Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

Programa nº 178

Mauro Malin

>>Acordão na CPI
>>A História como caricatura

Por Mauro Malin em 09/01/2006 | comentários

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Acordão na CPI


A corrida sucessória, acelerada pelo anúncio do governador Geraldo Alckmin de que deixará o cargo, interfere no processo de apuração dos casos de corrupção. No Globo de hoje, Helena Chagas alerta que a tentativa de estabelecer um acordão pode ter se transferido para dentro da CPI dos Correios. Haveria convergência de interesses do PT e do PSDB.


O distante Haiti


Se a mídia brasileira não consegue acompanhar o que acontece na Bolívia às vésperas da posse de Evo Morales, imagine-se a distância a que se encontra da realidade do Haiti. Seja com a Petrobrás, na Bolívia, seja com o Exército, no Haiti, há nos dois casos importante presença do Estado brasileiro.


O governo Lula atribui alto significado à presença brasileira no Haiti. Para se ter uma idéia da gravidade da morte do general Urano Bacellar, atente-se para o fato de que ele era um dos 34 generais-de-divisão brasileiros. O marechal Mascarenhas de Moraes era general-de-divisão quando comandou a tropa brasileira na Itália,uma divisão expedicionária, durante a Segunda Guerra Mundial.



A História como caricatura


O Alberto Dines faz um alerta contra as fantasias pueris provocadas na mídia pelo lançamento da minissérie JK, da TV Globo.


Dines:


– A falta de assunto é uma doença de verão que ataca todos os veículos – jornais, revistas, rádios e tevês – ao mesmo tempo. E esta falta de assunto está transformando JK no homem do momento. Tudo porque a TV Globo programou o seu seriado para janeiro de forma a neutralizar a queda sazonal de audiência. E quando a Globo vai numa direção, todos os outros vão na sua esteira.


Este modismo forçado e sem justificativa em torno de JK é a pior forma de promover o encontro de uma sociedade com a sua história. Como lembrou ontem na Folha o jornalista Luiz Nassif, JK foi um homem público extraordinário mas os seus erros foram igualmente gigantescos. Quem inventou a irresponsabilidade fiscal foi ele, o presidente Nonô, o famoso ‘pé de valsa’ que, neste momento, encanta as famílias brasileiras todas as noites, antes de dormir. E quem trouxe o fantasma da inflação para a realidade brasileira também foi JK, não se pode esquecer isso. Ao fantasiar o passado desta forma pueril e pouco séria estamos preparando o caminho para criar mitos e paradigmas imaginários que podem prejudicar muito nossas escolhas futuras. É preciso não esquecer que a história não se repete e, quando se força muito, ela vira caricatura.


Saudade do futuro


Essa onda de nostalgia não esconde, só torna mais evidente, a perplexidade da mídia ao encarar um ano que começa trazendo de 2005 tanta confusão e tantas incógnitas.


A proliferação das imagens de Juscelino faz lembrar o título de um samba-enredo do bloco carnavalesco carioca Simpatia é Quase Amor. Chamava-se Saudades do Futuro.



TV Senado em canais abertos


A TV Senado, que desempenhou papel ímpar em em 2005 devido às transmissões de sessões de CPIs, conseguiu obter canais abertos de UHF em quatro capitais: Manaus, Fortaleza, Recife e Salvador. Hoje, ela transmite por canal aberto apenas em Brasília. O coordenador do Núcleo de Jornalismo da TV Senado, Aluizio Oliveira, aponta o caráter democratizador da medida.


Aluizio:


– A TV Senado é financiada por recursos públicos, e nesses dez anos de existência, ela entrava no ar apenas através dos canais de TV a cabo. São cerca de 3 milhões de residências, de pessoas que são de uma classe de renda superior. A expectativa é de que, entrando em canais abertos, através do UHF, nessas quatro capitais, a TV Senado possa cumprir o seu papel público de levar à sociedade, de levar a gente com menos recursos, a informação do Senado.



Meia-volta, volver


O professor Jorge Zaverucha, da Universidade Federal de Pernambuco, critica hoje na Folha de S. Paulo a militarização da Abin, Agência Brasileira de Inteligência, iniciada no governo de Fernando Henrique e reforçada pelo novo diretor-geral, Márcio Buzanelli. Zaverucha analisa providências algo circenses anunciadas por Buzanelli, entre elas a designação do carcará, que “pega, mata e come”, como ave-símbolo da agência. Em editorial, o Estadão lembra que na música de João do Vale o carcará entrava como referência velada à ditadura.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/10/2008 Dalton C. Rocha

    Se não fosse o Fernando Collor, ainda estaríamos no tempos das ‘carroças’ e dos pseudo-computadores da Prológica.Existiam milhares de reservas de mercado no Brasil.Quase tudo tinha importação proibida, no Brasil:desde papel higiênico até escova de dentes.Graças ao Collor acabaram a moratória, a Sunab, etc.Os militares (e JK) construiram a infra-estrutura do Brasil, mas a mudança de mentalidade do Brasil foi iniciada por Collor.

  2. Comentou em 09/01/2006 Gustavo Franco

    Mas se não fosse JK o Brasil ainda era uma ‘roça’, sem desenvolvimento, sem nenhuma infra-estrutura. O triste é ver um FHC da vida vender tudo que foi criado durante tantos anos a preço de banana. Realmente o Brasil se endividou, mas foi necessário para que começasse o seu desenvolvimento. É a mesma coisa que dizer que Collor só fez [….]. E não é verdade, se não fosse por ele ter aberto as fronteiras para importação até hoje estaríamos andando em carros que pareciam carroças.

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