Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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>>A TV no fim de uma era
>>Crime: não basta constatar

Por Mauro Malin em 07/02/2007 | comentários

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A cena e os bastidores


O noticiário destaca o brilhareco do deputado Clodovil, e esquece de contar para os cidadãos, por exemplo, como ficaram as comissões da Câmara e do Senado. Depois aparecem surpresas.


Bravatas


O até então pouco conhecido prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pediu desculpas formalmente por ter agredido um homem anteontem. A Prefeitura havia anunciado processo contra o homem. Recuou. No Brasil há um abuso de ameaças fingidas de processo judicial e a mídia é canal acrítico para sua veiculação.



A TV no fim de uma era


Os jornais discutem a classificação indicativa de programação de tevê do Ministério da Justiça. As grandes redes de televisão têm tal poder que se sentem acima do bem e do mal no Brasil. O Ministério da Justiça se imagina o garantidor da família. A discussão é relevante, mas horários de televisão caminham para se tornar relíquia, como mostra o produtor e diretor de televisão Nelson Hoineff, colaborador do Observatório da Imprensa.


Hoineff:


– A televisão, tal como nós a conhecemos, está, evidentemente, prestes a terminar. Deu os primeiros sinais de mudança nos anos 80, com a revolução dos mecanismos de distribuição de sinais. Até os anos 80, a televisão era sinônimo de televisão aberta, você tinha tipicamente o máximo de sete canais que você poderia acessar. Com a revolução dos mecanismos de distribuição de sinais dos anos 80 isso se estendeu bastante, porém a televisão por assinatura acabou, em grande medida, reproduzindo não só os modelos estéticos como também os modelos de negócio da televisão aberta. Estamos vendo aqui e agora um aumento muito grande na capacidade de distribuição de sinais e na capacidade de relacionar essa entrega com o consumidor. Nossos filhos não vão acreditar que houve um tempo em que você tinha que assistir determinado às quartas-feiras, às nove horas, e que só podia ser assistido depois do programa das oito e antes do programa das dez. Agora, a grande notícia é que você tem cada vez mais uma oferta de produto, produto diversificado e produto que pode ser acessado por todo mundo. O caso das webTVs é extraordinário, nesse sentido. Não há a menor razão para que nós pensemos que a televisão é um veículo cuja natureza a faz massificada. A televisão era massificada, mas a massificação não está na natureza da televisão. Você tem uma programação de muito boa qualidade para determinado tipo de público, mas que absolutamente não é mais, não há mais absolutamente a menor hipótese de se pensar nisso, uma programação hegemônica, uma programação que abranja quase cem por cento da população.


Mauro:


Clique aqui para ler o artigo de Nelson Hoineff “Televisão, as teles e os limites do bizarro”.



Prejuízos impressos


A mudança tecnológica não põe em xeque apenas a televisão aberta. A imprensa vive uma situação de dificuldade, como ilustra o editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto.


Egypto:


– A empresa que edita o New York Times anunciou, semana passada, um prejuízo de 814 milhões de dólares no último trimestre de 2006. O resultado negativo jogou gasolina na fogueira das discussões sobre o modelo de negócio dos tradicionais jornais impressos nesses tempos de crescimento avassalador da produção e da distribuição digital de informações.


As perdas da The New York Times Company foram causadas menos por problemas de gestão no carro-chefe da companhia, e mais por conta da depreciação dos ativos de dois outros diários, adquiridos pelo conglomerado em 1993 e 2000, e que de lá para cá perderam algo como 60% de seu valor. Some-se a isso o aumento crescente dos custos de produção da mídia impressa e quadro deixa de ser complicado para se tornar dramático.


Crime: não basta constatar


Descrever é o primeiro passo para transmitir uma visão da realidade, mas é preciso ir além. Jornais de São Paulo e do Rio trazem notícias sobre velhas realidades: o PCC ensaia em São Paulo nova onda de atentados, às vésperas do Carnaval, como se previa desde muitos meses atrás. Se, como diz o Estadão, há num só presídio 800 homens apontados como líderes do PCC, que tamanho terá o exército que eles dirigem? No Rio, grupos de extermínio que disputam território com traficantes fecharam o acesso a uma favela. Fechar ou dividir favelas é algo que se repete há anos. Mas a mídia ainda se espanta com essa realidade, que não ajudou a combater de modo competente.


Não me diga nada!


Um ex-chefe de Polícia do Rio, Ricardo Hallak, acaba de comprovar mais uma vez a tese de que na Polícia grande número de chefes não quer saber da vida de seus subordinados. Ele declarou ao Globo que não conhece qualquer ligação do inspetor Félix dos Santos com as chamadas milícias. Santos é apontado como chefão da primeira milícia.


Ler também “Debate busca raízes da violência”.

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