Quarta-feira, 21 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1014
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>>Criticar sem demonizar
>>O interesse maior

Por Mauro Malin em 15/11/2006 | comentários

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Morde-assopra vira morde, só?


O presidente Lula voltou a ligar, em palanque na Venezuela, o lança-chamas contra a mídia. O Globo mostra hoje as oscilações do discurso presidencial, o morde-assopra de Lula, que o Estadão, em editorial, diz ter cedido a vez ao morde, apenas.


Radiobrás ou Radiogoverno?


O senador petista Eduardo Suplicy critica a tentativa de transformar a Radiobrás em aparelho partidário ou fazê-la regredir ao status de agência de propaganda governista.


Criticar sem demonizar


O editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto, pede desarmamento dos espíritos no exame do papel da mídia.


Egypto:


– No rescaldo da acachapante vitória reeleitoral do presidente Lula, uma das sobras de campanha virou uma ferida que está custando a cicatrizar: são as relações do governo com a mídia. Esta é uma discussão, aliás, muito presente nas áreas de comentários do site do Observatório.


O presidente da República tem adotado uma tática de morde-e-assopra às vezes capaz de construir esperanças, como a decisão de falar mais com a imprensa, na reta final da campanha, outras vezes contribuindo para aumentar a tensão, como as críticas que assacou anteontem, em discurso proferido na Venezuela.


Criticar a mídia e apontar seus erros, que não são poucos, é uma coisa; desqualificá-la como instância de mediação da cidadania, é outra – e bem diferente. Em nome da democracia, não convém demonizá-la. E este é o ponto: como discutir, por exemplo, a regulamentação do artigo 223 da Constituição, que prevê a complementaridade dos sistemas privado, público e estatal de radiodifusão, sem que o debate passe pela mídia? Qual outra intermediação será mais eficaz?


Há ainda muito a ser feito nesse campo. E o país clama por responsabilidade e, sobretudo, espíritos desarmados.


O interesse maior


O editor de Política do Estado de S. Paulo, Claudio Augusto, afirma que a imprensa cumpriu seu papel nas eleições e não foi facciosa.


Claudio Augusto:


– Eu, particularmente, acho que não houve parcialidade da imprensa na cobertura das eleições presidenciais. Tomando maio de 2005 como marco inicial dessa cobertura, é óbvio que em alguns casos houve excesso, houve erros de natureza técnica, como acontecem em todas as coberturas. O fundamental é refletir sobre o seguinte ponto: os erros foram voluntários ou involuntários? Na minha concepção, em todos os casos os erros foram involuntários. Eu diria aos ouvintes que uma forma muito segura de se detectar se um veículo está sendo parcial ou não, em qualquer cobertura, é checar se a divulgação de uma determinada notícia e a forma como essa notícia é divulgada atendem os interesses do conjunto da sociedade. Porque em 99% dos casos as informações que os jornalistas conseguem, seja numa cobertura política ou não, têm sempre como pano de fundo a disputa entre os personagens da notícia, entre as fontes. É sempre “A” querendo prejudicar “B”.


Mauro:


– Claudio Augusto dá um exemplo bem recente.


Claudio Augusto:


– No caso da divulgação das imagens do dinheiro, que foi feita na antevéspera do primeiro turno da eleição presidencial. Houve algumas pessoas que criticaram o fato da imagem ser divulgada, porque o delegado federal que as divulgou tinha interesse pessoal nesse caso. É verdade? É verdade. Ele tinha interesse pessoal em divulgar as imagens. Mas o cálculo que foi feito pela redação do Estado na oportunidade foi o seguinte: a divulgação da imagem é de interesse jornalístico? É de interesse do conjunto da sociedade? A nossa conclusão é que sim. A divulgação da imagem prejudicou a campanha do PT? Provavelmente, sim. Mas nem por isso o imperativo de publicar uma foto que tem interesse jornalístico e é de interesse do conjunto da sociedade poderia ser revisto.


Laços de família condenados


Nas notícias sobre a prisão de um filho do ex-governador do Pará Almir Gabriel, do PSDB, não há relação entre as acusações feitas a Marcelo Gabriel e a vida pública de seu pai. Os crimes de que é acusado estão nas esferas federal e municipal. Deve-se informar que o suspeito é filho do ex-governador? Sim. Deve-se colocar isso na manchete? Não. No Estadão, na página ao lado, noticia-se outra operação da Polícia Federal. Prenderam um deputado estadual do PMDB de Pernambuco ligado ao senador Sérgio Guerra, do PSDB, mas isso não foi para o título. Qual é o critério?


Em todos os casos, os acusados são tratados como culpados. Dá-se à Polícia o poder de julgar.


O presidente Lula não é bom crítico da mídia, mas que ela precisa de crítica, precisa.

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