na imprensa para criticar a omissão do presidente diante da necessidade da reforma política.

E os jornalistas que passeiam na Antártida não têm a oportunidade ou, se têm, não a aproveitam, para questionar o chefe do Executivo.

Para fazer o que fazem um gravador digital e um bom programa de reconhecimento de voz, melhor ficar no Brasil, que é mais quentinho.

A violência e o ufanismo

Na vida real, a Polícia Militar do Rio continua a enfrentar o governo, na seqüência de uma crise que revela, em seus bastidores, o envolvimento de oficiais com o crime organizado.

Em São Paulo, os jornais revelam o que todo mundo sabe: que num importante batalhão da cidade, a ação policial se transformou em esquadrão da morte, que já vitimou até mesmo um comandante da PM.

Enquando isso, a imprensa vibra com a vitória de um filme que revela exatamente isso: o apodrecimento de instituições policiais e certo conformismo com a incapacidade do Estado de colocar um limite aceitável no poder das organizações criminosas.

Ouça o comentário de Alberto Dines:

– Os jornais de ontem vibraram com a premiação de Tropa de Elite no Festival de Berlim. Mas preferiram esquecer a má-vontade dos críticos e jornalistas quando o filme foi apresentado em Setembro passado. ‘Filme fascista’ declarou na ocasião um cronista carioca, ‘elogio da tortura’ pontificou em seguida um comentarista paulista. Bobagem, patrulha ideológica clássica. O grande cineasta Costa-Gavras que presidiu o júri, expoente de um cinema político e humanista, jamais poderia premiar um filme fascista ou mesmo autoritário. A grande verdade é que a mídia brasileira não sabe discutir nem debater, prefere condenar ou exaltar. Tropa de Elite é principalmente uma denúncia contra a corrupção policial, a mesma corrupção que está nas páginas dos jornais hoje,  tanto no Rio como em S. Paulo. Pode-se discordar de enfoques ou passagens, mas é impossível negar sua validade como denúncia. Denuncia cabal, contra todos, inclusive contra os intelectuais e estudantes da classe média pesados consumidores de drogas.

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