Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 620

>>A novela imita a vida
>>Notícias de crimes

Por Luciano Martins Costa em 01/10/2007 | comentários

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A conjunção do julgamento do senador Renan Calheiros com a votação da prorrogação da CPMF projeta futuras turbulências para o governo.

A previsão está em todos os grandes jornais nesta segunda-feira.

O Estado de S.Paulo observa que cinco medidas provisórias estão atravancando a pauta da Câmara. Serão cinco oportunidades para a oposição usar os instrumentos regimentais, criando obstruções à votação da CPMF em segundo turno.

A rigor, a oposição não tem uma opinião unânime contra a prorrogação da CPMF, mas usa todos os recursos disponíveis para evitar que o governo continue aprovando tudo que quer.

Como o governo tem uma maioria folgada, a única chance da oposição acontece quando a bancada governista se divide.

O Globo destaca que, além do PMDB, que na semana passada deu uma demonstração de força ao rejeitar a criação do Ministério do Planejamento de Longo Prazo, agora é o PR que ameaça com nova rebelião.

Tudo por cargos

Os partidos querem cargos na administração pública.

E não se trata apenas de bons empregos para correligionários.

Em 2008 haverá eleições municipais e o controle de certas cadeiras pode significar uma vantagem respeitável sobre os concorrentes.

Os jornais observam que as diretorias da Petrobras e postos elevados no setor de energia são os mais disputados.

As eleições de 2008 coincidem com a movimentação de verbas para obras do Plano de Aceleração do Crescimento.

Há muito mais em jogo do que prestígio político.

Interesse eleitoral

A Folha de S.Paulo lembra que as eleições do ano que vem serão importantes para os partigos ganharem musculatura para 2010 – quando teremos a primeira eleição presidencial sem o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, desde 1989.

Lula tem sido um peso decisivo desde então. Os partidos aliados querem chegar a 2010 com força suficiente para entrar com peso na chapa que ele irá apoiar e se beneficiar de sua popularidade.

A Folha aposta que as dissidências, ameaças e rebeliões na base aliada são apenas um ensaio para 2008.



Renan embaralha o jogo

O julgamento do senador Renan Calheiros entra como o elemento complicador no jogo político.
Renan tem interesse em empurrar o caso até dezembro, para forçar o governo a garantir os votos do PT a seu favor.

Os adversários de Renan, concentrados na oposição,  querem adiar o julgamento para fazê-lo coincidir com a votação final da CPMF.

Os jornais de hoje deixam claro que o atraso na reunião do Conselho de ética, que vem sendo adiada há três semanas, tem a ver com tudo que acontece no Congresso, menos com o interesse de dar um fim ao escândalo protagonizado pelo presidente do Senado.

A novela imita a vida

As medições preliminares do Ibope indicam que a novela Paraíso Tropical, que teve seu capítulo final transmitido pela Rede Globo na sexta-feira e reprisado no sábado, alcançou uma média de 56 pontos de audiência.

Ou seja, mais da metade da população brasileira que estava com seus televisores ligados viu a atriz Camila Pitanga, que representava uma prostituta, aparecer como amante de um senador.

O depoimento da personagem diante de uma CPI não tem como ser dissociado do momento político por que passamos na vida real.

Dines:

– Quantos telespectadores assistiram na sexta-feira ao final de Paraíso Tropical – sessenta, setenta, oitenta milhões? E quantos assistiram à reprise no sábado — outro tanto, um pouco menos? Pergunta-se: adiantou agredir a democracia e esconder o julgamento do senador Renan Calheiros no Senado há poucas semanas? É evidente que a telenovela de Gilberto Braga não reproduz os fatos, está longe, muito longe, de ser uma reconstituição histórica, mas justamente porque se trata de ficção, os enredos ficam mais claros, mais evidentes e palpitantes. Goste-se ou não deste gênero de dramaturgia, a verdade é que numa sociedade aberta é impossível esconder os fatos. Se apenas uma elite tem condições e paciência para acompanhar os desdobramentos políticos tal como são mostrados através dos veículos jornalísticos, os mesmos episódios devidamente dramatizados podem produzir impactos federais. Não adianta manipular ou controlar a cobertura de acontecimentos, o público acaba sabendo deles através de telenovelas, sátiras, caricaturas ou histórias em quadrinho. O final de Paraíso Tropical serviu para lembrar que na Era do Espetáculo, a melhor saída – talvez a única saída —  é respeitar a verdade.



Luciano:

Notícias de crimes

Os jornais começam a dar uma atenção maior à violência, agregando ao  noticiário pontual mais dados estatísticos e oferecendo uma visão nacional do problema.

Essa mudança na cobertura aparece claramente no noticiário apresentado hoje pelos jornais, no qual entra em destaque o documento da ONU revelando que São Paulo concentra 1% dos homicídios que acontecem em todo o mundo.

O estudo mostra que São Paulo e Rio de Janeiro, juntas, compõem a metade do total de assassinatos registrados em todo o Brasil.

Associado ao crescimento da violência na periferia de Brasília, o noticiário abre espaço na imprensa para uma discussão mais profunda sobre o problema.

Um problema de todos

A mudança na abordagem do tema pode ajudar a busca de soluções.

Quando os jornais explicam que a violência custa a cada ano cerca de 11% do Produto Interno Bruto, ou seja, quase 60 milhões de dólares gastos só em segurança, o noticiário vaza das páginas de polícia para espaços mais nobres.

No mês passado, o Globo apresentou uma série sobre a criminalidade nas favelas cariocas, revelando que 1 milhão e meio de moradores vivem sob a ditadura das quadrilhas de traficantes, das milícias e de policiais corruptos. Nos últimos 14 anos, esse poder paralelo produziu nada menos do que 7.324 desaparecidos.

Segurança nacional

Há muitos anos se discute a segregação de determinados assuntos em cadernos específicos dos jornais, quando se sabe que esses temas estão diretamente relacionados à inadequação de políticas públicas ou à omissão do Estado.

A ação de grupos criminosos organizados passou do limite das delegacias de bairro e já contamina as mais importantes instituições do País.

Se a imprensa persistir em destacar a violência como um problema social, político e econômico em vez de apenas mover a opinião pública nos casos que provocam grande comoção, pode ser que surja uma luz no fim do túnel.

Só assim o governo vai entender que se trata de um problema de segurança nacional.



O poder da opinião pública

Quando o governo se sente acuado pela opinião pública, medidas paliativas costumam ser substituídas por decisões estratégicas e as soluções aparecem.

Mas é preciso que a imprensa saiba traduzir o que é o interesse da maioria.

No caso da aviação civil, foi preciso uma tragédia de grandes proporções para que um novo ministro viesse a atacar o acúmulo de fatores que emperravam o setor. E mesmo com todos os erros de avaliação, com os pré-julgamentos e chutes sobre as causas do acidente, o fato é que as mudancas aconteceram.

Tudo bem em Congonhas

Os sites dos jornais informam, nesta manhã de segunda-feira, que o aeroporto de Congonhas reagiu bem às novas regras impostas pelo Conselho Nacional de Aviação Civil.

Contrariando os interesses das companhias aéreas e a conveniência dos passageiros, o órgão proibiu escalas e conexões em Congonhas, limitou em 33 o número de operações por hora e criou outras restrições, para colocar o aeroporto em condições aceitáveis de segurança.

O noticiário dos jornais pela internet mostra que hoje, primeiro dia de aplicação das mudanças, o mais movimentado aeroporto do País teve uma tranquila manhã de segunda-feira como há muito tempo não se via.

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