Domingo, 24 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Programa nº 227

Mauro Malin

>>Amor pelo PT virou ódio
>>Noticiário fragmentado

Por Mauro Malin em 17/03/2006 | comentários

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Amor pelo PT virou ódio


Que não se estranhem as reações irritadas na imprensa com a iniciativa petista de barrar o depoimento do caseiro Francenildo. A mídia foi no passado a grande parceira do PT nas denúncias em CPIs. O amor foi traído e virou ódio.


Ribeirão Preto


Bom serviço presta hoje o Estadão ao recapitular as acusações que pesam contra a gestão do então prefeito de Ribeirão Preto Antonio Palocci. Se o PT era beneficiário de irregularidades, sua direção já as conhecia e as subestimou. A Folha faz um apanhado dos casos que incomodam o partido de Lula.


Politicamente, é difícil para o presidente trabalhar com a hipótese de Palocci deixar o Ministério da Fazenda. Mas pode acontecer.



Noticiário fragmentado


Alberto Dines pede uma cobertura menos fragmentada da crise política.


Dines:


– O nível da discussão está baixando, a tensão está subindo e parece que a mídia não está conseguindo juntar todos os cacos para oferecer ao público um quadro da gravidade de situação. A intervenção do Supremo no Congresso é inédita sobretudo porque o mandado de segurança que a produziu foi impetrado por um dos vice-presidentes do Senado. Isso nunca se viu. Como nunca se viu uma intervenção aberta das Forças Armadas num estado da federação sem qualquer pedido formal do governo estadual. A família Garotinho só pensa nas prévias do PMDB no domingo mas o Estado do Rio de Janeiro, neste exato momento, deixou de ser um estado autônomo – essa é a verdade. Não estamos muito longe de uma ruptura em partes vitais do aparelho republicano mas os meios de comunicação, aparentemente, não querem ou não conseguem digerir o volume de fatos e deles tirar conclusões.


A mídia só sabe lidar com fragmentos, mais interessada no que contou o caseiro da mansão onde se reunia a República de Ribeirão Preto em Brasília do que nos desdobramentos políticos e institucionais do enfrentamento entre Judiciário e Legislativo. Mais uma vez o cidadão brasileiro só vai entender o que está se passando hoje quando ler os livros de história amanhã.


Análise, no fim de semana


Para cumprirem adequadamente seu papel, as revistas que circulam amanhã devem trazer novas informações sobre os assuntos que dominaram o noticiário durante a semana. E, ao mesmo tempo, apresentar análises que permitam uma visão articulada da conjuntura política. O mesmo serviço de alto interesse público se espera dos jornais de domingo.


Mas os jornais de hoje já trazem algumas reflexões relevantes. Uma delas é que a campanha eleitoral será dura. A pancadaria, literalmente, pode anteceder a campanha. Pode ocorrer já na luta interna dentro do PMDB entre governistas e oposicionistas.


Olhar para a frente


Começam a circular análises sobre o racha no PSDB fazendo paralelo com o que aconteceu no PMDB com a ascensão de Orestes Quércia, eleito governador em 1986 numa campanha em que seu correligionário Fernando Henrique Cardoso, entre outros, apoiou a candidatura do empresário Antônio Ermírio de Morais, pelo PTB. Depois nasceu o PSDB.


Alckmin também é um político do interior paulista, também não foi aluno nem professor da USP, mas imaginar que a cisão atual no PSDB é uma imitação do que ocorreu no PMDB é sintoma de preguiça mental. O que interessa é saber quais são as diferenças entre a atual e outras conflagrações no PSDB.


É a periferia


O que acontece na periferia paulistana interessa pouco aos dois grandes jornais da cidade. Sem sombra de menção na primeira página, hoje a Folha noticia que em um mês 13 corpos foram encontrados queimados em carros carbonizados na região metropolitana.


Imprensa livre muda o jogo


Embora tenha servido a outras finalidades, entre elas obter melhores informações sobre os locais atingidos, a ação do Exército no Rio foi essencialmente uma negociação baseada na asfixia do comércio de drogas. Continua no ar a pergunta sobre como o Estado brasileiro pretende recuperar os territórios hoje ocupados pelo tráfico.


A revelação, pela Folha de S. Paulo, de que houve uma negociação ativa, não tácita, entre militares e traficantes, removeu o véu que cercava o assunto. Com esse caso, e o da carteirada de seu comandante, o Exército descobre tardiamente, na própria pele, a existência no Brasil de uma imprensa que tem qualidades e defeitos, mas acima de tudo é livre.


# # #


Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.  

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/03/2006 Marco Antônio Leite da Costa Leite

    Não significa ódio, mas sim não fazer papel de paspalhão. No nascimento do Partido dos Trabalhadores, a proposta política inicial tinha como foco principal o conjunto da classe dos trabalhadores. No entanto, com o passar dos anos, o partido alcançou a maioridade e com ela veio a malandragem. A proposta inícial foi esquecida pelo partido, seus membros entenderam ser melhor adotar o sistema neoliberal. Sistema que tira do miserável para transferir para o FMI, Banqueiros e Multinacioais. Essa postura adotada deixou muita gente desapontada e, por isso passamos a não acreditar na política implementada pelo semhor Lullardoso e seus proxenetas de plantão. Abaixo os fariseus.
    Marco

  2. Comentou em 20/03/2006 Gilson Raslan

    Senhor jornalista, para se conhecimento informo-lhe que o Exército tem uma polícia para apurar crimes praticados dentro de suas dependências. E mais: quando a polícia do Exército subiu os morros do Rio, o fez sob o pálio de uma mandado de busca fornecido por um Juiz da Justiça Militar. Não ouve intervenção indevida no Estado do Rio de Janeiro. UM CONSELHO: antes de publicar matéria de que não tenha conhecimento, seria melhor você consultar um especialista, evitando-se, assim, enganar o povo.

  3. Comentou em 18/03/2006 cid

    Tem um ditado : há males que vem para o bem
    mudando : há malas que vão de trem

    espero que malinha também vá e não volte, e certamente ninguém sentirá sua falta (talvez o caseiro e o enterro os pés no barro)
    Vá distorcer a verdade lá na Casa do C…

  4. Comentou em 18/03/2006 Jose de Almeida Bispo

    Convido os que ainda tenham dúvida do relacionamento da midia com Lula e o PT nos últimos 26 anos a dar uma olhada num pequeno exemplo. Tá no meu blog, http://markltda.blog.uol.com.br E olha que apenas finalizei o estudo sobre a Veja. Ainda não está ali a Folha, a IstoÉ, Época e outras publicações das quais disponho menos. Se existem dois políticos perseguidos pela midia na história do Brasil eles atendem pelos nomes de Luiz Inácio Lula da Silva e Paulo Salim Maluf.

  5. Comentou em 18/03/2006 renato colombo

    Fui buscar nos evangelhos alguns questionamentos para os fatos que andam acontecendo em nosso Rio Grande do Sul e pelo Brasil afora. Vemos claramente que a questão da reforma agrária atravessa todos os evangelhos. Ainda hoje, na terra onde Jesus nasceu, o conflito por um pedaço de terra tem gerado guerras, mortes e atentados. Jesus vivia na companhia dos pobres, dos oprimidos. Sua base social eram os oprimidos e marginalizados daquela sociedade. No capitulo 8 de São Mateus vemos que os seus primeiros milagres as curas são de pessoal muito rnarginalizado. Jesus aqui reata com a boa tradição profética que é a defesa dos pequenos. A tradição farisaica dizia “Afasta-te dos pobres, dos pecadores, porque são malditos”. A condição de vida dos pobres lhes impedia de praticar a Lei. Portanto, concluía-se que eram pecadores. Cristo diz ao contrário. Ele se aproxima, defende os pequenos. Ele é do partido dos pobres, dos oprimidos. Cristo tem uma atitude critica frente aos poderosos. O conflito entre Jesus e os di­rigentes do povo atravessa os Evangelhos de ponta a ponta. No Evangelho de São Marcos, o mais antigo dos Evangelhos, a gente percebe um progresso na oposição entre Cristo e os dirigentes. No capítulo 2, quando cura um paralítico, os fariseus cochicham entre si e dizem. “Esse homem blasfema, porque ele perdoa pecados”. E por ai seguem muitos questionamentos.

  6. Comentou em 17/03/2006 José Carlos de Saboya

    Não é verdade ter havido no Rio intervenção, no sentido que se entende, mas apenas ação tópica do Exército com mandato judicial.

  7. Comentou em 17/03/2006 Hélcio Lunes

    O papel da mídia é esse mesmo! Como amar (?) um partido que pregou a maior mentira em seus militantes, simpatizantes, crentes. Não existe imprensa, nem Humor, nem manifestação, a favor, salvo em ‘democracias’ do tipo cubano, venezuelano, ou chinês.

  8. Comentou em 17/03/2006 Igor Healt

    Visite site da època e leia , na íntegra, a reportagem sobre o dinheiro do caseiro. http://www.blogbrasil.globolog.com.br/

  9. Comentou em 17/03/2006 Procópio Mineiro

    O confronto STF x CPI nasceu de um descuido do Senado: permitir que uma CPI brinque de espertinha, esquecendo seu objetivo, que é o de investigar traficâncias ligadas à jogatina. Pergunta-se: por que os ilustres pais da pátria decidiram esquecer os bingos? A CPI dos Bingos terá coragem de chamar a cafetina que abastecia a mansão que Palocci frequentaria e que igualmente abasteceria outros ambientes pluripartidários? Dinheiro de caixa 2 tem data de validade? Nada a esclarecer no período tucano? Por que o silêncio gentil em torno do Dimas Toledo? Concordo com a observação do Dines, de que a crise está corroendo as entranhas da República. Mas corrói há muito tempo, desde a ditadura, que legou um quadro de redemocratização engessado por figuras nutridas naquele período, como Sarney e ACM, e partidos como PFL, que reproduz os interesses daquele época, e um PMDB que se desfigurou. Iluminar apenas os erros do PT é fugir a uma solução: esta reclama revolver as entranhas da República, de forma profunda e pluripartidária. A imprensa poderia dar a grande contribuição. Mas assistimos os colunistas e editorialistas desancando os pecados do PT, esquecidos dos da aliança PSDB/PFL que ficou 8 anos no poder, com direito inclusive a quebrar o país a cada quatriênio. Desse modo, apenas se conseguirá trocar de pecador, sem se extinguir um pecado sequer.

  10. Comentou em 17/03/2006 armando duarte

    Que análise estaparfudia. Quando foi isto. Cite pelo menos uma só noticia e deixe a conclusão para seus leitores. De absurdo em absurdo como este é que voce está hoje totalmente desacreditado. Em Belo Horizonte os jornais jamais deram qualquer colher de chá para o PT.Isto é amor!No Governo Aécio toda a grande mídia foi comprada,para elogia-lo e pra meter o pau no PT. Isto é amor!Em São Paulo na gestão passada todo e qualquer ALAGAMENTO DE CHUVA ERA CULPA DA MARTA SUPLICY conforme relato ‘fiel dos jornalistas da Folha, do Estadão, da Veja,etc. e hoje é do tempo ruim. Isto é amor!! Tenho 26 anos de PT e aprendemos a divulgar nossas ideias por outros meios de comunicação. Por favor atenha-se às noticias e respeite seus leitores. Obrigado ARMANDO

  11. Comentou em 17/03/2006 RONALD BITTENCOURT

    Meu camarada, afirmar ´a existência no Brasil de uma imprensa que tem qualidades e defeitos, mas acima de tudo é livre´. Caramba….livre aonde?????? Quero ver um jornalista, reporter ou zé mané da folha, do estadão ou da veja escrever um artigo elogiando o PT………

  12. Comentou em 17/03/2006 calixto mota

    Por que 7 cidadãos carbonizados não têm importancia para imprensa paulistana??? Por que só quando os 7 viraram 13 é que se dá o devido valor a tragédia??? Existe alguma tabela nas redaçoes onde 1 cidadão de classe média paulistano equivale a 13 paulistanos pobres??? Quando eram 7 os mortos, o ‘evento’ só apareceu num jornal carioca (o globo-on line-semana passada) e nenhuma menção nos jornais paulistanos. Por quê?? Mês passado,um senhor(porteiro) foi assassinado (latrocínio) ao sair de um banco (Bradesco), nas proximidades da Av. Paulista (Vila Mariana – menos de 1km), e este fato não apareceu nos cadernos ‘cotidiano’ dos grandes jornais paulistanos… O que esta vítima fez para nao ter a devida atenção da nossa cidade??? Ele deveria ser um advogado??? Ele deveria morrer dentro do banco ou no vão do Masp??? Por que isso nã é relevante??? Por que os crimes dos cariocas são mais relevantes e passiveis de indignação da imprensa paulistana do que os que acontecem aqui nesta terrinha? Por que a grande imprensa (paulistana) adota os piores e mesmos defeitos do poder publico e das classes do ‘meio’ e ‘de cima’ desta cidade? Porque os invisiveis só se tornam visiveis coletivamente? Por quê?

  13. Comentou em 17/03/2006 Odracir Silva

    A midia sempre foi meio intolerante com o grupo q detem o poder e leniente com a oposicao, nao? Pelo q me lembro, os petistas freq. muito os jornais. Lembro-me dos artigos do Genoino no estadao. Como havia um monte de artigos de petistas na folha (Marilena Chaui, Florestan Fernandez, etc). Quero dizer, o q realmente vende jornal ee intriga c/ o governo, nao? mas este ee um dos papeis da midia, nao? Acho q taa valendo… Alias, pensar q as criticas sao exclusividade do gov. petista e q tudo isso comecou neste governo, ee um pouco de preguica mental tambem (parafraseando o caro Malin).

  14. Comentou em 17/03/2006 valerio SANTIAGO

    Quem disse isso? E quando? Quem manda no Povo é a Imprensa e quem manda na imprensa é o Capital.

  15. Comentou em 17/03/2006 Iolando Fagundes

    Jornalistas púberes Comentário: Os jornalistas hoje estão mais preucupados com a pirotecnia e com o sensacionalismo, menos com a informação. Hoje temos uma imprensa livre e irresponsável. Muitos desses profissionais insistem no opinionismo sem o mínimo de conhecimento de causa. Alguns jornalistas estão se comportando como adolescentes em plena explosão hormonal, tudo vira festa, farra, tudo excita, tudo escancara. Isto se assemelha a uma grande arena dos tempos romanos, com a platéia sendo representada pelos jornalistas, a gritarem para o imperador, mata!!!mata!!!mata!!! Ou então uma turba presenciando um suicídio em plena Avenida Paulista que, excitada pedia, pula!!!!pula!!!pula!!! A imprensa de hoje inquire, julga e condena. Assumem o que antes condenavam, a ditadura, o estado de secessão. Estamos caminhando para a DITADURA da MÍDIA, que debocha do ESTADO de DIREITO. A CPI dos ‘BINGOS’, que investiga tudo, menos bingos, seu objetivo proposto Esta CPI se transformou num verdadeiro circo, onde os artistas são políticos hipócritas, travestidos de probos, delinquentes de todos os naipes, ‘inocentes’ úteis e jornalistas púberes, afeitos a um espetáculo sangrento e bárbaro. Há que se respeitar a decisão do STF, antes que este país descambe para coisas muito piores. Já não era sem tempo.

  16. Comentou em 17/03/2006 José Carlos dos Santos

    Quando foi isso? desde que me lembro a imprensa sempre tratou mal o PT, só se utilizando do partido quando lhe interessava. Quanto ao fato de se utilizar o mandato judicial para parar o depoimento, estou de acordo pois os integrantes da CPI desviou de seu foco investigar os bingos e os seus desdobramentos para simplesmente fazer dela um palanque para ataques, principalmente contra o Ministro Palocci, sem apresentar provas materiais, apenas ‘testemunhas’ com depoimentos fracos, que a imprensa trata sempre de dizer que ‘contradisse’ ou pior que ‘desmentiu’ o ministro, partindo do princípio que o ministro é ‘culpado’ até prova em contrário, ou seja o acusador não tem que apresentar provas do seu testemunho e mesmo sendo uma pessoa que ninguém conhece e que aparece do nada, e já com advogado, num momento que o presidente recupera-se nas pesquisas, tem mais credibilidade que o Ministro que apesar de todas as investigações até agora não se provou nada contra o mesmo, por isso essa história de que a imprensa amou o PT não passa de balela. A imprensa ama a dupla PSDB-PFL, que tem em seus quadros donos de jornais e de concessões de Rádio, Tv.

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