Sábado, 22 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 822

>>Bandidos e mocinhos na imprensa
>>O vale-tudo na imprensa

Por Luciano Martins Costa em 14/07/2008 | comentários

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Bandidos e mocinhos na imprensa

As revistas de informação e as edições de fim de semana dos jornais se concentram na crise entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e outras instáncias e representações do Judiciário.

Embora o ministro tenha desmentido a informação de que havia pedido uma investigação sobre o comportamento do juiz Fausto Martin de Sanctis, responsável pelo processo contra o banqueiro Daniel Dantas e o especulador Naji Nahas, o noticiário sustenta que o presidente do STF estaria ameaçando usar o Conselho Nacional de Justiça contra De Sanctis.

Como o noticiário sobre crimes costuma ser reduzido ao confronto entre a Justiça e os delinqüentes, o leitor é induzido a alinhar o presidente da Corte Suprema entre os que facilitam a vida dos criminosos.

Na edição de hoje, a Folha de S.Paulo faz um perfil do ministro Gilmar Mendes, lembrando que ele entrou para a vida pública no governo Collor mas se destacou no governo Fernando Henrique. Como advogado-geral da União, entrou em polêmicas por defender a privatização do Banespa.

Indicado para o Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Fernando Henrique, chegou a libertar 13 acusados da Operação Navalha num único final de semana e também desfêz prisões da Polícia Federal nas operações Hurricane e Anaconda.

Em meio às notícias sobre a crise no Judiciário, destaca-se a informação de que Daniel Dantas criou tamanho emaranhado de investimentos e relações suspeitas que nem ele conhece a estrutura das empresas que controla ou influencia.

No fim, é possível que o banqueiro consiga se safar da Justiça, graças a suas relações privilegiadas, mas acabe sendo punido pelo mercado, por conta da operações de alto risco a que submete o patrimõnio de seus clientes.

O vale-tudo na imprensa

Alberto Dines:

– O prato forte da imprensa neste fim de semana foi o vazamento pela Polícia Federal de partes do relatório sigiloso sobre a Operação Satiagraha que prendeu o banqueiro Daniel Dantas. Este vazamento é grave, mais grave do que a discussão sobre a espetacularização das prisões ou o confronto entre o presidente do STF e um juiz de primeira instância. O Estado de S.Paulo foi privilegiado pela Polícia Federal e publicou na sexta-feira uma pagina inteira com reproduções em fac-símile do relatório secreto sobre o caso.

A PF cometeu duas infrações simultaneamente: violou o segredo de justiça e favoreceu um único veículo de informação. Mais grave ainda é que um dos trechos vazados consistia na transcrição de um grampo telefônico onde conversavam o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado pelo PT, e o Chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto de Carvalho. Ficou evidente que Greenhalgh foi ao palácio do Planalto a serviço do seu cliente, Daniel Dantas e que Gilberto de Carvalho, ingenuamente, prestou-se a passar-lhe informações confidenciais que, em última análise prejudicam os interesses do governo.

É incrível e inadmissível. As conversas de um dos mais altos funcionários do governo não podem ser gravadas e se o foram por engano, sob hipótese alguma, podem ser divulgadas antes da conclusão do inquérito. Os federais merecem o apoio e o respeito da sociedade. Apoiados pelo Ministério Público e pelo Judiciário têm desenvolvido um esplêndido trabalho no combate à corrupção e ao crime organizado. Estes vazamentos, porém, são rigorosamente ilegais, porque comprometem a isenção e a probidade das autoridades. A PF parece sem controle, presa de conflitos internos, e o ministério da Justiça dá a impressão de estar sendo atropelado pelo voluntarismo e a truculência de uma de suas alas.

Estes vazamentos maculam o vazador, maculam o beneficiário e maculam a imagem da imprensa. É preciso não esquecer que recentemente a Polícia Federal tentou prender uma repórter da Folha de S. Paulo porque teria antecipado detalhes da Operação Satiagraha. Agora, a mesma PF beneficia o seu concorrente revelando um grampo na presidência da República. Estamos próximos do vale-tudo.

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  1. Comentou em 14/07/2008 Ivan Moraes

    ‘Como o noticiário sobre crimes costuma ser reduzido ao confronto entre a Justiça e os delinqüentes, o leitor é induzido a alinhar o presidente da Corte Suprema entre os que facilitam a vida dos criminosos.’: !!!! Não, é induzido a pensar que a MEDIA esta do seu lado, e não está. Hipocrisia brasileira tem limites e já me estourou o saco: QUEM NÃO SABIA que Gilmar Mendes, e GILMAR MENDES SOMENTE, iria assinar esse habeas corpus? Foi surpresa? Pra quem? Até as pulgas da minha gata sabiam previamente. Ainda vou provar cientificamente que as pulgas da minha gata são clarividentes.

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