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ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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>>Distorções e manipulação

Por Luciano Martins Costa em 18/11/2009 | comentários

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A imprensa se equivocou

Durou pouco a interpretação pessimista da imprensa sobre a decisão dos Estados Unidos e da China de adiar para 2010 a definição de metas para um acordo internacional sobre mudanças climáticas.

Os jornais de hoje, em todo o mundo e no Brasil, informam que os dois países estão oficialmente defendendo um compromisso claro, com números específicos para a redução das emissões de gases do efeito estufa, já na convenção da ONU na Dinamarca, em dezembro.

No programa desta segunda-feira, dia 16, este observador ponderava que aquilo que foi interpretado negativamente pela imprensa poderia representar um fator positivo para a obtenção de um consenso realista em Copenhague.

Claramente, o encontro entre os presidentes Barack Obama e Hu Jintao tinha o caráter – inescapável – de estabelecer um ajuste mínimo entre os dois países que lhes permitisse evitar divergências insuperáveis diante da tarefa maior de buscar uma perspectiva menos sombria para o futuro da humanidade.

Da mesma forma, também não fazem muito sentido as análises dando conta de que americanos e chineses estariam quebrando todas as esperanças de uma nova governança mundial ao buscarem o acordo bilateral.

Não existe nem pode haver um “G-2” diante do atual estado da economia mundial, cada vez mais interdependente.

Nem mesmo a força militar somada das duas superpotências poderia impor aos demais países exigências inaceitáveis no comércio global.

O noticiário desta quarta-feira repõe alguma sensatez na visão proposta pela imprensa: Estados Unidos e China, os dois maiores responsáveis pelo aquecimento do planeta, precisavam combinar à parte um desempenho conjunto, até mesmo para defender seus interesses, resolver divergências pontuais e evitar um confronto comercial com o resto do mundo.

Nenhuma das duas economias é sustentável. Portanto, os dois países também são dependentes do mercado global.

O documento conjunto que está publicado hoje nos jornais afirma que os países desenvolvidos devem apresentar metas de redução de gás carbônico na atmosfera e que é preciso também prover ajuda financeira às nações em desenvolvimento e ações para a preservação de florestas e de apoio aos países pobres e vulneráveis no processo de adaptação à mudança climática.

A imprensa genérica é pessimista porque não se aprofunda na análise dos grandes temas de interesse do leitor.

Vive da mão para a boca, no olhar varejista do dia a dia.

Não se aprofunda porque não tem interesse em discutir o sistema.

Distorções e manipulação

Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

– Uma curiosa pesquisa foi recentemente concluída pelo professor Francisco Sánchez García, do Departamento de Língua Espanhola da Universidade de Granada, na Espanha. Ele analisou os títulos publicados pelos sete maiores jornais espanhóis de circulação nacional, entre 1983 e 2007, nas matérias referentes aos debates sobre o estado da Nação ocorridos no Parlamento daquele país.

O professor trabalhou com os diários El País, El Mundo, ABC, Diario 16, Ya, La Razón e La Vanguardia. Na sua triagem, García identificou exatos 2.557 títulos para a análise. E descobriu que a esmagadora maioria dos que citam palavras textuais de fontes políticas apresentam algum tipo de manipulação; sobretudo, segundo o pesquisador, “amputações parciais e alterações em palavras ou de sintagmas inteiros”.

Para chegar a essa conclusão, ele comparou o enunciado dos títulos com a transcrição dos debates originais. A pesquisa revelou que apenas 12% dos títulos foram rigorosamente fiéis aos fatos que os geraram.

O pesquisador foi mais além: descobriu que a adulteração é ainda mais evidente quando os jornais optaram por citar de forma indireta as declarações das fontes. De acordo com García, nesses casos os jornalistas “optam por empregar verbos negativos que servem para prejudicar indiretamente a imagem do autor das declarações”. Notou ainda o professor que se as linguagens da esquerda e da direita não apresentam diferenças significativas, é possível estabelecer uma divisão clara entre as do governo e da oposição.

É o que ele denominou “enfoque vertical” da análise ideológica: a linguagem utilizada depende mais do papel político desempenhado por determinado ator do que de sua filiação partidária.

Isto… na Espanha. No Brasil, uma pesquisa com esse espírito e rigor certamente revelaria dados tão surpreendentes quanto os obtidos pelo pesquisador espanhol. Está aí uma bela pauta para os nossos acadêmicos.

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