Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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>>Contradições do noticiário econômico
>>Duzentos anos e a omissão

Por Luciano Martins Costa em 10/06/2008 | comentários

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Contradições do noticiário econômico

A imprensa brasileira ainda não registrou formalmente, mas sobram sinais de que o período de alta de preços de produtos básicos, as chamadas commodities, pode estar com os dias contados.

A leitura combinada de boletins de instituições financeiras, artigos e avaliações de autoridades monetárias noticiados nos últimos dias aponta para a adoção de medidas de contenção das especulações no mercado.

Por trás desse jogo está o risco de multiplicação de protestos como os que vêm ocorrendo na Europa contra o alto preço dos combustíveis.

Pode ser que estejamos observando um processo inédito de organização dos mercados contra a ação de especuladores.

Analistas conservadores que observam os movimentos dos grandes fundos de investimento registram mudanças de rumo na tendência de investimento em commodities.

O risco de conturbações sociais provocadas pelo alto preço do petróleo e pela inflação de alimentos pode estar acendendo sinais de perdas significativas no médio prazo.

E os grandes fundos, que têm capacidade para produzir o chamado efeito manada, estariam considerando com maior cautela o risco social nos seus investimentos em commodities.

Especialistas observam, aqui e ali, que os aumentos de preços de produtos básicos têm razões diversificadas, entre eles o próprio aumento de consumo em países como China, Índia e Brasil, mas lembram que, se estiverem dispostos a reduzir riscos no futuro, os grandes protagonistas do mercado vão agir contra a especulação.

Se forem confirmadas essas avaliações, a imprensa brasileira terá de enfrentar certas contradições que se criam no noticiário econômico do dia-a-dia.

Por exemplo, ao comemorar a obtenção de melhores preços para a soja ou outras commodities, a imprensa se refere à melhora das contas externas do Brasil e à soma de pontos positivos no festejado sucesso da pollítica econômica do governo.

Mas o aumento de preços das commodities, junto com outros fatores, pode despertar o dragão da inflação, como alertava a revista Veja na semana passada.

O momento é interessante para observar como o noticiário, de modo geral, aborda os fatos econômicos apenas pelo lado dos lucros, como se o suceso do mercado sempre representasse o bem-estar da sociedade.

Na economia globalizada, é preciso notar que, se as oportunidades se ampliam, também se altera o conceito de risco.

Recentemente, esse foi um dos temas debatidos por especialistas em desenvolvimento sustentável na Conferência Internacional do Instituto Ethos.

Não foram notados editores de economia na platéia.

Duzentos anos e a omissão

O Brasil comemora duzentos anos de existência de sua imprensa.

E a aniversariante não comparece à festa.

Talvez se possa dizer que a imprensa só se enxerga como instituição nos momentos de risco, quando se supõe que suas prerrogativas ou privilégios estejam sendo ameaçados.

O fato é que os jornais e revistas ainda não registraram devidamente a efeméride.

Talvez essa omissão seja motivada pela resistência em encarar o trauma das dificuldades de tempos passados, ou certo desconforto em admitir que, também aqui no Brasil, a censura religiosa atrasou a consolidação da liberdade de expressão.

Alberto Dines:

– Enquanto a grande mídia não explica o embargo que impôs à comemoração dos 200 anos da imprensa brasileira podemos nos contentar com algumas perguntas: qual o mal em rever nossa história, qual o mal em examinar nosso atraso cultural e reencontrar a censura religiosa? O ‘Observatório da Imprensa’ apresenta hoje à noite, o segundo programa da série sobre os 200 anos do nosso jornalismo. Pela TV-Cultura à meia-noite e dez. Mais cedo e ao vivo, pela TV-Brasil, às dez e quarenta.

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