Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

Programa nº 142

Mauro Malin

>>Crise de altos e baixos
>>Entre fatos e especulações

Por Mauro Malin em 18/11/2005 | comentários

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Crise de altos e baixos


O presidente Lula começou às oito horas uma entrevista para emissoras de rádio. Daqui a pouco será feita, provavelmente, a contabilidade das menções do presidente ao ministro Antonio Palocci e à ministra Dilma Roussef.


Tenta-se decifrar para que lado pretende marchar o presidente em meio a uma discussão que envolve tanto os altos rumos da política econômica como acusações de baixo uso de administrações públicas.



Entre fatos e especulações


O Alberto Dines constata que a mídia parece não captar direito a evolução dos acontecimentos políticos. Fala, Dines.


Dines:


– Mauro, será que a mídia está conseguindo refletir exatamente o que está acontecendo nos bastidores do “Caso Palocci”? Parece que não. Ontem o mercado reagiu muito bem à fala do ministro. É bom explicar por que: entre outras coisas porque o ministro contestou abertamente as doutrinas da ministra Dilma Roussef e disse com todas as letras que quem manda na economia é ele. Mas ontem mesmo alguns comentaristas começaram a especular a partir dos afagos que o presidente Lula deu na ministra Dilma numa solenidade palaciana. Logo surgiu a teoria de que o presidente aumentava a fritura de Palocci. Ora, desta vez os assessores do presidente estão adotando uma receita equilibrada: não desautorizam o ministro da Fazenda, mas também não desgastam a ministra chefe da Casa Civil. O governo está pensando em todas as eventualidades, quer apenas garantir-se. Já os comentaristas querem garantir uma temperatura quente. E na falta de fatos concretos, servem-se muito bem das especulações.


Lula se torna enigmático


Dines: Clovis Rossi escreve na Folha de S. Paulo nesta sexta-feira, 18 de outubro, que o país vive sua primeira crise on-line, e que informação on-line exige emoções fortes diárias. Eu diria que qualquer meio de comunicação procura responder aos acontecimentos com a maior rapidez que sua base tecnológica lhe permite. Uns fazem isso com mais objetividade, outros com mais sensacionalismo.


Mas convém voltar ao que você disse no início: parece que a mídia não consegue refletir exatamente o que está acontecendo nos bastidores do caso Palocci. Não consegue devido a suas limitações e porque é mesmo difícil.


Hoje, Miriam Leitão cita no Globo dois economistas céticos em relação às motivações do presidente. Para eles, Lula tem demonstrado não acreditar na política econômica mantida pelo Ministério da Fazenda. Acham que ele fez as opções que fez, no início do governo, por medo de uma crise, mas não por convicção.


Para inglês ver


Palocci ganhou apoio explícito da revista The Economist que circula hoje. Mas isso não resolve sua vida.


A crise de Chauí


A professora Marilena Chauí voltou a dizer que a crise, literalmente, “é um produto da mídia”, a serviço da classe dominante. Isso cabe na construção intelectual que a professora utiliza, mas não na realidade dos fatos.



Anti-racismo e mídia


O senador Paulo Paim, do PT gaúcho, é o autor da proposta de Estatuto da Igualdade Racial que o Senado aprovou e o presidente Lula pretende sancionar no domingo, Dia da Consciência Negra. Paim acha que a imprensa tem um papel decisivo na luta contra a discriminação e o racismo. Ilustra com um episódio recente a limitação da cobertura jornalística sobre a questão.


Paim:


– Na Rádio Bandeirante de Porto Alegre, eu falava do Estatuto, e uma senhora ligou para lá e contou a seguinte história. “Eu, quando jovem, namorei um homem negro. Fiquei grávida dele”. Ela contou no ar, isso. “Fiquei grávida dele e meus pais, meu pai e minha mãe, moro no Passo da Areia”, deu o nome completo dela, “meu pai e minha mãe me espancaram, me espancaram até ter segurança de que eu tinha abortado a criança, e de fato abortei. Hoje meu filho teria 30 anos”. Quer dizer, um fato como esse, era de ter uma repercussão até internacional, mas acaba não sendo dada a devida divulgação. O que eu recebo de denúncia, aqui no gabinete, mas não tem espaço para você debater isso. Não tem espaço para você mostrar, uma cobertura que mostre que é um problema, existe.


Mauro:


– Esse foi o senador Paulo Paim. Ontem foram divulgados resultados de uma pesquisa que mostra a mulher negra brasileira em situação de extrema desvantagem no mercado de trabalho.


Até a próxima irrupção


O noticiário sobre a crise na França entra em hibernação, enquanto os problemas socioeconômicos que a motivaram não tiram férias.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/11/2005 Jose de Almeida

    Mas a que diabos de REALIDADE DOS FATOS te referes, oh Malin? À plantação diária de eventos nocivos ao país e que respingam no Governo? (Cadê a aftosa?????????) À manutenção do preconceito contra Lula observado em um sem número de reportagens (vide meu blog http//markltda.blog.uol.com.br), desde os tempos dos barbudos de São Bernardo? Que diabos de realidade onde tudo quanto é canalha se acha no direito de fazer ‘sangrar’ o Presidente e seu partido? A impren$a é tucana. Tucanou! e Acabou-se. A impren$a é o estamento; representa o estamento. Parem de aparentar cordeirinhos diante do lobo mau COMEDOR DE CRIANCINHAS. Não já bastam as demagogias dos políticos profissionais? Você querem, por que querem recriar a sacanagem que fizeram com Collor. E pronto.

  2. Comentou em 20/11/2005 Laerthe Abreu Junior

    Sr. Mauro, Como o senhor se arvora no direito de comentar algo que não leu? É muito onipotência. Dizer que não havia exemplares da ´Caros Amigos´ na banca… Sem comentários. Ao responder à Vera Pereira, o senhor interpreta (ou melhor distorce completamente) as palavras da filósofa. São palavras suas e não de Marilena Chauí:’ a professora resolveu dizer que existe uma conspiração da classe dominante por intermédio da mídia’. O que é isso!!! Releia só um pequeno trecho do que ela falou e compare com o que o senhor ´interpretou´: ‘Ela (´a crise´) foi criada num momento que alguns julgaram interessante inventá-la. Um produto midiático qua avassalou a sociedade brasileira inteira.’ Em nenhum momento a filósofa fala em conspiração e nem em classe dominante. É oportuno o senhor ler o que Alceu Nader, seu colega do blog ao lado, escreveu sobre a deturpação proposital que um segmento da imprensa fez das palavras da ministra da Casa Civil para inventar uma ´crise´ entre Dilma e Palocci de interesse apenas para esse segmento da imprensa, que na minha visão é muito reacionário (Folha, Estadão, Jornal do Brasil, Globo, Veja – argh!). Por favor, tome cuidado com as três linhas que insiste em escrever, pois seus leitores são capazes de ler textos mais consistentes. Não há problema algum em fazer ´exegese´ de algo. Vocês jornalistas fazem isto o tempo todo. Exegese é o mesmo que interpretação. Só que parece que o senhor quis usar uma palavra mais sofisticada como ´exegese´ só para fazer ironia.

  3. Comentou em 19/11/2005 Vera Pereira

    O problema do Observatório da Imprensa, que se pretende um guardião do jornalismo ético e eficaz, é que, igual a todas as demais corporações sociais – e mais ainda, por fazer parte da única organização de qualquer sociedade que não admite ser avaliada ou fiscalizada senão por si mesma, isto é, o único poder autosuficiente de uma nação – sempre pensa, age, se manifesta, corporativamente, isto é, a partir da lógica interna dos próprios jornalistas. Qualquer um que esboce a menor crítica à prática da imprensa ou da mídia (e, no caso da crise política atual, nem precisa especificar qual o órgão da imprensa, porque há um diagnóstico único e quase consensual de culpas e culpados) passa logo a ser visto como ‘inimigo da classe’ e tratado com o achincalhe da frase acima do bravo sr. Malin. Já desisti de crer na isenção desse OI.

  4. Comentou em 18/11/2005 Laerthe Abreu Junior

    Sr. Mauro: Marilena Chauí não tem falado e escrito para a imprensa burguesa. Sua última manifestação foi uma longa entrevista para a Caros Amigos. Acho que o senhor não leu a entrevista, pois escreveu 3 linhas muito genéricas com uma crítica completamente sem nexo pois separou de forma indevida construção intelectual de realidade dos fatos, como se esta ativa intelectual vivesse num gabinete fora do mundo fatual (que mundo é este que não admite interpretações filosóficas? Por que um filósofo não pode conceituar o mundo que vive?). Reproduzo aqui parte do texto da entrevista de Chauí, eu disse parte, mas não está fora do contexto das muitas coisas que ela falou. Aliás, ela não se refere à imprensa o tempo todo, só gastou uma pequena parte, no final, para tratar da imprensa. Disse a filósofa: ‘ O tempo todo eu queria entender qual era a crise, qual a causa, como ela funcionava, e como resolvê-la… Existem problemas graves, todos esses que discutimos aqui. Existe a questão da corrupção, existe a questão das reformas que não foram feitas, existem os problemas da política econômica, existe a perda do partido nessa concepção política, nesse engessamento autoritário e centralista, todos os problemas que vimos aqui. Não se trata de recusar nenhum deles, mas a crise, sobretudo como ela é apresentada, não existe! Ela foi criada num momento que alguns julgaram interessante inventá-la. Um produto midiático qua avassalou a sociedade brasileira inteira. Que pôs em risco instituições. Que pôs em risco pessoas. A sociedade brasileira precisa discutir isso aqui, precisa ler…’ Por isso fico com o pensamento da filósofa que me leva a pensar sobre a realidade mais que o seu texto de três linhas, este sim uma construção intelectual pobre, anódina e vazia de propostas para pensar este momento político em que os atores vão mostrando suas verdadeiras faces, sem máscaras.

  5. Comentou em 18/11/2005 zilia lima rocha

    Concordo com a professora Chauí tanto que o questionamento ao Palocci já estava previsto e agora vai ser argüido pela cpi dos bingos, ou seja lentamente vai-se desgastando o governo e ainda diz que isso não é fabricado?

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