Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 436

Mauro Malin

>>Chuvas brasileiras
>>Polícia não resolve segurança

Por Mauro Malin em 15/01/2007 | comentários

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Faltam antecipações


O episódio do metrô paulistano deixa mais uma vez evidente a precariedade da cobertura jornalística sobre os serviços públicos da cidade. A mídia se empenha agora em acompanhar a tragédia da estação Pinheiros, mas ficou devendo antecipações eficazes.


Chuvas brasileiras


Alberto Dines critica a cumplicidade da mídia com o estado de espírito geral de imprevidência em face das chuvas.


Dines:


– A culpa é da chuva, esta foi a explicação para o desastre ambiental em Miraí, Minas e também para o desabamento na obra do metrô em S.Paulo. A desculpa é valida, mas também é válido perguntar: há quanto tempo chove no mundo? O dilúvio bíblico aconteceu por acaso ontem? Enchentes no verão são novidade? No Japão, a freqüência dos terremotos exigiu a adoção de severos padrões de segurança para enfrentar a intensidade e a repetição dos tremores. O homem apreendeu a conviver com a natureza em todas as partes do mundo. Menos no Brasil, onde cada verão parece ser o primeiro e cada catástrofe é apresentada como inédita. Enchentes, desabamentos ou deslizamentos são fenômenos regulares, anuais, recorrentes, impossível desconhecê-los. A culpa foi da chuva, justificam-se as autoridades ou concessionárias, e a imprensa resigna-se com a desculpa. Mas a função da imprensa não é resignar-se com declarações esfarrapadas. Para reagir à engabelação rotineira, a imprensa precisa estar habilitada. Convém reparar que no último sábado as vozes mais indignadas contra a conversa mole do excesso de chuvas foram do deputado ambientalista Fernando Gabeira na Folha e do jornalista-ambientalista André Trigueiro na rádio CBN. Na quinta-feira, um dia antes da cratera se abrir na Marginal Pinheiros, Washington Novais, o decano dos jornalistas-ambientais, fazia o seu alerta semanal no Estadão contra o nosso descaso diante da temporada de chuvas. E o resto da imprensa? Alguém lembrou de comparar o índice pluviométrico deste verão com o do ano anterior? Dá muito trabalho. A culpa foi da chuva, enterremos os mortos e estamos conversados.


Beira-Mar ativo


O jornal O Dia chama a atenção, hoje, para o fato de que os bloqueios da Força Nacional de Segurança em estradas têm como alvo principal a atuação da quadrilha de Fernandinho Beira-Mar no contrabando de armas do Paraguai para favelas cariocas. Beira-Mar está trancafiado há muitos meses.


Polícia não resolve segurança


O coordenador de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro, Astério Pereira dos Santos, diz que a questão da criminalidade não se resolve com mais Polícia.


Astério:


– Entendo sobretudo que não se pode enfrentar a violência e a criminalidade como um problema de Polícia. Esse é um problema que envolve políticas públicas e sobretudo muito estudo, para permitir que entendamos os valores das pessoas que praticam esses atos. Que os valores deles são muito diferentes dos valores que nós, responsáveis pelo sistema, temos. Se você não tiver exata noção dos valores morais, éticos, religiosos dessas pessoas, você vai ter dificuldade até mesmo de enfrentá-los. Enfrentá-los no bom sentido do combate em termos de pôr fim ao que acontece aí, mas através de políticas interessantes.


Eu vejo, por exemplo, a necessidade de levar o Poder Judiciário para próximo das comunidades carentes, porque nessas áreas , hoje, os conflitos familiares são resolvidos pela liderança local. Se nós tivéssemos uma representação do Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria nas proximidades, nós começaríamos a resolver esses conflitos internos da comunidade ensinando também, pedagogicamente, o que é a Justiça. Isso é fundamental. Que eles tenham acesso e possibilidade de resolução de seus conflitos através do poder regular.


Pérola de corporativismo


Poucas manifestações são tão sintomáticas do corporativismo brasileiro quanto declaração do presidente da Associação dos Delegados da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Wladimir Reale, contra a intenção anunciada ontem no Globo pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, de exigir declaração anual de bens de policiais civis e militares. Aqui mora uma pauta jornalística que vai direto ao DNA da estruturação social brasileira.


Ai de ti, Venezuela


Os jornais trazem hoje bom material sobre o caminho da censura à imprensa na Venezuela. No Estadão, Paulo Moreira Leite mostra que não há mocinhos no filme. Mas reprimir e censurar não vai melhorar em nada o quadro social e político venezuelano.

Todos os comentários

  1. Comentou em 15/01/2007 Gilson Raslan

    A propósito do comentário do Dr. Astério Pereira dos Santos, tenho a ponderar o seguinte: 1. Os políticos estão rodeados de todos os seviços públicos, no entanto 95% deles são corruptos, safados, criminosos; 2. Os médios e grandes empresários brasileiros estão rodeados de todos os serviços públicos, no entanto praticam toda sorte de crimes, como sonegação de impostos, contrabando, lavagem de dinheiro, evasão de divisas; 3. Os mauricinhos da classe média têm apoio da família, freqüentam boas escolas, têm todas assistência, no entanto muitos deles estão metidos em uso e tráfico de drogas, furtos, roubos. Por esses exemplos, sou forçado a discordar do ilustre representante do MP acima citado. Na verdade, o que inibe a prática de crimes é uma formação moral de berço, é o exemplo dos familiares, bem como e com muito mais ênfase, a punição dos políticos corruptos, dos magnatas sonegadores, dos lavadores de dinheiro, dos banqueiros desonestos. Eis aí uma questão a ser discutida por antropólogos, sociólogos, governantes comprometidos com a sociedade, jornalistas, advogados, cientistas políticos, Ministério Público e outras segmentos sociais. Essa lenga-lenga de de que a criminalidade se deve à falta de assistência governamental aos menos favorecidos é pura balela. Tanto isto é verdade que a maioria dos desassistidos são pessoas honestas. O que não se pode dizer da maioria dos políticos e empresários.

  2. Comentou em 15/01/2007 Tiago de Jesus

    Estou com uma impressão estranha a respeito da cobertura jornalística e do resgate das vítimas do acidente. Imaginava que, em um acidente destes, bombeiros, defesa civil, jornais etc se centrassem no resgate das vítimas. Mas parece que, desta vez, a coisa toda demorou umas 24 horas para receber a devida atenção. Fala-se até de buzinas ouvidas após o acidente, que talvez seriam do microônibus soterrado. Estou puxando da memória exemplos como a Vila Socó, o incêndio do Center 3, as enchentes no Sul do Brasil e parece que, desta vez, tudo andou mais devagar. É um sinal dos tempos? Teriam tanto os serviços sociais da mídia e os de resgate diminuído em qualidade ao longo dos anos? Aproveito para deplorar o tom de política partidária que vem se tentando dar à cobertura desta tragédia por leitores e veículos da mídia. Quando do lançamento dos discos de Caetano e Chico e sua repercussão, tive uma suspeita que, agora, em um assunto muito mais grave, parece querer materializar-se: será que a mídia e nós leitores ficamos presos em um círculo vicioso desde as eleições, e não conseguimos tratar uns com os outros de assuntos diferentes, de assuntos agora mais importantes?

  3. Comentou em 15/01/2007 Ivan Moraes

    ‘Neste tipo de contrato, o governo do Estado contrata a obra e a **responsabilidade por tudo o que acontece na obra, do início ao final,** é do consórcio contratado. Fajardo disse que o consórcio só pode reajustar preços se houver mudanças no projeto.’ Fajardo eh presidente da Associacao Nacional dos Metroferroviarios >>http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/410001-410500/410016/410016_1.html<< (nao sei se tenho permissao pra colocar links externos aqui, pode cortar se for o caso)

  4. Comentou em 15/01/2007 Ivan Moraes

    ‘Mas se a culpa da cratera paulista não é da chuva é de quem?’: nada eh culpa de ninguem no Brasil. Ha decadas.

  5. Comentou em 15/01/2007 Marnei Fernando

    E quanto à denúncia do ministéri Público contra o ‘Chefe de quadrilha Raul Jungmann? ninguém mais fala nada? E quanto às implicações da Esposa do Noblat em serviços publicitários superfaturados no esquema de desvio público de dinheiro montado pelo deputado enquisitor mor oposicionista? Ninguém da mídia tem nada a cobrar ou a dizer a respeito? O chefe de quadrilha deles é melhor que o chefe de quadrilha dos outros? Como sempre… a mída unida não sei a quem… acha que sim.

  6. Comentou em 15/01/2007 Marnei Fernando

    Enquanto a veja come mosca o Alexandre Garcia já antecipou a pauta… Em editorial no bom dia Brasil de hoje ele lança luzes sobre o enorme buraco escuro… A culpa da cratera de São Paulo é do presidente Lula e do PT… agora o negócio é todos os editoriais da grande mídia reproduzir o texto dele… Grande alexandre Garcia! Bom dia Brasil!

  7. Comentou em 15/01/2007 Sueli Saraiva

    Dines, a pergunta é simples: Por que o jornalismo da Rádio e TV cultura estão se ocultando em prestar informações claras e objetivas sobre o trágico episódio do Metrô? Trabalho em casa e ouço a rádio o tempo todo, o ‘cultura informa’ se restringe a informar sobre o trânsito na região, nem mesmo mencionam mais o motivo. Falar que o corpo da primeira vítima foi encontrado, nem pensar. Noticiar os esforços dos ‘agora’ heróicos bombeiros (idem); seria demais esperar que o O.I. comentasse o motivo de a imprensa ser cúmplice, talves por ingenuidade, das autoridades em relação às vítimas nas primeiras horas do ocorrido, quando a televisão mostrava, sem se dar conta, que testemunhas imploravam para serem ouvidas sobre o micro-ônibus soterrado. O O. I. precisa também vistoriar a ‘prata da casa’, parece que o jogo do tapar o sol com a peneira, pateticamente demonstrado pelo prefeito, governador, secretários e líderes dos Bombeiros e Defesa Civil também foi ordenado a RTC. Toda a mídia, televisiva e impressa deu um show de pura imaturidade jornalística na cobertura do ‘acidente’, limitando-se a repetir o que as autoridades diziam e descrever imagens que falavam por si só. Uma vergonha! e muito mais para uma TV e rádio públicos como a RTC. Na esperança de dias melhores para a imprensa e para as politiqueiras autoridades que zelam pela nossa frágil vida de cidadaõs.

  8. Comentou em 15/01/2007 Wilson Oda

    É verdade. A editora Abril, por exemplo, quase afundou com isso. Literalmente. Quem sabe agora a mídia paulista olhe para a cidade e veja o que realmente está acontecendo.

  9. Comentou em 15/01/2007 Marnei Fernando

    O texto do Alberto Dines é bastante instigante… Mas se a culpa da cratera paulista não é da chuva é de quem? Do José Serra não é… ele assumiu o governo agora apenas… Do Alckmin também não… ele já não é mais o governador… Com certeza a mídia tem que se esforçar mais pra encontrar o verdadeiro culpado… Cadê a Veja que ainda não denunciou ninguém do PT envolvido nessa tragédia?

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