Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Programa nº 810

>>A volta da censura
>>A comunicação corporativa

Por Luciano Martins Costa em 26/06/2008 | comentários

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A volta da censura

A imprensa brasileira está sob duplo risco.

De um lado, entra em novo ano eleitoral, período em que costumam se multiplicar os erros de cobertura, em função da intensidade do noticiário e da vulnerabilidade das redações às manobras dos marqueteiros de candidatos.

De outro lado, porque, talvez vacinada por campanhas anteriores, a Justiça Eleitoral esteja passando da conta no rigor com que fiscaliza o noticiário sobre as eleições.

Carregando ainda a desconfiança de boa parte do público, que costuma observar certas inconsistências, como a extrema dependência de fontes externas nos trabalhos investigativos, a mídia é punida por seus próprios vícios: a preferência por declarações em lugar de fatos, a falta de profundidade na abordagem de alguns temas importantes para o País e a descontinuidade na narração de alguns eventos de grande repercussão, que de repente somem do noticiário.

Mas nesta semana, a imprensa brasileira, ou pelo menos parte dela, enfrenta um perigo maior, justamente por causa de suas virtudes: o da volta da censura prévia.

Ainda em meio ao embate com a Justiça Eleitoral, por conta das entrevistas com candidatos à Prefeitura de São Paulo, jornais e revistas são surpreendidos pela decisão do juiz federal Ricardo Rezende Silveira, que proíbe o Grupo Estado de publicar reportagem sobre possíveis irregularidades que estariam ocorrendo no Conselho Regional de Medicina de São Paulo.

A investigação sobre irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União vinha sendo conduzida pelo Jornal da Tarde, que pertence ao Grupo Estado.

Ao serem contatados pelo repórter para apresentar sua versão, os dirigentes do Conselho Regional de Medicina recorreram à Justiça, alegando que estariam sob risco de sofrer dano irreparável ou de difícil reparação.

O juiz federal proibiu tanto o Jornal da Tarde quanto o Estadão de publicar o que quer que seja contra o CRM.

Ou seja, os jornais foram punidos porque o repórter quis ouvir o outro lado, a instituição acusada de irregularidades.

Se a moda pega, todos os acusados na profusão de escândalos que formam a rotina do noticiário político se veriam no direito de pedir a censura prévia à imprensa.

Só restaria aos editores publicar receitas de bolo e poemas de Camões, como fez o Estadão nos tempos da ditadura militar.

A comunicação corporativa

Momentos de ruptura tecnológica são sempre cheios de oportunidades, mas também podem conter riscos.

No caso da acelerada tecnologia da informação, a imprensa tradicional já sente nos cofres os efeitos da concorrência de novos protagonistas, como os sites de relacionamento e de busca.

Agora, as empresas de outros setores descobrem o valor da comunicação direta com seus clientes e funcionários.

A chamada comunicação corporativa começa a competir com a imprensa tradicional pelo interesse do público.

Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

– Demorou, mas aconteceu. As empresas mais antenadas com os rumos de sua comunicação começam a dedicar a devida atenção ao fenômeno dos blogs e das redes sociais que proliferam na internet. Não se trata, agora, apenas de manter um site institucional bem-feito e cheio de bossas, mas de aproveitar em favor de seu negócio e da sua imagem o extraordinário potencial oferecido pelas novas formas de relacionamento digital.

Por enquanto não passa disso: um extraordinário potencial; e como em toda novidade nessa área, praticamente tudo está em processo de construção. A empresa Ibope//NetRatings, especializada em análises de audiência e de publicidade na internet, detectou essa tendência e lançou, semana passada, um produto de pesquisa específico para medir o impacto das redes sociais no fortalecimento da marca e da reputação das organizações.

A SixApart, fornecedora de ferramentas para construção e gerenciamento de blogs e redes sociais, lista dez razões pelas quais toda a empresa deveria manter um blog.

O melhor resumo delas são as funcionalidades disponíveis, todas elas difíceis de encontrar nos meios tradicionais. Por exemplo: um blog integra conteúdos multimídia, informações sobre serviços, e seu responsável pode interagir com um destinatário imediato ou com toda sua rede de relacionamentos. Melhor: as atualizações podem ser feitas rapidamente, até mesmo por intermédio de um telefone celular.

É um mundo em construção. E a fila está andando.

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/06/2008 Silvia Gusmão

    A imprensa se deixou levar pelas questões econômicas. Como o Estado geralmente é o maior cliente, muitos jornais e revistas deixaram e ainda deixam de informar a fundo todos os acontecimentos. Os jornalistas se deixaram levar pela defeza de seus empregos e então, pelo menos na televisão o que assistismos são ‘manchetes’ todas iguais e do mesmo tamanho sem nenhuma opinião ou comentários de apresentadores que muitas vezes são proibidos de opinar. Foi a própria imprensa que permitiu a censura ao calar-se diante dos desafios e desafetos. Nunca houve, na verdade, liberdade total de imprensa no Brasil, pois se houvesse qualquer jornal ou revista se arvoraria em tomar partido sim, de opinar, de ir fundo nas questões até a solução completa. Toda a imprensa ajudou blindar Lula, por exemplo, ninguém questiona o salário-família, ninguém liga isso à compra de votos deslavada e agora com um aumento de 8%. Ninguém opina sobre a situação dos aposentados, e por aí afora. Sempre houve comodismo e situacionismo na imprensa e isso todo mundo sabe. O problema é que a desmoralização é tão grande que invadiu inclusive orgãos da imprensa que amarradas curvam-se geralmente a partidos da situação por conveniencia econômica ou por outras razões que fogem ao nosso conhecimento.

  2. Comentou em 26/06/2008 claudia zardo

    Seu Luciano: adoro seus textos, mas sua visão está limitada. Jornal é privado, mas tem jornal – no interior- que é uma verdadeira privada. Para não dizer que os donos são políticos ou grupos sem escrúpulos que por questões empresariais dão apoio a alguns políticos e não sabem o que é isenção e respeito ao cidadão. A imprensa não é feita só da grande imprensa. Quando leis são formuladas, assim são feitas com o pensamento do coletivo. Abrir exceção para um é abrir para todos. No meio de todos tem gente reta e tem gente torta. E aí?, se o sr. me der uma solução para esse nicho de mercado, eu assino embaixo do que o sr. disse. A obrigação do Judiciário é primar pelo coletivo , já a de certos profissionais do jornalismo é a de defender o corporativismo. Como faremos então? Se acharmos uma solução para a liberdade da grande imprensa, não podemos deixar de pensar que os não tão éticos podem transformá-la em libertinagem. Diga-me , seu Luciano, como vamos solucionar o problema que estou expondo? Vamos pensar juntos no problema da imprensa e convidar o Judiciário também? Assim pensamos no bem do todo; e não só em defender o interesse de uma ou outra parte.

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