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ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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Por Luciano Martins Costa em 04/03/2009 | comentários

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Corrupção à paulista

O Estado de S.Paulo publica hoje, no alto da primeira página, denúncia de que o advogado Celso Valente, sócio do ex-secretário adjunto da Segurança Pública no Estado de São Paulo, Lauro Malheiros Neto, comercializava cargos na polícia paulista.

Quanto mais rentável o posto, maior o valor da propina para influenciar na nomeação.

Segundo o Estadão, que reproduz trecho de vídeo com conversa de Celso Valente, o esquema funcionava para remanejamentos e para interferências em processos internos.

O ex-secretário adjunto encaminhava ao sócio policiais afastados de seus cargos por corrupção, e o advogado acertava a propina.

A Folha de S.Paulo praticamente ignorou o assunto.

Preferiu escondê-lo numa pequena nota, no meio do noticiário sobre o crime organizado.

A Folha preferiu dar destaque, inclusive com chamada na primeira página, para uma reportagem, produzida a partir de Washington, dando conta de que o governo americano constatou o aumento da presença internacional das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho.

Segundo o jornal, o Departamento de Estado dos Estados Unidos considera o PCC e o CV como organizações criminosas internacionais, agindo em associação com grupos da Colômbia, Bolívia, Paraguai e México na comercialização de drogas para a Europa.

Nem o Estadão nem a Folha notaram a relação íntima que existe entre as duas notícias.

Não existe crime organizado sem corrupção policial.

Também é interessante notar que a imprensa ainda não relacionou o crescimento do chamado PCC em São Paulo a um episódio ocorrido em março de 2002, durante o governo Geraldo Alckminn, quando policiais armaram uma emboscada em um pedágio da Rodovia Castelo Branco.

Segundo o Ministério Público, o que ocorreu não foi um tiroteio, como assumiu a imprensa, mas uma execução sumária.

Há quem entenda que a eliminação de alguns líderes rebeldes do PCC, naquela ocasião, foi o ponto de partida para a consolidação do poder do grupo criminoso, que passou a dominar os presídios paulistas.

A notícia sobre corrupção no alto escalão da Segurança Pública explica o resto.

Direito à informação

O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos especifica o direito de todo indivíduo à informação.

Mas os debates a respeito da quebra do sigilo em torno de certos acontecimentos da nossa História mostram que nem todos estão dispostos a fazer com que seja cumprido.

Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

– O assunto às vezes adormece, mas sempre volta à baila. Foi o que ocorreu nesta semana, com uma nota da seção “Radar”, do jornalista Lauro Jardim, na revista Veja, e um artigo de Fernando Rodrigues, na página 2 da edição de anteontem (2/3) da Folha de S.Paulo. Ambos tratam do acesso a informações que deveriam ser públicas, mas não são.

Esta é uma questão que aparece na imprensa apenas por intermédio de vozes isoladas. No plano institucional, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) é uma entidade que desde sua criação, em 2002, tem lutado pela regulamentação do acesso de cidadãos e cidadãs a informações a seu respeito em poder do Estado. Mas não só a Abraji. Um momento crucial desse processo deu-se em outubro de 2004, quando a publicação de fotos que se pensava ser do jornalista Vladimir Herzog, supostamente feitas no DOI-Codi de São Paulo, desencadeou um movimento que propugnava a abertura dos arquivos oficiais do regime militar. E não se tratava – como não se trata – de revanchismo, se se considerar que a Lei da Anistia, promulgada em agosto de 1979 pelo governo do general João Figueiredo, está aí para ser cumprida. Trata-se da história do Brasil: os arquivos oficiais da Guerra do Paraguai, por exemplo, até hoje estão fechados ao exame dos pesquisadores. Trata-se, isto sim, de uma memória social que precisa ser preservada. E difundida, democratizada. Para o conhecimento pleno da cidadania e para que não se repitam as barbaridades cometidas em nome da “liberdade”. Neste caso, liberdade entre aspas, claro.

Leia também

Pela abertura dos arquivos da repressão – Audálio Dantas

Sentido político do acesso aos arquivos da repressão – Mauro Malin

O barulho que acordou o passado – Luiz Weis

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