Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 389

Mauro Malin

>>Questões deixadas para trás
>>Polícia onde não há políticas

Por Mauro Malin em 07/11/2006 | comentários

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            Questões deixadas para trás
Alberto Dines:

 

– O debate e os confrontos sobre o papel da mídia nestas eleições devem prolongar-se por muito tempo. Mas como teoricamente estamos encerrando o primeiro mandato do presidente Lula e iniciando a transição para o segundo, conviria encarar o problema da mídia com outro enfoque, talvez mais positivo, afirmativo ou construtivo. É falha a estrutura da comunicação no Brasil: há deficiências estruturais que distorcem as melhores intenções manifestadas pelos Constituintes de 88.

 

 

 

A mídia está concentrada em pouquíssimas empresas, a TV-Pública está fragmentada, a legislação sindical está defasada, grande parte dos canais de rádio e TV foram distribuídos aos parlamentares, sobretudo deputados e, com isso, a sociedade brasileira deixa de contar com o Congresso como fórum natural para uma discussão de tamanha importância.  A edição de hoje à noite do Observatório da Imprensa vai tratar exatamente deste assunto. Na rede Cultura, às onze e quarenta e na rede da TV-E, mais cedo e ao vivo, às dez e quarenta.

 

 

 

Polícia onde não há políticas

 

 

O presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, coronel aposentado da PM de Minas Gerais Severo Augusto da Silva Neto, recoloca em discussão a antiga prática brasileira de tratar a questão social como questão de polícia.

 

 

Coronel Severo:

 

 

– Desde o Império, para onde nós não temos políticas públicas adequadas para resolver os graves e sérios problemas sociais e econômicos, a gente manda a Polícia. Se o Brasil não tem uma política agrária adequada e surgem conflitos com sem-terra, quem vai dar a resposta é a Polícia e não os políticos com um processo de negociação adequado que permita a solução também adequada desses problemas. Se falta uma política carcerária no país e, em decorrência disso, surgem as rebeliões, quem tem de resolver é a Polícia, que serve de instrumento para [fazer] prevalecer o uso da força em detrimento de programas, projetos adequados para dar soluções que evitem a entrada da Polícia nesses locais. Se nós não temos uma política adequada para a questão da criança e do adolescente, é a Polícia que tem de enfrentar a criança e o adolescente, agora armados. A história política brasileira prioriza o uso da força em detrimento da política pública bem concebida e com resultados.

 

 

Mauro:

 

 

– O presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública pede à mídia uma cobertura mais equilibrada.

 

 

Coronel Severo:

 

 

– A imprensa tem um poder muito grande de ajudar o Estado  a resolver o problema da violência e da criminalidade. A primeira coisa que eu acho de fundamental importância é que a imprensa seja isenta. Ela tem de estar atenta às organizações policiais, denunciar e acompanhar todo e qualquer desvio da função da Polícia, e ela tem também de noticiar e valorizar as ações corretas da Polícia. Isenção significa tratar as partes envolvidas em conflito – entre Polícia e bandido e entre Polícia e o cumprimento da ordem –, a imprensa também deve com mesma intensidade mostrar, de forma bem clara, que os marginais, o cidadão infrator,  também comete atrocidades, viola o estado de direito, traz danos para a comunidade.

 

 

Mauro:

 

 

– O coronel Severo aponta uma freqüente e histórica inversão de valores.

 

 

Coronel Severo:

 

 

– O que nós temos, muitas vezes, é tornar o bandido um mocinho e tornar as organizações policiais, que deveriam ser o mocinho, em bandido. Muitas das vezes o policial é marginalizado e o bandido é endeusado.

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