Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 1083

>>Cadê os outros?
>>O tom certo da notícia

Por Luciano Martins Costa em 21/07/2009 | comentários

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Cadê os outros?


Os principais jornais brasileiros de circulação nacional oscilam nesta terça-feira entre os sinais de recuperação da economia, a abertura de novo processo criminal contra o banqueiro Daniel Dantas e seus associados e assuntos regionais e internacionais variados.


Apenas o Globo se concentra em manchetes mais chamativas: continua investindo na constatação de que o governo federal mantinha a extinta CPMF nos pagamentos de seus contratos e segue dando repercussão a denúncias de irregularidades contra a Petrobras.


Pela primeira vez em muitas semanas, o presidente do Senado, José Sarney, deixa a incômoda exibição na primeira página dos grandes jornais e vê as manchetes ocupadas com outros temas.


No entanto, a seção de política do Estado de S.Paulo conseguiu uma cópia do relatório final da comissão que analisou os efeitos jurídicos dos 663 atos administrativos secretos que são o verdadeiro inferno astral de Sarney.


Desse total, pelo menos 82 medidas não publicadas serviram para conceder gratificações a servidores efetivos, 38 foram usadas para criar ou prorrogar comissões, que também rendiam gratificações aos nomeados, além de 218 atos de nomeações para cargos de confiança e 115 exonerações.


A notícia sobre o banqueiro Daniel Dantas trata da rotina: o banqueiro, que já foi condenado a dez anos de prisão por tentativa de suborno e espera julgamento de recurso em liberdade, vai ser processado agora por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta de instituição financeira e formação de quadrilha.


Nos detalhes sobre os crimes atribuidos a Dantas, nenhuma novidade nos jornais que já não tenha sido antecipada e destrinchada pela revista Carta Capital.


Sempre dispostos a reproduzir denúncias das revistas Veja e Época, os jornais nunca deram o devido crédito à Carta.


Uma boa olhada na coleção da revista, que certamente está disponível nos arquivos das principais redações, ajudaria os leitores dos jornais a entender melhor os fundamentos do novo processo contra Daniel Dantas.


Outra coisa que o leitor atento deve estar observando é a insistência da imprensa em centralizar as acusações sobre os escândalos no Senado sobre o presidente da Casa.


Pelo que já foi publicado, principalmente pelo Estadão, sobram indídios de irregularidades sobre a cabeça de José Sarney, mas sabe-se que boa parte da responsabilidade pela administração do Senado se concentra no gabinete do primeiro-Secretário.


Por que será que nenhum dos senadores que ocupou a primeira-Secretaria nos dez anos de atos secretos jamais foi escrachado na primeira página dos jornais? 


O tom certo da notícia


Qual é o limite do alarmismo? Como escolher o vocabulário correto para dar notícias graves a cada público específico, a cada faixa etária da população?


Essas questões costumam ser tratadas à exaustão em todas as escolas de jornalismo, assim como temas controversos como a notícia de um suicídio.


A imprensa brasileira já foi acusada de provocar mais alarme do que informação, no caso das revelações de cientistas sobre o aquecimento global, antecipou e obscureceu o noticiário sobre a crise financeira internacional deflagrada no final de 2008, e tem apresentado comportamento dúbio diante das sucessivas ameaças à saúde pública, como nos casos da dengue, da febre amarela e da gripe provocada pelo vírus H1N1.


Alberto Dines:


– Diante da pandemia da gripe suína deve a mídia ser alarmista ou, ao contrário, assumir uma atitude tranqüilizadora? Com base nos acontecimentos na Argentina em que as autoridades procuraram esconder a real situação sanitária, parece que uma população devidamente informada e conscientizada estaria em melhores condições para enfrentar as ameaças do surto. Mas quem pode esclarecer esta questão é o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que será entrevistado na edição de hoje do “Observatório da Imprensa”. Às 22:40, ao vivo em rede nacional. Em S.Paulo pelo Canal 4 da Net e 181 da TVA. 

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/07/2009 Carlos N Mendes

    O caso contra o senador, procedente ou não, tem a mesma métrica empregada em outras ‘blitzkrieg’ conjuntas de nossa imprensa : centra-se em alguém importante da base governista e segue o ‘procedimento conta-gotas’ : tudo o que já está reunido contra a vítima é liberada em pequenas porções diárias, para manter o jogo o máximo de tempo possível em evidência. Ah, tô falando bobagem? Desafio a qualquer um encontrar UM ÚNICO personagem da oposição que sofreu tal tipo de ataque nos últimos 6 anos. Não estou falando de manchetes esporáticas, tal como fazem com Yeda Crusius, falo de ficar 3 a 6 meses pisando e repisando o mesmo assunto, sempre com tons negativos e desabonadores, por menor que seja o erro cometido, como a diretora da ANAC que foi acusada de fumar charuto…

  2. Comentou em 22/07/2009 Francisco Piedrahita

    Prezado Sr. Costa:
    Acho que que era imprescindível dar o nome desses senadores dos quais a imprensa ‘seria’ não se ocupa.
    Agradeço a sua atenção.
    Atenciosamente,
    Francisco

  3. Comentou em 22/07/2009 Jorge Lima

    …. e ainda vem o sr. alfredo sternheim, jornalista-cineasta (são
    paulo/SP), paulista dizer que só povo amapaense não sabe votar!
    Os mano elegem Mercadante, Tuma e suplicy e acham que sabe votar!

  4. Comentou em 21/07/2009 Francisco Fagundes

    Por que toda esta vontade de livrar o Sarney? Que interesses políticos acoberta quem fez a pergunta que da título ao artigo? Depois de todas as descobertas de todo o tipo de irregularidades que se fez ultimamente deste ‘imortal’, a esquerda, QUEM DIRIA, vem a defende-lo.

  5. Comentou em 21/07/2009 Fernando Freitas

    Prezado Luciano Martins,
    Está claro que a nossa magnífica imprensa tem lado e já tomou partido há muito tempo, especialmente após o sapo barbudo assumir a cadeira da presidência, essa foi a senha para que as famíglias detentoras dos grandes impérios midiáticos passarem a trazer as notícias de forma seletiva, ou seja, se for contra o governo federal podem baixar a lenha e explorá-la ao máximo, porém se alguém da oposição, especialmente os demo-tucanos, estiver metido em alguma falcatrua então não se toca no assunto ou no máximo se comenta com um mínimo de destaque, deixando os leitores em dúvida sobre se de fato houve algum escândalo ou foi apenas intriga dos governistas.
    Quem tem um pouco de bom senso já deixou de ler esses jornalões e procura as notícias nos blogs e sites independente da internet.
    Abraços.

  6. Comentou em 21/07/2009 Ney José Pereira

    Por que será?. De que adianta aqueles milhares de jornalistinhas em Brasília?. A promiscuidade vai do tal cafezinho até os tais ‘bastidores’!. Nada informaram porque nada sabiam?. Foi (é) incompetência ou relapsia ou (des)interesse?. A imprensa nunca desconfiou de nada na ‘administração’ do Senado Federal?. E se no Senado Federal é assim, isso significa que nas demais ‘casas legislativas’ do Brasil é também assim ou pior!. Pois, tudo o que irradia de (mal) de Brasília é copiado no Brasil inteiro!. Observação: A imprensa (nem mesmo a ‘especializada’) não antecipou, não! a tal ‘crise financeira internacional’!. Era só observar o que ocorria (e continua ocorrendo na tal Bovespa) para saber que aquilo era tudo artificial!. Mas, as burlas são tantas que haja imprensa, né!. Outra observação: Aquelas tramoias e maracutaias senatorias eram sabidamente (por quem?) uma permuta entre os ‘burocratas’ do Senado Federal e os próprios senadores!. Alguém duvida das ‘trocas de favores’ entre eles?. Qualquer probleminha era imediatamente resolvido com um ‘parecer’ de algum ‘burocrata’!. Sempre a favor!. Ou do Senado ou do próprio senador!. A própria eleição de senadores já é algo muito esquisito!. Principalmente os tais ‘suplentes’. E também essa ‘regra’ de renovação não coaduna com uma democracia!. Sem contar que o senador eleito licencia-se e vai para um ministério. E volta quando quiser!.

  7. Comentou em 21/07/2009 Washington Ferreira

    ‘Por que será que nenhum dos senadores que ocupou a primeira-Secretaria nos dez anos de atos secretos jamais foi escrachado na primeira página dos jornais’? PEEEEERGUNTA PRO DINES, LUCIANOOOOOOOOO!

    P.S. A esse tipo de postura é que se denomina ‘observar a imprensa’. O resto é fraude.

  8. Comentou em 21/07/2009 alfredo sternheim

    Cadê os outros? A imprensa escondeu. Deliberadamente, nas últimas duas décadas, quando a bagunça e o desperdício de dinheiro público prosperam no senado, os jornalistas especializados nada falarama respeito. E os políticos e senadores que t^m espaço na mídia ()Buarque, Suplicy, Demostenes, etc) também silenciaram. Até se compreende porque um R. Noblat só agora ataca Sarney: antes o colunista do Globo tinha (ou ainda tem?) cargo remunerado de produtor musical na rádio Senado onde fazia programa de jazz . Aliás, ninguém na mídia discutiu a rlevância do programa e se a atuação do jornalista no senado não lhe ira a isenção para comentários políticos. A matéria de hoje de O Estado, apontada aqui por Luciano, é chocante, mostra a que grau chegou a desfaçatez no senado, em especial na gráfica, sob as vistas dos senadores de todos os partidos. Um caso de polícia e/ou de renúncia coletiva já. E a imprensa tem que fazer seu mea culpa por ter se omitido durante todos esses anos por incompetência ou cumplicidade. Realmente, ainda se omite. cadê os outros, pergunta Luciano? A mídia poupou. Ou blindou (a palavra da moda). E embora em alguns casos fica evidente que o povo não sabe votar (no Amapá onde elegram Sarney que nem mora lá), na maioria dos estados os eleitores foram ludibriados e não possuem armas para contestar essa terrível situação. Só mesmo um movimento geral da nação.

  9. Comentou em 21/07/2009 Felipe Macedo

    Acho que faltou os nomes dos outros, não saiu na imprensa e nem nessa matéria. Creio que precisamos divulgar todos os nomes dessa corja.
    Quem são os outros?
    O Inferno são os outros! (J. Satre)

    Obrigado

  10. Comentou em 21/07/2009 Jorge Lima

    Vou ser tolerante: digamos que os profissionais da imprensa –
    diplomados ou não, da Veja ou da Carta CaPiTal – não tenham dedicado a
    atenção necessária ao funcionamento do Senado; da mesma forma, não
    perceberam que ao assumir a Presidencia e fazer o que fez, Sarney, por
    incompetencia ou má fé, jogou fora a melhor oportunidade do século
    para colocar o Pais nos trilhos; não perceberam também que o domicílio
    eleitoral em Macapá foi uma fraude, que todos toleraram.

  11. Comentou em 21/07/2009 Sofia A3

    E QUEM disse que a Globo e a Veja estão comprometidas com a verdade? Alguém ainda acredita que outra coisa as move, a não ser motivações políticas???

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