Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

Programa nº 147

Mauro Malin

>>Contra as aventuras
>>O balé do Supremo

Por Mauro Malin em 25/11/2005 | comentários

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Contra as aventuras


A batalha está todo santo dia em muitas páginas dos jornais. Vai se intensificar se o crescimento do PIB vier ralo, como se prevê agora. O ex-presidente do BNDES Luís Carlos Mendonça de Barros, um crítico, declara hoje na Folha de S. Paulo seu apoio à política de Palocci. Escreve: “Já sofremos bastante com a heterodoxia irresponsável e não podemos arriscar nosso futuro com outra aventura do tipo ´mais inflação para termos mais crescimento´. Isso não existe, e a estabilidade de preços, tão duramente conquistada, não pode ser ameaçada novamente”.


As acusações contra Palocci, relembradas hoje em editorial da Folha, relacionam-se sobretudo com o financiamento do PT na esfera do poder municipal. Palocci paga por um vício de origem.


Por que Jefferson caiu


Desde o início da crise o presidente Lula e o PT lutaram para descaracterizar o “mensalão”. O presidente insiste em dizer que Roberto Jefferson foi cassado porque não conseguiu provar suas denúncias. Jefferson perdeu o mandato porque assumiu que foi corrompido.


O balé do Supremo


O Alberto Dines chama a atenção para as idas e vindas da votação de ontem no Supremo sobre o caso do deputado José Dirceu.


Dines:


– Mauro, o Supremo deve ser respeitado e preservado porque representa os ritos da justiça e a majestade do direito. Mesmo quando esquece o essencial e patina nas firulas. Mas é curioso examinar como se comportaram na quarta-feira os dez ministros da suprema corte quando julgaram o recurso do deputado José Dirceu para suspender o processo de cassação do seu mandato. Vamos começar pelo comportamento do presidente Nelson Jobim. Como o placar estava cinco a quatro e um dos magistrados estava ausente, em vez de reservar-se como eventual desempatador na próxima semana Jobim votou e empatou. Quem vai ficar com o voto de Minerva será o ausente e não o presidente da Corte. Tem mais: dois ministros viraram a casaca ao longo do julgamento. O ministro Eros Grau votou contra o recurso de Dirceu, mas no meio do julgamento mudou o seu voto. O mesmo fez o ministro Gilmar Mendes: primeiro votou a favor de Dirceu depois mudou o voto sem maiores explicações. Isso faz parte, o magistrado tem direito ter dúvidas. Mas o certo seria que as hesitações ocorressem antes do voto e não depois. Ficou parecendo que os meritíssimos estavam praticando cara-ou-coroa. O pior é que os grandes jornais acharam normal, exceto o Globo, que ontem registrou a vacilação.


Juiz candidato


Dines, está cada vez mais evidente que o ministro Nelson Jobim quer estar, de um modo ou de outro, na campanha de 2006. Ou como candidato a vice de Lula, o que seria ótimo para o PT, ou como candidato a presidente pelo PMDB, o que é mais difícil de avaliar hoje, porque Jobim, como ele mesmo lembrou ontem, não disputa eleição desde 1990.


A fórmula da propaganda


A propaganda obrigatória do PSDB exibida ontem repetiu as fórmulas convencionais. Um quadro idílico das administrações de Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin, ilustrado por muita filmagem de inaugurações e visitas, e o uso de manchetes da imprensa na pancadaria contra o PT.


Deputados concessionários


O site Congresso em Foco noticiou ontem representação levada há um mês à Procuradoria Geral da República pela advogada Taís Gasparian, em nome do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, Projor, entidade mantenedora deste Observatório da Imprensa. Um estudo coordenado pelo professor Venício Lima mostrou que quase dez por cento dos deputados federais são concessionários diretos de radiodifusão, o que é vedado pela Constituição. O assunto ganhou repercussão em blogs.


A iniciativa do Projor, segundo o professor Venício Lima, aponta um importante caminho para todos os movimentos e instituições comprometidos com a democratização das comunicações no Brasil.


Mídia e poder


Os deputados brasileiros que possuem concessões de rádio e televisão são aprendizes perto do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi. Ele controla hoje, incluindo-se a rede estatal RAI, 90% da televisão aberta do país.


O caso de Berlusconi é abordado em dossiê sobre a Itália na edição da revista The Economist que circula nesta sexta-feira, 25 de novembro. Quando voltou ao governo, em 2001, o homem mais rico da Itália sofria acusações pesadas. Mandar na mídia ajudou-o a conservar o poder.

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/11/2005 marcio Barros

    O sr. Nelson Jobin tem tomado atitudes que só fazem desmerecer a mais alta Corte Judiciária do Brasil. Em primeiro lugar, sua descarada atuação no sentido de ajudar aos deputados federais, sob a batuta de Severino Cavalcanti, a aumentar seus subsídios sem a necessidade de passá-lo pelo plenário, para em seguida conseguir a aprovação para a reajustar também a remuneração dos ministros do STF; em seguida, com a maior desenvoltura, faz lóbi para que o ex-ministro José Dirceu tenha a cassação suspensa na Câmara por decisão do Supremo. Por fim, como presidente do STF deveria ter aguardado o voto do ministro Sepúlveda para só então pronunciar o seu voto de desempate, se fosse o caso, no mesmo caso José Dirceu.

  2. Comentou em 26/11/2005 Alexandre Mendonça Arruda Pontes

    Marco Aurelio, Celso de Mello, Eros Grau e Cesar Peluzo seriam, eventualmente candidatos a deputado estadual, federal ou senador tambem? E mesmo que o forem, a CRFB de 88 os asseguram esse direito, o resto é filigrama fofoqueirista. Voto, se fundamentado, e exaustivamente, como o foi o do presidente do STF, rechaça de pronto um viés politico que se viesse a alcunhar, sem qualquer esteio, em potencial afronta opinativa a postulados jurídicos dos mais basilares, como os que foram sufragados historicamente pelo ministro Nelson Jobim e demais ministros. A atividade política e inerente quanto se trata de materia de interesse público, seja juiz de 1o grau, seja ministro do Supremo. De parebéns o STF a estancar a ‘hemorragia sanguinária’ de uma opinião pública cada dia mais desinformada, distante léguas de certos princípios democráticos, que, em última análise, asseguram exatamente aquele proprio direito de opinião. Não se vislumbraria contradição institucional maior.

  3. Comentou em 25/11/2005 Ricardo Camargo

    Já ocorreram vezes em que o Presidente – que obrigatoriamente vota em matéria constitucional – terminasse empatando a votação, exigindo-se a continuidade do julgamento: no mandado de segurança do Collor, referente ao processo de impeachment, dois Ministros juraram suspeição e um jurou impedimento, com o que foi necessária a convocação dos mais antigos entre os Ministros do STJ. No caso dos defensores públicos do Rio Grande do Sul, houve um impasse que se estabeleceu pela mudança de posição do Ministro Ilmar Galvão e pela necessidade de se verificar se um dos Ministros estaria ou não impedido, porque se verificar um empate.

  4. Comentou em 25/11/2005 EDSON LEMOS

    Como cantaria o Caubi Peixoto na Rádio Nacional,’CONCESSÃO,EU ME LEMBRO MUITO BEM…’.
    È VERGONHOSA A FORMA COMO SE DÃO AS CONCESSÔES NA RADIODIFUSÃO,COM PREFERENCIA PARA OS POLÍTICOS,E A MANEIRA COMO ESTÃO SENDO UTILIZADAS POR MUITOS QUE NÃO TÊM CONDIÇÕES DE MANTER UM MÍNIMO DE PROGRAMAÇÃO E APELAM PARA ANÚNCIOS ENORMES E REPETIDOS AO INVÉS DE INVESTIR EM PROGRAMAS,ORA O ANUNCIANTE DEVE SER EM PRIMEIRO LUGAR UM INVESTIDOR EM PROGRAMAÇÕES E NÃO A PRÓPRIA PROGRAMAÇÃO.
    oBRIGADO PELA OPORTUNIDADE E PARABÉNS PELAS DIVERSAS INICIATIVAS DE TRAZER À DISCUSSÃO TEMAS TÃO IMPORTANTES E DAR ESPAÇO PARA AS MAIORIAS QUE ATUALMENTE TÊM MENOS DIREITOS QUE AS MINORIAS,PRECISAMOS AGORA CRIAR UM ‘COMITÊ DE DEFESA DAS MAIORIAS’ QUE NÃO TEM VOZ OU ENTÃO SE CALA PERMITINDO QUE AS MINORIAS DEÊM A IMPRESSÃO DE SER MAIORIA.

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