Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 123

Mauro Malin

>>Ausência da Globo fez diferença
<<Não é brincadeira

Por Mauro Malin em 24/10/2005 | comentários

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Ausência da Globo fez diferença


A campanha do Sim pode ter sido derrotada, entre outras coisas, por uma deliberação do Tribunal Superior Eleitoral que proibiu emissoras de rádio e televisão de dar opinião, como se o referendo fosse uma eleição com características político-partidárias. O principal veículo de comunicação do país, a TV Globo, era o grande trunfo dos defensores do Sim, e foi obrigada a recolher suas armas de persuasão.


Existe agora uma oportunidade para que se discuta com mais objetividade a política de segurança pública. Mas isso vai depender em primeiro lugar do trabalho da imprensa. Não há proibição para uma cobertura competente, e não sensacionalista, do assunto.


Pesquisas derrotadas


Os institutos de pesquisa Ibope e Datafolha também foram grandes derrotados no referendo de ontem. Ambos davam ao Não de 55% a 57% dos votos válidos e ao Sim, de 43% a 45% por cento.


A diferença para o resultado final, que foi de 64 por cento a 36 por cento, na média nacional, talvez se explique pelo número de pessoas que foram enganadas pela pergunta mal formulada. Muita gente pode ter votado no número 1 pensando que estava respondendo Sim à pergunta.


Não é brincadeira


O Alberto Dines critica a idéia de que o referendo tenha sido uma brincadeira. Fala, Dines:


Dines:


– Mauro: tudo indica que temos um novo semanário de humor no mercado. Sabe o nome? Veja. Pois é: a edição do último fim de semana é uma piada. Olha o título da matéria: “Depois de brincar de referendo… É hora de falar sério”. Os diretores do semanário estavam brincando quando produziram aquele panfleto sobre a 7 razões para votar “não”? Se estavam brincando deveriam ter avisado para que não levássemos a sério aquela desastrada capa do semanário. Mas não contente com a primeira brincadeira, Veja gasta mais oito páginas oferecendo “sete soluções contra o crime” – uma coleção de sete obviedades tão ululantes e tão quiméricas que não podem ser levadas a sério.


Não é por falta de soluções que o crime está ganhando a guerra contra o Brasil. É por falta de governantes, é por falta de legisladores e magistrados. Veja esqueceu deste detalhe. O “não” de ontem, evidentemente, não foi a melhor solução para enfrentar a violência mas pelo menos mostrou uma sociedade que leva a sério seus deveres. Ao contrário daqueles incumbidos de informá-la.


Coronelismo eletrônico…


Amanhã, o Projor, Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, responsável por este Observatório, terá audiência com o vice-procurador geral da República, Roberto Monteiro Gurgel Santos, para entregar uma representação destinada a contestar a promiscuidade entre concessões públicas de rádio e televisão e mandatos parlamentares. A advogada Taís Gasparian, que levará o documento à Procuradoria Geral da República, em Brasília, fala da representação:


Taís:


– O Projor realizou há pouco tempo atrás uma pesquisa visando ao aprimoramento do jornalismo, e reuniu com essa pesquisa diversos indícios de que deputados e senadores são concessionários de rádio e televisão. Isso já fere dispositivo constitucional. E, mais grave ainda, que esses próprios deputados que são concessionários de rádio e televisão participaram de reuniões da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, e da Comissão de Educação do Senado Federal, comissões que são responsáveis justamente pela renovação e homologação das concessões de rádio e TV.


Mauro:


– Taís Gasparian explica que o artigo 54 da Constituição proíbe que deputados e senadores firmem ou mantenham contato ou exerçam cargo ou função ou emprego remunerado em empresa concessionária de serviço público, como são as emissoras de rádio e televisão. A punição chega até a perda de mandato.



… Na Europa também


Reportagem do Jornal do Brasil de ontem mostrou que os critérios de concessão de canais de televisão provocam sérios problemas também na Europa. O caso mais grave é o da Itália, onde o primeiro-ministro Silvio Berlusconi é ao mesmo tempo sócio majoritário do canal Mediaset e, como chefe do governo, tem grande poder sobre o canal estatal RAI.


Programa sobre Herzog


Amanhã o programa de televisão do Observatório da Imprensa será transmitido em conjunto com programação da TV Cultura dedicada a homenagear o jornalista Vladimir Herzog, assassinado sob tortura há 30 anos. Ontem foi realizado ato inter-religiões na Catedral da Sé. A Folha de S. Paulo e o Estado publicaram reportagens importantes sobre o assunto, ignorado pelas revistas semanais, pelo Globo e pelo Jornal do Brasil.

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/10/2005 Eduardo Paes

    Quero de início parabenizar o Observatório da Imprensa pelo excelente trabalho que realiza na análise dos veículos midiáticos e, em especial, a temas como o do referendo do último dia 23 de Outubro. Informo que votei sim e reporto a minha preocupação não ao que se refere a realização de referendos, que estes sim deveriam ser realizados com maior freqüência, mas evidentemente em momento oportuno e com relação a temas e ampliações de direitos efetivos para a sociedade. Tanto a campanha do não, como a do sim, veiculadas no Rádio e TV, bem como os posicionamentos em favor do não por parte da revista Veja, penso que foram de uma ‘inocência’ tão óbvia, que dificultou uma real reflexão sobre a pergunta que tratava-se tão somente da questão da proibição do comércio de armas e munição, e avançou, como não poderia ser diferente, para questões mais abrangentes e complexas, como a falta de eficácia do nosso sistema de segurança pública.E mais, preoucupa-me ainda mais ver posicionamentos, como de um dos líderes da Frente que defendia o Não, o sr. Antônio Fleury Filho,no Canal Livre da TV Bandeirantes, após o final da votação no domingo, defendendo a criação de um Ministério de Segurança Pública, refendos sobre a pena de morte, prisão perpétua e outros, numa falsa legitimação do ‘Não’ maiúsculo da votação, afirmando que tratava-se de um recado as autoridades, por parte da população, rejeitando o plano de segurança pública. De fato o foi, foi um recado, mas o recado que o povo emitiu neste referendo e um recado preocupante, é o recado do medo, o medo que as pessoas atualmente passam não só por um aparelho do Estado Ineficaz, mas pelas diversas sanções que já lhe foram feitas, direitos efetivos como educação, saúde, moradia, emprego, entre outros, que de fato foram retirados ao longo do tempo, sem se quer serem referendados, e agora, no medo de verem retirados um pseudo ‘direito’ de ter uma arma, o qual dificilmente será efetivo, dado os custos e obrigações necessárias para se ter uma arma legal, ainda cria a falsa realidade de acreditar estar defendo um direito e uma falsa realidade de acreditar estar seguro com uma arma em posse, acabaram por aprovar. É falta de educação principalmente e dos outras sanções que mencionei que de fato fazem falta para o combate da violência. Preocupante pensar como disse o sr. Antônio Fleury Filho ver a sociedade em um imenso cárcere de prisões, mortes e armamentos, e lamento por fim que, discussões tão amplas e eficazes como a do Canal Livre da Band e outras mesas de discussão como a também apresentada no mesmo domingo de referendo pela TV Cultura, tenham sido realizadas depois da votação. O Alberto Dines tem razão, não houve vencedores, pelo menos aparentemente. Só resta saber quem de fato ganhou com esta história toda.

  2. Comentou em 27/10/2005 Renato Hortegal

    Até quando vamos ter que suportar tanta prepotência e, sobretudo, falta de respeito com toda uma série de valores da nossa democracia? Seria muita inocência pensarmos que foi falta de noção de tamanha irresponsabilidade.

  3. Comentou em 25/10/2005 Carlos da Silva

    Não é à toa que deixei de ler a revista. Fico surpreso com o ainda grande número de leitores. Há muito tempo a revista deixou de nos informar para nos tentar corromper as idéias. Xô, tô fora…

  4. Comentou em 24/10/2005 Luis Peria

    Quem viu, que VEJA a queda de uma revista que se presta a publicar matéria com o título: Depois de brincar de referendo… É hora de falar sério.
    A revista debocha dos eleitores, e principalmente dos seus leitores, pois passa a impressão que somente seus redatores é que sabem do assunto, talvez por que se prestam a publicar matéria claramente com intuíto de induzir a opinião, sem respeitar o intelecto de quem lê. Como disse o Sr. Dines, apresentam um coleção de 7 obviedades ululantes para diminuição da criminalidade. Um revista com tanta história e com tanto poder de penetração na sociedade, deveria ser menos parcial, e prestar um serviço de informação, sem querer induzir o leitor a acreditar nas suas ‘verdades’, que devem esconder interesses.

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