Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 434

Mauro Malin

>>Crime nacional
>>As igrejas são muitas

Por Mauro Malin em 11/01/2007 | comentários

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Crime nacional


A profunda subestimação da segurança pública pela imprensa está hoje nas primeiras páginas dos principais jornais do país. Só o Globo dá uma chamada para os assaltos em série em Minas Gerais. O Jornal Nacional deu o devido destaque ao assunto. A incursão mortífera e aterrorizadora no interior mineiro deixa novamente claro que o crime não tem mais fronteiras no Brasil. Isso explica por que os governadores do Sudeste procuram agir em conjunto. Mas continua o jogo de empurra com o governo federal.


Guerra de quadrilhas


O Estadão deu ontem no caderno Metrópole, quase escondida, a seguinte notícia: “Traficantes expulsam milícia de favela no ABC”. O contrário do que ocorre com as chamadas mílicias, na verdade grupos de extermínio, no Rio. A Folha nem deu essa notícia. E consegue hoje a proeza de esconder os assaltos em Minas num canto do caderno Cotidiano.


Campeonato da morte


Escreve o repórter da Folha Rubens Valente: “Por que os dados da violência não são publicados diariamente, semanalmente ou mensalmente, como se faz com os índices da inflação? Deveriam estar nos jornais, todos os dias, como se faz com as tabelas do Campeonato Brasileiro. Existe outro Campeonato mais importante do que tentar reduzir esses 40.000, 50.000 assassinatos – quase 100% de pobres da periferia?”


As igrejas são muitas


Alberto Dines diz que a Igreja Renascer é um prato feito para a mídia, mas nem de longe é a única que entrou no noticiário policial.


Dines:


– O escândalo envolvendo o casal de bispos fundadores da Igreja Renascer é um prato muito apetitoso para a nossa mídia. Especialmente nesta entressafra noticiosa. Não é todo o dia que se pode juntar num mesmo pacote religião, a polícia americana, uma Bíblia recheada de dólares, fortunas em Miami e um casal muito bem sucedido na empreitada de enganar os crentes. Ontem, o advogado dos “bispos” Hernandez definiu o noticiário como “calúnia” e acusou nossa imprensa de estar enganada. O noticiário está correto, as fontes são boas, a apreensão dos dólares ocorreu de fato, a dupla está evidentemente encalacrada. O que falta dizer ao distinto público é que não é a primeira vez que uma seita religiosa sediada no Brasil é pega em flagrante com um montão de dinheiro ilegal. Em 2005, um jato da Igreja Universal do Reino de Deus foi apreendido pelas autoridades com uma fábula de dinheiro em malas e cuja origem nunca foi devidamente esclarecida. Acontece que a Igreja Universal, além de seita multinacional, é uma poderosa entidade política muito bem representada no Congresso e muito próxima do governo. E, como se não bastasse, domina um poderoso grupo de mídia eletrônica encabeçado pela Rede Record. As trapalhadas fazem parte de um contexto infinitamente maior e que, por isso mesmo, não podem ser vistas isoladamente.


Mineradora reincidente


O caso ambiental de Miraí, a cidade de Ataulfo Alves, está subestimado nos jornais de hoje, com exceção do Globo. Ontem à tarde, em declaração à Rádio CBN, o presidente da Cedae, a companhia de águas do Rio de Janeiro, disse que os dirigentes da Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais deveriam ser presos, porque deixaram a mineradora Rio Pomba Cataguases reincidir em crime contra o meio ambiente. No ano passado, a mesma empresa poluiu o Rio Muriaé.


Imprensa e corrupção


Importante a declaração feita ontem pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em reunião com a cúpula da Associação Nacional de Jornais. Disse que na crise do “mensalão”, que chamou de crise recente, o governo “nunca teve a intenção de matar o emissário, o canal de expressão”. No título, o Globo extrapolou. Fez a ministra dizer que a “Imprensa não é culpada pela corrupção”. Antes não fosse. Se tivesse havido cobertura mais atenta do que ocorre no Congresso, a situação talvez não tivesse chegado ao ponto de degradação a que chegou, e no qual continua, haja vista os compromissos de campanha para a presidência da Câmara do deputado Arlindo Chinaglia.

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