Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

Programa nº 395

Mauro Malin

>>Criticar sem demonizar
>>O interesse maior

Por Mauro Malin em 15/11/2006 | comentários

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Morde-assopra vira morde, só?


O presidente Lula voltou a ligar, em palanque na Venezuela, o lança-chamas contra a mídia. O Globo mostra hoje as oscilações do discurso presidencial, o morde-assopra de Lula, que o Estadão, em editorial, diz ter cedido a vez ao morde, apenas.


Radiobrás ou Radiogoverno?


O senador petista Eduardo Suplicy critica a tentativa de transformar a Radiobrás em aparelho partidário ou fazê-la regredir ao status de agência de propaganda governista.


Criticar sem demonizar


O editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto, pede desarmamento dos espíritos no exame do papel da mídia.


Egypto:


– No rescaldo da acachapante vitória reeleitoral do presidente Lula, uma das sobras de campanha virou uma ferida que está custando a cicatrizar: são as relações do governo com a mídia. Esta é uma discussão, aliás, muito presente nas áreas de comentários do site do Observatório.


O presidente da República tem adotado uma tática de morde-e-assopra às vezes capaz de construir esperanças, como a decisão de falar mais com a imprensa, na reta final da campanha, outras vezes contribuindo para aumentar a tensão, como as críticas que assacou anteontem, em discurso proferido na Venezuela.


Criticar a mídia e apontar seus erros, que não são poucos, é uma coisa; desqualificá-la como instância de mediação da cidadania, é outra – e bem diferente. Em nome da democracia, não convém demonizá-la. E este é o ponto: como discutir, por exemplo, a regulamentação do artigo 223 da Constituição, que prevê a complementaridade dos sistemas privado, público e estatal de radiodifusão, sem que o debate passe pela mídia? Qual outra intermediação será mais eficaz?


Há ainda muito a ser feito nesse campo. E o país clama por responsabilidade e, sobretudo, espíritos desarmados.


O interesse maior


O editor de Política do Estado de S. Paulo, Claudio Augusto, afirma que a imprensa cumpriu seu papel nas eleições e não foi facciosa.


Claudio Augusto:


– Eu, particularmente, acho que não houve parcialidade da imprensa na cobertura das eleições presidenciais. Tomando maio de 2005 como marco inicial dessa cobertura, é óbvio que em alguns casos houve excesso, houve erros de natureza técnica, como acontecem em todas as coberturas. O fundamental é refletir sobre o seguinte ponto: os erros foram voluntários ou involuntários? Na minha concepção, em todos os casos os erros foram involuntários. Eu diria aos ouvintes que uma forma muito segura de se detectar se um veículo está sendo parcial ou não, em qualquer cobertura, é checar se a divulgação de uma determinada notícia e a forma como essa notícia é divulgada atendem os interesses do conjunto da sociedade. Porque em 99% dos casos as informações que os jornalistas conseguem, seja numa cobertura política ou não, têm sempre como pano de fundo a disputa entre os personagens da notícia, entre as fontes. É sempre “A” querendo prejudicar “B”.


Mauro:


– Claudio Augusto dá um exemplo bem recente.


Claudio Augusto:


– No caso da divulgação das imagens do dinheiro, que foi feita na antevéspera do primeiro turno da eleição presidencial. Houve algumas pessoas que criticaram o fato da imagem ser divulgada, porque o delegado federal que as divulgou tinha interesse pessoal nesse caso. É verdade? É verdade. Ele tinha interesse pessoal em divulgar as imagens. Mas o cálculo que foi feito pela redação do Estado na oportunidade foi o seguinte: a divulgação da imagem é de interesse jornalístico? É de interesse do conjunto da sociedade? A nossa conclusão é que sim. A divulgação da imagem prejudicou a campanha do PT? Provavelmente, sim. Mas nem por isso o imperativo de publicar uma foto que tem interesse jornalístico e é de interesse do conjunto da sociedade poderia ser revisto.


Laços de família condenados


Nas notícias sobre a prisão de um filho do ex-governador do Pará Almir Gabriel, do PSDB, não há relação entre as acusações feitas a Marcelo Gabriel e a vida pública de seu pai. Os crimes de que é acusado estão nas esferas federal e municipal. Deve-se informar que o suspeito é filho do ex-governador? Sim. Deve-se colocar isso na manchete? Não. No Estadão, na página ao lado, noticia-se outra operação da Polícia Federal. Prenderam um deputado estadual do PMDB de Pernambuco ligado ao senador Sérgio Guerra, do PSDB, mas isso não foi para o título. Qual é o critério?


Em todos os casos, os acusados são tratados como culpados. Dá-se à Polícia o poder de julgar.


O presidente Lula não é bom crítico da mídia, mas que ela precisa de crítica, precisa.

Todos os comentários

  1. Comentou em 16/11/2006 André Martins

    ‘Nas notícias sobre a prisão de um filho do ex-governador do Pará Almir Gabriel, do PSDB, não há relação entre as acusações feitas a Marcelo Gabriel e a vida pública de seu pai. Os crimes de que é acusado estão nas esferas federal e municipal. Deve-se informar que o suspeito é filho do ex-governador? Sim. Deve-se colocar isso na manchete? Não.’

    Mas no caso do Lulinha, nem crime houve e foi pra manchete.
    Aliás, o Lula (Requião, etc) se achar perseguido pela imprensa e dizer isso, não configura um ataque à liberdade de imprensa. Até onde eu sei, ele não usou o aparato do estado para intimidar a imprensa. E não vale dizer que não usou mas pode usar, ou tudo indica que usará, ou que ele está preparando terreno para usar, etc. Por que isso só a mãe Dinah pode dizer.
    A imprensa tem uma tendência e os leitores perceberam isso (um exemplo é a falta de cobrança que se tem em cima do Saulo de Castro, se fosse o Márcio Tomáz Bastos já teria caído). Vocês estão tentando negar isso, mas está soando ridículo. Eu em particular, não acho errado um jornal tomar partido, desde que deixe isso claro e pare de fazer propaganda se dizendo imparcial.

  2. Comentou em 16/11/2006 Marcelo Seráfico

    Ainda que haja leitores mais exaltados, não vi nenhum acusar a imprensa de inventá-los. As críticas têm sido exatamente sobre a maneira de narrá-los que, em geral, respeita uma seleção ideologicamente orientada. Por causa disso, os ‘fatos’ aparecem como se invenção fossem. Exemplo: ninguém duvida de que houve distribuição de dinheiro promovida por alguns integrantes da direção do PT a parlamentares. Porém, e o Marco AUrélio Garcia tem razão, ninguém provou a tese do ‘mensalão’. No entanto, a imprensa começou a usar o termo cunhado pelo ex-Dep. Roberto Jéferson não para se referir ao que ele estava dizendo e sim para tratar de algo que era, e ainda é, apenas uma hipótese. O problema aqui não está em defender o PT – que distribuiu, sim, dinheiro, como já está provado -, mas em como tratar isso. Então, determinadas formas de tratamento dos fatos redundam quase na invenção deles, pois omitem circunstâncias, relações lógicas etc. Também não vejo sinais de qualquer tipo de censura à imprensa. Parece-me mais um discurso defensivo e generalista, quando as discussões poderiam começar, sem nenhum problema, de questões concretas como o senhor mesmo indica.

  3. Comentou em 15/11/2006 Thiago Murilo

    Definitivamente os argumentos de voces, jornalistas, nao convencem… Aqui em SC ha um silêncio total da mídia sobre fortes suspeitas de crimes muito graves na administração Estadual (caso Aldo Hei Neto), na administração Municipal da Capital (zona azul, multas, queda em cascata de secretários etc), na campanha eleitoral (distribuição de combustiveis, abuso do poder economico, de candidatos do PSDB (Djalma Berguer), PMDB (Ada de Lucca), Marcos Vieira (PSDB) etc etc… e nada é cobrado pela mídia… e todos sabemos o motivo… Estão envolvidos pesoal destes partidos que sempre tiveram a proteção da Mídia PFL, PSDB(queridinho da mídia)… e agora tbem o PMDB.

  4. Comentou em 15/11/2006 Odracir Silva

    Impressionante mesmo ee a falta de discernimento do papel de um cidadao q estaa representando um pais. Se o cidadao Lula faz um discurso como presidente, como ee q ele, como governante pode criticar a midia brasileira ou qualquer outra instituicao democratica? Ou seraa q ele estava laa no palanque da Venezuela como um simples cidadao? Pelo q eu sei, o presidente Lula estava laa representando TODO o pais, e todos os eleitores q votaram. Mas pode ser q ele foi na Venezuela numa viagem extra-oficial como cabo eleitoral do Chavez, se este for o caso, entao acho q o caro Marcelo estaa c/ a razao de dizer q o ‘cidadao’ Lula tem o direito a critica, mas certamente nao o presidente. Porem, se foi como o chefe de estado do Brasil, fico espantado q um sociologo nao saiba fazer tal distincao, e mostra q no Brasil falta ainda muito para se entender o q ee um estado de direito.

  5. Comentou em 15/11/2006 elton titonelli

    Malin, O Globo, hoje, na página 12. dá a seguinte manchete : ‘Piloto do dossiê é servidor de governo PETISTA’ (grifei). Porém, no corpo da matéria fica explícito que ele era funcionário concursado desde 1966 e que, atualmente, está à disposição no gabinete de um deputado tucano . Esclarece, ainda, que o piloto trabalhou para os tucanos nas últimas eleições. O que você acha da manchete em total conflito com a matéria ? Foi um erro involuntário ? É justa a manchete quando sabemos que todo servidor é subordinado a um governo independente de sua opção partidária ? Gostaria de ler um comentário seu a respeito deste tipo de manchete.

  6. Comentou em 15/11/2006 Maurício Menezes

    É detalhe, incomoda, porém… Egypto!?
    De crítica a mídia já está repleta, só falta mudar a insistência no erro…

  7. Comentou em 15/11/2006 Cesar Pereira

    Ah, que precisa, precisa. E COMO PRECISA. E tem que saber ouvir, com o espírito desarmado. Sugiro que você, Mauro Malin, do staff do OI, leve esse artigo impresso ao Dines, e o faça ler, para que ele abandone a posição de vítima de linchamento por parte dos leitores e do governo. Parabéns pela bela peça literária.

  8. Comentou em 15/11/2006 Marcelo Seráfico

    Todos os governos precisam ser acompanhados criticamente. E os governantes têm todo direito de protestar quando julgam inadequadas certas abordagens da imprensa. Não cabe à mídia dizer quem é o melhor ou pior de seus críticos, assim como a condição de ‘instância de mediação’ depende menos do que pensam os governos do que do modo como a imprensa se relaciona com os cidadãos do país. Por enquanto, as justas críticas ao comportamento da mídia durante as eleições e a defesa quase irracional de certos equívocos por ela cometidos – nada involuntários, em meu juízo -, pouco ajudam a definir o que é preciso mudar e como é preciso fazê-lo. Por enquanto, do ponto de vista da qualidade da informação recebida, creio que todos os leitores – pró e contra governo – têm perdido, pois continuam apoiando-se apenas em suas posições político-eleitorais para refletir sobre o papel que a imprensa DEVE desempenhar. É preciso que esse debate adquira verdadeiro significado político, isto é, de interesse coletivo, público, saindo das preocupações conjunturais e entrando nas estruturais.

  9. Comentou em 15/11/2006 zanuja castelo branco

    Não é ex-governador, É o atual governador q perdeu a reeleição. E tem q dizer em manchete sim. Caso fosse de outro partido, da tal base aliada, os jornais, televisão e etc. estariam pedindo CPI contra o governador. Deixem de ser hipócritas. Quanto ao bando de ladrões presos aqui em Pernambuco, são pistoleiros, assassinos, ladrões e subalternos do senador Sérgio Guerra. Ele tá morrendo de medo, por isso foi na PF pq se procurar mais fundo vão achar o dedo dele nas falcatruas. Tds nós, pernambucanos, sabemos quem é esse Senador.

  10. Comentou em 15/11/2006 zanuja castelo branco

    O OI está sofrendo de autismo. O Presidente fez um comentário rápido sobre a imprensa. Nada q disse foi tão grave assim para vcs caírem de pau em cima dele. O q ele falou foi a mais pura verdade. Vcs estão dando nojo.

  11. Comentou em 15/11/2006 Odracir Silva

    Acho q toda esta insanidade contra a midia vem do fato de q as pessoas nao sabem muito bem o q midia ee. Acredito q as pessoas pensam q um canal de comunicacao ou um colunista em especifico representa toda a midia (ex. os comentarios contra o Alberto Dines). Um jornal, ou uma revista, ou mesmo um jornalista nao representa o todo, mas somente uma parte. A midia, na minha opiniao, ee um Golem. Aquela figura da mitologia judaica q inspirou o Frankenstein. Quero dizer, como Frankenstein, ele ee um todo q se fez por retalhos de muitos. E como Golem, um ser forte e descoordenado, q pode ser manipulado por outros ou pelas partes.

  12. Comentou em 15/11/2006 Maria do Carmo

    O que faz uma imprensa venezuelizada quando se permite dar uma boa notícia? Importação bate recorde, mas ainda é baixa; Emprego e renda sobem, mas o ritmo é fraco; Índice de cheques devolvidos cai, mas ainda é alto; Consumo de combustíveis bate recorde, mas ainda é pouco; Juros bancários se reduzem, porém timidamente; Venda de gás atinge recorde, mas oferta pode cair em 2008; Reservas superam US$ 80 bi e batem recorde, mas ainda são pequenas; Inadimplência cai para menor nível, mas povo tá endividado; Aumenta superavit da Balança, mas ainda é reduzido; Aumenta crédito no Brasil, mas ainda há espaço pra crescer; Preço da cesta básica cai, mas ainda é alto; País ruma ao Grau de Investimento, mas crescimento é fraco; Recua custo da construção civil, mas ainda é elevado; Setor automobilístico tem melhor outubro da história, mas podia crescer mais; Lucro do comércio cresce, apesar de vendas fracas; Jovens chegam ao mercado de trabalho, mas falta qualificação.

  13. Comentou em 15/11/2006 Marnei Fernando

    Simplesmente SEM COMENTÁRIOS… Desisto de tentar conversar com essa classe corporativa e arrogante… existem outros meios de fazê-los submeterem-se à lei e ao bom serviço… e vamos adotá-los…

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