Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 605

>>Ciro candidato
>>Sonegação

Por Luciano Martins Costa em 10/09/2007 | comentários

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Luciano:

Os jornais de hoje insinuam que Renan Calheiros pode ser beneficiado por um entendimento entre o governo e a oposição.

Na semana em que ele deverá ser julgado por quebra do decoro parlamentar, nada parece definido e os aliados de Renan ainda se mostram otimistas.

Dines:

– Esta semana parece decisiva não apenas para o senador Renan Calheiros, ela é decisiva para promover uma aproximação da sociedade com o parlamento que a representa. É também decisiva para reverter os padrões de moralidade na vida pública. Não obstante a importância dos próximos dias, as manchetes dos três jornalões ontem, domingo, referiam-se a um mundo que não parece o nosso.  ‘Metade do país não faz exercício’ proclamou a Folha. ‘Sonegação de Impostos equivale a 30% do PIB’ lamentou o Estadão.  ‘Congresso recebe  nota 5.4 da elite parlamentar’ constatou O Globo. Apesar do ar relaxado das primeiras páginas de domingo, tanto o governo, como a classe política e, sobretudo, os jornalistas só pensam numa coisa: a votação da próxima quarta-feira, quando será decidida a manutenção ou a cassação do mandato do presidente do Senado. É estranho que uma preocupação tão evidente não apareça nas manchetes. Será que  a grande imprensa não quer acuar o Senado? Neste caso, a situação é ainda mais grave do que parece.

Luciano:

Ciro candidato

A revista Época e o jornal O Globo, que pertencem ao mesmo grupo empresarial, saem no final de semana com reportagem sobre as chances do deputado cearense Ciro Gomes de vir a ser o candidato escolhido pelo presidente Lula para sua successão, em 2010.

Ciro tem dentro do governo o apoio do até aqui discreto ministro Mangabeira Unger, seu guru em economia.

O outro possível candidato, o ministro da Defesa Nelson Jobim, não conta com a simpatia do maior grupo de comunicação do País.

O Globo continua tentando manter no noticiário o tema da desorganização do setor de aviação civil e não perde oportunidade para afirmar que Jobim não resolveu o problema.



Renan na mira

Os jornais e as revistas trabalharam bem durante o final de semana o tema Renan Calheiros.

Destaque para a entrevista do advogado Bruno Brito Lins à Veja.

Brito Lins conta que conviveu durante dez anos com o lobista Luiz Garcia Coelho, enquanto foi namorado e marido de sua filha.

O ex-genro revela a Veja detalhes das relações do ex-sogro com Renan Calheiros.

No entanto, pela primeira vez desde que começou o escândalo, neste final de semana os jornais esconderam o noticiário sobre Renan nas páginas internas.

Chumbo grosso

Época preferiu fazer uma radiografia do esquema de poder que Renan montou no PMDB ao apostar numa aliança com o PT para formar a base parlamentar do governo.

O título da reportagem, ‘Renan e a máquina de fazer dinheiro’ parece ambicioso, mas o relato feito pela revista é detalhado o bastante para convencer o leitor.

É chumbo grosso que pode complicar seu julgamento, nesta quarta-feira, sob acusação de quebra do decoro parlamentar no caso de suas justificativas para o pagamento de pensão à ex-namorada Mônica Veloso.

Contando votos

Renan e seus aliados passaram o final de semana conversando com senadores para tentar convencê-los de que a pena, em caso de condenação, seria muito dura e que não há provas suficientes para manter o presidente do Senado longe da política por doze anos.

Se for condenado, Renan perde o atual mandato, que tem ainda quatro anos, e fica inelegível por mais oito.

O presidente do Senado aproveitou até o dia da Independência para tentar sensibilizar os indecisos.

Pouca oposição

Segundo o Estado de S.Paulo, a tática pode dar certo: citando estudos do Diap, Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, o jornal observa que não apenas a fidelidade dos congressistas ao governo está alta, como mostra que a oposição não tem sido assim tão oposicionista.

Nas doze votações nominais realizadas no Senado entre fevereiro e julho deste ano, o partidos Democratas e o PSDB votaram com o governo em quase 60% das vezes.



Até mesmo o aguerrido PSOL tem aprovado projetos de interesse do Executivo.

Será que essa tendência vai se repetir no julgamento de Renan Calheiros?

Governo versus governo

Se o governo colocar em campo seu poder de persuasão em favor de Renan, ele pode escapar da cassação nesta quarta-feira.

Porém, os jornais não consideram que o presidente Lula irá se empenhar pessoalmente em favor de Renan. E os votos pela condenação poderão vir do prórpio Partido dos Trabalhadores.
Renan conta com o voto secreto para reduzir o constrangimento de seus pares.

Os petistas Delcídio Amaral e Eduardo Suplicy querem que a votação seja aberta e transmitida pela TV Senado.

Por falta de adversários

O Globo traz hoje uma reportagem no mínimo curiosa: órgãos do governo federal entulham a Justiça com ações que poderiam ter sido resolvidas no âmbito administrativo.

Disputas de diversos tipos, desde cobranças de tributos, ações de despejo a brigas por imóveis, formam um total de 400 processos em várias instâncias.

Mesmo com a criação, desde 2004, de 107 câmaras de arbitragem entre as partes.

O jornal cita o ministro Antonio Tóffoli, da Advocacia Geral da União, dizendo que a administração federal vive na cultura do conflito.

Para os gestores petistas, talvez seja mais fácil mandar a questão para o Judiciário do que brigar diretamente com o companheiro. 
 
Sonegação

Reportagem que foi manchete do Estadão no domingo rende muito material para os próximos dias sobre a necessidade da reforma tributária.

A revelação de que a sonegação fiscal come o equivalente a um terço do PIB todos os anos coloca em outra perspectiva a questão dos tributos no Brasil.

Não basta reduzir o peso dos impostos. Também é necessário combater a sonegação.

A ironia da reportagem é a constatação de que o setor de comércio, cuja federação em São Paulo faz uma ruidosa campanha contra os impostos, é o setor responsável pelo maior vazamento de receitas públicas.

Em São Paulo, diz o Estadão, o comércio varejista sonega 60% do que vende.



Para servir bem ao seu propósito, o impostômetro da Associação Comercial deveria registrar também o tamanho da sonegação.

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