Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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>>Delcídio sob pressão
>>O pano de fundo é a improbidade

Por Mauro Malin em 04/10/2005 | comentários

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Delcídio sob pressão


O presidente Lula continua a tentar desmoralizar as denúncias de corrupção no governo e no PT. A pressão é tão grande que o senador Delcídio Amaral falou ontem em renunciar à presidência da CPI dos Correios. A imprensa ainda não explicou o que levou o senador a essa disposição extremada, sobretudo no momento em que teve apoio do deputado José Eduardo Martins Cardoso em sua gravíssima hipótese de que o PT tenha recebido dinheiro do exterior, ainda que proveniente de fundos alimentados a partir do Brasil.



Retórica chavista


Ontem à noite, no Roda Viva, da TV Cultura, os jornalistas que entrevistaram o presidente Hugo Chávez foram combativos, com uma ou outra exceção. Mas o coronel usa uma retórica de palanque. A produção do programa só escalou amigos de Chávez para fazer perguntas gravadas. Entre eles um diretor da empreiteira Odebrecht e a cantora Beth Carvalho, que mandou e ganhou beijinhos de Chávez, animador de programas de televisão na Venezuela.


Logo no início, Chávez disse que seu governo trata de diversificar a economia venezuelana. Infelizmente, ninguém lhe pediu um detalhamento dessas ações.


Mas Chávez deu um exemplo que poderia ser imitado pelo presidente Lula: uma verdadeira, embora limitada pelo formato, entrevista coletiva.


O bispo virou a mídia


Um homem determinado subverteu os planos de mídia do governo para a divulgação do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. Passou de “agenda positiva” a encrenca. Desde sábado, o único noticiário que aparece a respeito da transposição é relativo à greve de fome do bispo de Barra, Dom Luiz Flávio Cappio. O Jornal Nacional, agente fundamental da ofensiva propagandística do governo, pela primeira vez mostrou imagens do protesto quando o senador Antônio Carlos Magalhães e um enviado do presidente Lula visitaram o bispo em Cabrobó, Pernambuco, ponto previsto para o início da obra. Ontem, como outros telejornais, voltou ao local. Apareceram, diante da sede da Fiesp, onde o presidente Lula participou de um evento empresarial, faixas a favor do bispo e contra a transposição. Nesta terça-feira, 4 de outubro, o Estado de S. Paulo e a Folha finalmente abrem espaço para o protesto. O número de apoiadores esperados hoje em Cabrobó já se conta aos milhares. O Vaticano reluta em marcar audiência do papa Bento XVI com o presidente Lula em pleno protesto do bispo, que não é “suicida”, nem “baiano”, como escreve hoje Nelson de Sá na Folha. Para completar, Lula encarregou esse grande diplomata chamado Ciro Gomes de travar o diálogo. Não seria melhor o presidente ir a Cabrobó conversar com um religioso que declarou seu voto nele?


Vocabulário de Lula


O presidente Lula disse ontem a respeito do protesto do bispo: “Greve de fome é judiar do próprio corpo”. Na boca de um presidente da República, esse eco de um preconceito ancestral contra os judeus traduz despreocupação com a natureza e a liturgia do cargo. A imprensa acatou sem reparos o vocabulário de Lula.


O pano de fundo é a improbidade


O Alberto Dines mostra que a improbidade permeia os diferentes focos dominantes do noticiário.


Dines:


– Mauro: o jornalismo é oferecido em doses periódicas, cada dia com um fato dominante, cada edição um novo capítulo, nem sempre da mesma história. O cenário atual parece oferecer tramas diferentes – ontem começou a campanha sobre o referendo, hoje temos a crise transferida para a própria CPI dos Correios e nos cadernos de esportes mantém-se há dias a vergonhosa máfia do apito. No fundo, apesar das aparências discrepantes, é a mesma e antiqüíssima improbidade. A discussão sobre o desarmamento seria menos premente se o contrabando de armas não favorecesse os bandidos. As CPIs estariam mais adiantadas se a luta contra corrupção fosse de fato transformada em prioridade nacional. A sujeira nos gramados já teria desaparecido se as denúncias de corrupção no esporte fossem mantidas sempre nas primeiras páginas. É o que vamos fazer hoje à noite no Observatório da Imprensa – discutir o esporte como se fosse política. Não esqueça, às dez e meia na rede da TVE e às onze da noite na rede da TV-Cultura.


Lance na televisão


O jornal Valor noticia hoje que o grupo Lance, capitalizado com recursos estrangeiros, prepara para novembro entrada em rádio e televisão. O grupo pretende se tornar o maior fornecedor de conteúdo de esportes do país, segundo seu diretor-presidente, Walter Mattos Júnior.


Dificuldades no campo


Não será surpresa se a próxima onda de inquietação econômica for uma crise dos produtores de grãos. O ministro da Agricultura tem feito seguidas advertências a respeito de problemas financeiros no campo. O caderno Dinheiro da Folha noticia hoje que, “para pagar dívidas, agricultores desovam estoques por qualquer valor”. Esse movimento explicaria a queda dos preços de pão, óleo de soja, arroz e carne.


Portão arrombado


Durante a meteórica ascensão de Edemar Cid Ferreira, a mídia praticamente ignorou o que à boca pequena se dizia do empresário. Depois da falência do Banco Santos não param de surgir notícias de irregularidades. Para os aplicadores lesados, agora é tarde.

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