Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 453

Mauro Malin

>>A TV no fim de uma era
>>Crime: não basta constatar

Por Mauro Malin em 07/02/2007 | comentários

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A cena e os bastidores


O noticiário destaca o brilhareco do deputado Clodovil, e esquece de contar para os cidadãos, por exemplo, como ficaram as comissões da Câmara e do Senado. Depois aparecem surpresas.


Bravatas


O até então pouco conhecido prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pediu desculpas formalmente por ter agredido um homem anteontem. A Prefeitura havia anunciado processo contra o homem. Recuou. No Brasil há um abuso de ameaças fingidas de processo judicial e a mídia é canal acrítico para sua veiculação.



A TV no fim de uma era


Os jornais discutem a classificação indicativa de programação de tevê do Ministério da Justiça. As grandes redes de televisão têm tal poder que se sentem acima do bem e do mal no Brasil. O Ministério da Justiça se imagina o garantidor da família. A discussão é relevante, mas horários de televisão caminham para se tornar relíquia, como mostra o produtor e diretor de televisão Nelson Hoineff, colaborador do Observatório da Imprensa.


Hoineff:


– A televisão, tal como nós a conhecemos, está, evidentemente, prestes a terminar. Deu os primeiros sinais de mudança nos anos 80, com a revolução dos mecanismos de distribuição de sinais. Até os anos 80, a televisão era sinônimo de televisão aberta, você tinha tipicamente o máximo de sete canais que você poderia acessar. Com a revolução dos mecanismos de distribuição de sinais dos anos 80 isso se estendeu bastante, porém a televisão por assinatura acabou, em grande medida, reproduzindo não só os modelos estéticos como também os modelos de negócio da televisão aberta. Estamos vendo aqui e agora um aumento muito grande na capacidade de distribuição de sinais e na capacidade de relacionar essa entrega com o consumidor. Nossos filhos não vão acreditar que houve um tempo em que você tinha que assistir determinado às quartas-feiras, às nove horas, e que só podia ser assistido depois do programa das oito e antes do programa das dez. Agora, a grande notícia é que você tem cada vez mais uma oferta de produto, produto diversificado e produto que pode ser acessado por todo mundo. O caso das webTVs é extraordinário, nesse sentido. Não há a menor razão para que nós pensemos que a televisão é um veículo cuja natureza a faz massificada. A televisão era massificada, mas a massificação não está na natureza da televisão. Você tem uma programação de muito boa qualidade para determinado tipo de público, mas que absolutamente não é mais, não há mais absolutamente a menor hipótese de se pensar nisso, uma programação hegemônica, uma programação que abranja quase cem por cento da população.


Mauro:


Clique aqui para ler o artigo de Nelson Hoineff “Televisão, as teles e os limites do bizarro”.



Prejuízos impressos


A mudança tecnológica não põe em xeque apenas a televisão aberta. A imprensa vive uma situação de dificuldade, como ilustra o editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto.


Egypto:


– A empresa que edita o New York Times anunciou, semana passada, um prejuízo de 814 milhões de dólares no último trimestre de 2006. O resultado negativo jogou gasolina na fogueira das discussões sobre o modelo de negócio dos tradicionais jornais impressos nesses tempos de crescimento avassalador da produção e da distribuição digital de informações.


As perdas da The New York Times Company foram causadas menos por problemas de gestão no carro-chefe da companhia, e mais por conta da depreciação dos ativos de dois outros diários, adquiridos pelo conglomerado em 1993 e 2000, e que de lá para cá perderam algo como 60% de seu valor. Some-se a isso o aumento crescente dos custos de produção da mídia impressa e quadro deixa de ser complicado para se tornar dramático.


Crime: não basta constatar


Descrever é o primeiro passo para transmitir uma visão da realidade, mas é preciso ir além. Jornais de São Paulo e do Rio trazem notícias sobre velhas realidades: o PCC ensaia em São Paulo nova onda de atentados, às vésperas do Carnaval, como se previa desde muitos meses atrás. Se, como diz o Estadão, há num só presídio 800 homens apontados como líderes do PCC, que tamanho terá o exército que eles dirigem? No Rio, grupos de extermínio que disputam território com traficantes fecharam o acesso a uma favela. Fechar ou dividir favelas é algo que se repete há anos. Mas a mídia ainda se espanta com essa realidade, que não ajudou a combater de modo competente.


Não me diga nada!


Um ex-chefe de Polícia do Rio, Ricardo Hallak, acaba de comprovar mais uma vez a tese de que na Polícia grande número de chefes não quer saber da vida de seus subordinados. Ele declarou ao Globo que não conhece qualquer ligação do inspetor Félix dos Santos com as chamadas milícias. Santos é apontado como chefão da primeira milícia.


Ler também “Debate busca raízes da violência”.

Todos os comentários

  1. Comentou em 08/02/2007 Calypso Escobar

    800(oitocentos) líderes da facção é muito pouco, mas uma matemática por baixo,oitocentos que fazem o percurso carcerário, sim, mas sobram os de foóra, os bacanas e tão intelectuais que criam o famigerado ‘escravagismo’. Desculpe pela aritmética que me impulsiona o saber de leitora…grata

  2. Comentou em 07/02/2007 Samuel Antenor

    Se depender da complacência dos noticiários, que adoram acobertar as ações de tucanos e pefelistas, o prefeito herdeiro de São Paulo vai acabar, monarquicamente, criando uma área para manifestações populares longe de locais considerados inadequados por ele, como ruas, parques e praças. Já pensaram que lindo, um ‘protestódromo’, instalado em um terreno junto ao trecho norte do rodoanel Mário Covas, na Serra da Cantareira? O povo se expressando livremente, longe das ruas, mas com bastante ar puro pra encher os pulmões e gritar, junto à mata e sem ninguém xingando de vagabundo… não seria lindo? Aposto que tem jornalista que pensa assim. Pelo menos foi o que pareceu, ao ver a cobertura dos telejornais sobre o caso.
    Com essa midiazinha, o tal prefeito herdeiro, que quer tirar os camelôs da Paulista e do Anhangabaú, como parte das ações do Programa Cidade Limpa, vai fazê-lo sem que seus métodos sejam nem sequer questionados. Será que ele vai enviá-los pra terrenos da prefeitura ‘um pouco’ mais afastados de seu palácio e do centro financeiro, como Cidade Tiradentes, Perus e Eng. Marsilac? Melhor nem perguntar, pra não ouvir um ‘fora, fora, enxerido…’ Por quê os noticiários não questionam se medidas mais adequadas para evitar protestos e a falta de organização quanto ao comércio informal não seriam a melhoria dos serviços públicos na cidade e a fiscalização isenta e eficiente?

  3. Comentou em 07/02/2007 Kleber Carvalho

    É inquestionável a decadência em que vive a televisão brasileira, e de resto a mídia corporativa com sua visão elitista , impondo de maneira doentia um padrão social incondizente com a esmagadora maioria do povo brasileiro, as TVs exibem uma programação de qualidade desprezível sob todos os pontos de vista, a mídia impressa ora atende seus interesses comerciais, ora seus interesses político-partidários contribuindo de maneira contundente para a degradação social e intelectual de seus seguidores. Tento ficar alheio a este processo, assumindo tão somente uma postura de um observador crítico destas instituições.

  4. Comentou em 07/02/2007 Dante Caleffi

    Tem razão o colunista.Bons tempos em que a televisão era um a inocente máquina de fazer doidos. Generalização ,cabe neste caso e bem. Hegemonia e monopólio,no controle e transmissão da informações,produzem generalizações nas críticas.Comparar com o que? Qual é o parâmetro nacional equivalente a essa rede,singular por favor,como elemento de comparação?Falamos das TVs nacionais. Essa (rede),mostrou ser competente.Apenas, não o quer ser rotineiramente.Eleições não ocorrem toda a semana…

  5. Comentou em 07/02/2007 Ivan Moraes

    ‘um abuso de ameaças fingidas de processo judicial’: **judicioide**. O Brasil eh juducioide. Antes, durante, ou depois dos processos. 24 horas de judicioide.

  6. Comentou em 07/02/2007 Marcelo Soares

    O problema com a cobertura dos ataques do PCC é mais ou menos o mesmo que demonstras que ocorre na cobertura do Congresso. Noticia-se o aspecto mais chamativo, mas dificilmente a cobertura do dia-a-dia avança na questão estrutural. Aí, quando aparece algo chamativo – algum escândalo com emendas ou ônibus queimados -, surge como surpresa. É questão de método.

  7. Comentou em 07/02/2007 Dante Caleffi

    Abaixo a informação, viva o boato! Sugestão para uma nova palavra de ordem. As redes de TV, leia-se organizações Marinho, estão fulas com a suposta iminência de censura. Stalinismo, castrismo, chavismo e por aí vai o clamor televisivo. Sugestão: ‘Um dia sem TV’. 24 horas sem transmitir coisa alguma. Tela preta. Quem quiser que ouça o bom e velho rádio. Até a supressão da TV a cabo seria desejável. Que resultados traria esse teste? Desmistificaria a qualidade desse veículo, ou melhor, de seus programas. Confirmaria o que Sérgio Porto classificava, como ‘ a máquina de fazer doidos’ e imbecis, poderia se acrescentar. Jornalismo em TV é ficção, sem duplo sentido. Tudo se converte em espetáculo circense. Luzes, cores, prolixidade oca, desfiles de anatomias e merchandising. A matéria perde sua gravidade e naufraga no pântano comercial.

  8. Comentou em 07/02/2007 Marco Costa Costa

    Dar espaço para o Deputado cor de rosa(BAMBI) é pura perda de tempo. Quanto ao chilique do prefeito biônico Kassab, se faz necessário uma camisa de força, uma injeção de sossega leão e um bom período num hospital psiquiátrico. Quanto ao PCC, não sabemos quem é que pertence a essa facção, ou seja, os bandidos sem credenciais ou a polícia estabelecida. Quanto a mídia televisiva, o que vemos hoje em dia é lastimável, verdadeiro lixo cultural.

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