Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 385

Mauro Malin

>>Na pauta das eleições
>>História empresarial e comunicação

Por Mauro Malin em 01/11/2006 | comentários

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Na pauta das eleições

 

Luiz Egypto:

 

– A campanha presidencial recém-terminada não foi lá muito empolgante. Ainda assim, em meio à ausência de discussões programáticas e aos debates aprisionados por regras inflexíveis, um assunto ganhou dimensão inaudita, sobretudo entre os internautas: trata-se do papel da mídia no processo eleitoral.

 

O fato de a mídia – malgrado os próprios veículos – ter ganhado espaço na agenda pública é por si só um fenômeno que merece atenção. Não se pode negar, nem desconhecer, a posição de centralidade que os meios de informação detêm nas sociedades contemporâneas. E, no caso brasileiro, está mais do que na hora de trazer ao debate os primeiros indicativos de futuras políticas públicas de comunicação capazes de garantir, com o devido respaldo social, uma mídia mais plural, democrática e diversificada. Tanto na produção quanto na disseminação de conteúdos.

 

A discussão responsável e democrática sobre esse tema deve funcionar como poderoso antídoto para episódios como os ocorridos anteontem [30/10], diante do Palácio da Alvorada, quando jornalistas foram agredidos por militantes insatisfeitos com o comportamento deste ou daquele veículo de comunicação. Não é por aí. Criticar a mídia é um direito do cidadão. Uma sociedade democrática se constrói com meios de comunicação democráticos e plurais. A novidade, agora, é que a mídia, mais do que nunca, se sente observada pelos seus diversos públicos. É o momento certo para que essa mesma mídia comece, de fato, a discutir a mídia.

 

 

História empresarial e comunicação

 

O diretor-presidente da Aberje, Associação Brasileira de Jornalismo Empresarial, Paulo Nassar, professor da USP, estudou em sua tese de doutorado a nova realidade, dentro das empresas, da comunicação de mão dupla.

 

Paulo:

 

– Você sai desse contexto midiático em que você tem só processos de difusão de informações. Você começa a ter processos em que você também é informado, mas você tem interpretação e tem opinião. E essa opinião não vem mais só da mídia de massa, ou das mídias ligadas à administração. Você tem esses processos de difusão de informação, interpretação e opinião do trabalhador, das comunidades, e baseados em relatos espontâneos, baseados nos depoimentos de vida. Você tem lembranças, experiências, tanto boas quanto ruins, de pessoas que têm uma relação direta com organizações que têm impactos econômicos enormes, impactos ambientais enormes, sociais também enormes. Um processo de valorização do pertencimento.

 

Mauro:

 

– Segundo o diretor-presidente da Aberje, assim como em tantas esferas da vida social as empresas se vêem obrigadas a abrir novos canais de comunicação, para recuperar um certo grau de adesão por parte dos empregados.

 

Paulo:

 

– Um grande problema, hoje, das empresas é a corrosão da confiança. Você tem muita mudança dentro de empresa. Muita fusão, aquisição, mudanças organizacionais, inovação de recursos humanos, redesenhos, demissões, você tem uma série de demandas hoje que faz com que as pessoas não acreditem mais em chefe, em ideário organizacional, em missão, visão, etc. Quando você trabalha com a história empresarial, e aí especificamente com a questão da memória, você trabalha na perspectiva de valorizar a trajetória das pessoas alinhada à trajetória das empresas. Significa que você vai levantar as memórias boas e ruins das organizações, das empresas. Isso fortalece a ligação dos empregados, da comunidade, em relação a uma determinada história empresarial. A história hoje é uma grande aliada na construção da confiança, novamente. Se você não tem confiança, você não tem processo comunicacional nem processo relacional.

 

Mauro:

 

– A relação de mão dupla tem profundas repercussões no modo como trabalha a mídia, diz Paulo Nassar.

 

Paulo:

 

– Se você quiser jogar isso no mundo da imprensa, você não pode mais ver o leitor só como consumidor de informação, mas também como protagonista do processo comunicacional. A opinião dele, a interpretação dele é fundamental, também. A partir da internet, por exemplo, você consegue inverter o sinal. Esse cara vira também um emissor importante. Ele não é só receptor, mais.

 

Colaborador, no caso de empresa, é o grande protagonista. Ele é visto como aquele que realmente faz a história da empresa. E o importante são as metodologias usadas. Quando você usa a metodologia da história de vida é um processo que você não sabe onde vai terminar. Você pode ouvir coisa que você não quer, também.

 

Mauro:

 

– A experiência dos blogs de jornalistas é uma comprovação desse novo contexto em que o antigo “sermão” cada vez mais se transforma em conversa.

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  1. Comentou em 02/11/2006 gilmar fernandes

    CORPORATIVISMO. Quem paga os jornalistas? Aqueles que compram o que não desejam, para facilitar suas vidas, para sobrar tempo para trabalharem mais, para pagar por tudo isto. O quarto ou primeiro poder não é melhor. Todo ato ou linguagem pretende o poder. Ridicularizar alguém por conjugações ou frases ‘fora do eixo’ é uma tentativa de domínio. Já falava Leminski, todo ponto de vista é a vista de determinado ponto. ‘A imprensa é subjugada a interessses, não é isenta, como pretende. Nem também o governo é imparcial. Porém, às vezes alguém se excede. Além de Hobbes, Maquiavel, do ilumininismo francês, de Marx, Heidegger e Sartre, leiam NIETZSCHE.

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