Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 229

Mauro Malin

>>Debate eleitoral
>>Operação Asfixia

Por Mauro Malin em 21/03/2006 | comentários

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Debate eleitoral


Não há, salvo a reeleição de Aécio Neves em Minas Gerais, nenhuma campanha eleitoral importante de 2006 em que já se desenhe um favoritismo claro. Isso é bom para a democracia, sobretudo se a mídia souber levar o debate para as grandes questões nacionais e regionais.



O método da desqualificação


A investida do governo contra o caseiro Francenildo, a permanecer como ação sub-reptícia, está ancorada numa tradição muito forte das instituições do país, que no PT se exacerbaram. São, notoriamente, a Igreja Católica, o Exército e o partido comunista. Funcionam internamente na base do ditado “macaco, olha o teu rabo”. Se uma pessoa tem algo a revelar contra outra, pode fazê-la calar-se. Essa matriz é disseminada na sociedade brasileira. Já funcionava na época da Inquisição.


Resultado: não se discute se o ministro Palocci mentiu a respeito de sua convivência fraternal com um grupo de negocistas – e esse é o ponto, não sua vida privada. Não. Procura-se desqualificar a testemunha. A revista Época colaborou desavisadamente nessa empreitada. Segundo Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo desta terça-feira, 21 de março, houve dedo da equipe do ministro da Fazenda na ofensiva contra o ex-caseiro da República de Ribeirão Preto.



Operação Asfixia


Alberto Dines questiona a falta de continuidade da discussão sobre a intervenção do Exército no combate à criminalidade no Rio.


Dines:


– Não é a primeira vez que se menciona aqui, neste Observatório, a incapacidade da nossa imprensa em dar continuidade à cobertura de assuntos candentes. Prova disso foi o caso da intervenção militar no Rio de Janeiro, que depois de 10 dias de intensa divulgação evaporou-se quase que completamente. Até hoje a mídia não esclareceu se a ocupação das favelas foi mesmo necessária e não se revelou o que há por trás da recuperação das onze armas que serviram de pretexto para o ruidoso episódio. Será que houve um conluio com alguma facção criminosa para que as armas aparecessem de repente, no meio do mato? Não há espaço, não há tempo, não há atenção nem muito menos disposição para cuidar dos fatos de ontem. E, assim, fica tudo mal explicado ou apenas insinuado, o que vem dar na mesma. Nosso Observatório vai retomar hoje a Operação Asfixia para discutir as diferentes atitudes da imprensa paulista e da imprensa carioca naquela cobertura. Às dez e meia da noite na rede da TV-E e às onze na rede Cultura.


Drogas legais


Coragem, mídia. É impossível falar seriamente na questão das drogas sem encarar as drogas legais, principalmente as bebidas alcoólicas. Dói no bolso dos veículos de comunicação e do governo, mas o cigarro foi banido da publicidade no Brasil e ninguém morreu por isso. Ao contrário. Já se pode dizer que muita gente deixou e deixará de morrer por isso.


Opinionismo


A jornalista Maria Clara do Prado argumenta que o espaço ocupado na mídia por não jornalistas aumenta a taxa de facciosismo na interpretação dos fatos econômicos, diminui a isenção e dificulta a comunicação.


Maria Clara:


– Os jornais brasileiros hoje são muito prolíferos na questão de colunas escritas por pessoas que não são jornalistas. E aí nós estamos falando de economistas, cientistas políticos, sociólogos, gente da academia que escreve com freqüência para jornais, como acadêmicos que são, dentro da sua especialidade, mas que, na minha opinião, estão longe de conseguir escrever como um jornalista escreveria sobre aqueles temas que são levantados. É óbvio que um economista, por formação, vai saber melhor entender aquele fenômeno, aquele fato jornalístico a partir de uma visão acadêmica, e até econométrica, mas ele pouca sensibilidade terá para explicar aquele fato econômico com a sensibilidade que o jornalista tem. E mais do que isso. Ele menos isenção terá, porque está afeto a correntes que existem no meio acadêmico, afeto aos próprios interesses em termos de correntes ideológicas e, obviamente, os economistas, os cientistas políticos e os sociólogos têm mais receio de errar. O jornalista não está preocupado com isso. Está preocupado em informar a opinião pública da melhor maneira possível, trazendo para o fato econômico uma análise que seja a mais arredondada possível.


Poder de barganha


Vai fazer duas semanas que a Folha de S. Paulo deu em manchete que estava encerrada, a favor do padrão japonês, a discussão sobre TV digital. Hoje, a Folha noticia que a Rede Globo está preocupada com o rumo da conversa porque os concorrentes europeus reagiram. O que o governo quer é fazer a melhor negociação.


# # #


Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.  


Todos os comentários

  1. Comentou em 30/03/2006 Marco Antônio Leite da Costa Leite

    Semhor jornalista, neste país dividido entre primeiro mundo e quinto, só existe democracia para os privilegiados de sempre. No debate político burguês, o assunto principal gira em torno de como manter a situação econômia estável, a fim de que não venha afetar os negocios do capital nacional e internacional. Todos os assuntos debatidos entre os candidatos à presidência da República visam não levar em consideração as necessidades que envolvem o povo brasileiro. Essa questão é relegada a último plano, ou então, deixa isso pra lá. Vale dizer, esta democracia que estamos vivendo de pura não tem absolutamente nada. Atualmente estamos envolvidos no sistema ditatorial direitista, onde somente o poder econômico tem acesso aos bens da natureza e de consumo, o resto é o resto do restolho, que não serve nem para alimentar cachorro.

  2. Comentou em 22/03/2006 antonio costa júnior

    Na verdade eu tenho uma pergunta, como não consegui falar pelo 0800 vou deixá-la aqui.
    A pergunta seria para o professor Hpelio doyle.
    -Sendo o jornal um produto de mercado. Como poderia o repórter formular uma matéria mais esclarecedora ao leitor? Porém sem deixar de lado as técnicas jornalisticas, como por exemplo o lide.

  3. Comentou em 21/03/2006 zilia lima rocha

    Essa do caseiro ninguém merece! É tão bizarro o fato pra não dizer ridículo, principalmente se levar em conta os milhares de escândalos da era FHC e seus asseclas e os atuais envolvendo os costumeiros de sempre que estão aí a perder de vista no poder dos Estados…Manipulação não, não aceito! Isso é jogo sujo!

  4. Comentou em 21/03/2006 Jose de Almeida Bispo

    O Observatorio da Imprensa está a extrapolar sua competência. Em tese, o espaço aqui é pra discutir a imprensa, seus aspectos positivos e negativos, acerto e erros; e não politicagem do governo e da oposição. Tá todo mundo engalfinhado em detonar ‘essa raça pelos próximos trinta anos.’ Não adianta argumentar: é história de lobo se preparando pra comer cordeiro. A Venezuela é aqui.
    Mas não se trata de fato inédito. Visite http://markltda.blog.uol.com.br (apenas uma pequenina amostra da situação)

  5. Comentou em 21/03/2006 Jose de Almeida Bispo

    O mais lamentável, caro Jorge, é que o Observatorio da Imprensa, supostamente (êta palavra usada atualmente) tem a função de criticar a imprensa – seus fatos positivos ou negativos – todavia, o que o Malin, Dines e tantos outras aqui trabalhando não é mais a imprensa já que a Revista Época – que publicou a denúncia – pouquíssimo é citada, ou o restante da mídia a posteriori. Estamos diante de um caso de extrapolação da competência. E ainda Malin me vem querer enfiar na cabeça que não faz parte do esquema de ‘descontrução’ do governo Lula. Basta a resposta nada facciosa dada na edição do último artigo nele ewm que ousei mostrar um pouco (quase nada) sobre a realiaded do PT. Já desqualificando meu trabalho no blog http://markltda.blog.uol.com.br por eu ter dito aqui neste blog que os políticos da atualidade que mais sangraram nas mãos da grande midia foram Lula e Maluf. O Malin é taxativo: os dois tem tudo a ver. E ainda quer passar a idéia de não pertencer à DIREITA RAIVOSA

  6. Comentou em 21/03/2006 Marco Antônio Leite da Costa Leite

    Continuando texto anterior.
    Temos também ator que alto intitulabom mocinho, aquele que se posiciona do lado esquerdo do tablado, porém na ora de marchar junto com o elenco, ao invés de volver a esquerda, tem pôr habito contornar a direita. Outro modelo de ator se caracteriza pelo posicionamento verbal, com o objetivo sórdido de enganar um público que não esta acostumado com discurso meramente fariseu. O vira-casaca quando percebe que o gado vai atolar, rapidamente muda de pasto. O ator legume fica com a incumbência de distribuir nabo a celeta platéia. Considerando que o artista milagreiro seja um santo, este solicita para os ouvintes que ponham em prática uma súplica religiosa para que ocorra um acontecimento espantoso. Outrossim, os canastrões, monstros e assemelhados estão sempre na retaguarda esperando um descuido dos atores principais, a fim de tirar proveito pessoal da sofrida peça teatral. Senhores eleitores não vamos esmorecer com essa tramóia atual, precisamos sim, ter muita coragem e consiência política, com certeza, conseguiremos um dia, expressar a nossa vontade no ator que vira para trabalhar em prol do país, o qual somos nós. Marco

  7. Comentou em 21/03/2006 Jorge xavier

    pois é Mauro (obrigado pela atenção),

    entendo que o jornalista, ou veículo de comunicação, não tem o direito de manipular informações, dados, estatísticas,cenários ou ánalises para atingir um interesse: por exemplo, impedir a escalada de um grupo stalinista, que poderia, em tese, no futuro, aniquilar as conquistas democráticas recolhidas com muitos sacrifícios. Se o jornalista (ou o órgão de comunicação) assim atua, manipulando, acaba dando razão àqueles que suspeitam que eventual manipulação atende a interesses menos nobres que a defesa da liberdade ameaçada.
    Em resumo: é dever dos jornais noticiar, quanto à crise atual: 1) que há fortes indícios de ligação de 1 ministro de estado com corrptos e corruptores; 2 – que há fortes indícios de que o último acusador do ministro não é testemunha confiável (porque foi comprado ou porque tem caráter duvidoso, sendo capaz de extorquir o pai biológico) 3 – que a CPI dos bingos apura tudo, menos os exploradores de bingo (alguns deles financiadores de campanha).
    O leitor (futuro eleitor)é quem deve decidir, à luz das informações que receberá, o que é melhor para ele.
    Qualquer coisa fora disso é desonesto, é arrogante é perigoso (porque pode nos trazer a sensação de que não é tão necessária a liberdade de imprensa, já que a liberdade é relativa, ao só atendet interesses de quem paga).Obrigado pela atenção,de novo.
    jorge xavier.

  8. Comentou em 21/03/2006 José Carlos dos Santos

    Caro Mauro, baseia-se em quê a sua suposição de que foi o governo que vazou os extratos da conta, o quê lhe garante isso? Se você sabe quem foi diga sem rodeios, agora se você não sabe então não acuse sem provas, afinal um erro não justifica o outro, abraços

  9. Comentou em 21/03/2006 Célio Mendes

    mutuamente porem ultimamente tem se verificado que quando o ‘erro’ desfavorece a oposição ele se torna mais contestável do que quando a favorece, a fita que iniciou a crise foi obtida de forma ilegal mas à época a midia considerou isso desimportante e se concentrou no que ela revelava, agora descobre-se, através de uma violação ilegal do sigilo do caseiro, que este tem uma movimentação pra la de imcompativel com sua renda, e sua justificativa é tão crivel quanto a do funcionario dos Correios pego achacando empresarios, mas neste caso o que é importante investigar é a violação em si e não o que ela revelou, me parece que ha dois pesos e duas medidas.

  10. Comentou em 21/03/2006 jorge xavier

    não se trata de justificar um erro pelo outro. Trata-se de apontar a manipulação da cobertura jornalística. Quando a crise acabar (no dia anterior ao segundo turno da eleição de presidente),vença quem vencer, haverá um grande perdedor: o bom jornalismo. E o bom jornalismo nos fará muito mais falta no próximo período (quando outro, ou o mesmo, for o governo): é que haverá recrudescimento das práticas ilegais (vazamentos inclusive). Nós, que em nada participamos da crise, ficaremos à procura, de lupa, de um jornalista ou veículo de comunicação que seja, na medida do possível, isento. Um abraço Jorge Xavier.

  11. Comentou em 21/03/2006 jorge xavier

    não resta dúvidas que foi grave – gravíssimo – a violação do sigilo bancário do caseiro. Por outro lado, como tem sido recorrente, a cobertura jornalística é eivada de má-fe. Há poucos dias a revista VEJA publicou uma repoertagem indicando que Duda Mendonça, e família, teriam algo em torno de U$ 15.000.000 em ‘paraísos fiscais’; logo depois o Correio Braziliense divulgou a declaração de renda e bens de um assessor do ministro da Fazenda, apontando a incompatibilidade do valor recebido em salário com a evolução patrimonial; quase toda semana algum veículo divulga conteúdo dem interceptação de comunicações telefônicas (que a lei diz ser sigilosa até para o advogado do acusado de crime). Ou seja, compactuar com violação de dados constitucionalmente protegidos é prática corriqueira da imprensa. Nem se venha dizer que agora o fato é mais grave, porque patrocinado pelo governo – ‘governo’ é conceito jurídico e sociológico que os jornalistas têm obrigação de conhecer – e não há demonstração disso (ainda). Também os vazamentos dos sigilos que abastecem os jornais e revistas são oriundos de agentes públicos (promotores, delegados de polícia, fiscais, etc.). Assim, entendo que a demonstração de má-fé na cobertura dos últimos escândalos reside no seguinte: há possibilidade de o caseiro ter sido comprado ou ser um chantagista (expoliou o próprio pai); violação de sigilos é recorrente na imprensa.

  12. Comentou em 21/03/2006 ronald bittencourt

    Ouvi falar que o vizinho do tio de uma conhecida minha que encontrei na fila do cinema disse que o Tião da Mangueira é namorado do ministro. Quero ser ouvido na CPI do fim do mundo…….Estão tentando inibir a minha opinião… Quero ser ouvido… De preferencia que algum empresário PAPAI NOEL deposite alguma coisa na minha conta, é claro.

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