Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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>>Desmatamento e violência
>>O crime estatizado

Por Luciano Martins Costa em 03/06/2008 | comentários

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Desmatamento e violência

Em apenas um mês, abril deste ano, foram desmatados 1.123 quilômetros
quadrados de florestas na Amazônia.

A área equivale ao território da cidade do Rio de Janeiro.

Segundo o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Mato Grosso
foi outra vez o Estado onde a cobertura florestal foi mais
extensivamente destruída, com mais de 70% do desmatamento constatado
no período.

Esses são os ingredientes do novo capítulo do embate entre o recém
empossado ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e os grandes
produtores rurais, representados pelo governador do Mato Grosso,
Blairo Maggi.

A queda-de-braço envolve tentativas de reduzir as exigências legais
para atividades agropecuárias na região amazônica, muito tráfico de
influência e a disputa por espaço na mídia.

Mas no embate verbal, que garante tempo na televisão e páginas de
jornal, o ministro tem mostrado mais talento.

Na edição de hoje, Carlos Minc observa que entre 70 e 80% do
desmatamento é provocado pela pecuária.

Ele anuncia que vai passar a apreender o gado encontrado em áreas
desmatadas ilegalmente.

E lança a expressão ‘boi pirata’.

A imprensa adorou.

Do outro lado, segundo a Folha, o presidente do Movimento Nacional dos
Produtores, João Bosco Leal, chama o ministro de ‘debilóide’.

Mas quando o noticiário é feito basicamente de declarações, falta
espaço e tempo para informações importantes que ajudem o leitor a
entender as bases do problema e avaliar a eficácia das políticas
públicas na Amazônia.

Hoje, por exemplo, apenas o Globo acrescentou ao debate sobre o
desmatamento um dado adicional que ajuda a entender a complexidade da
ocupação da maior floresta tropical do planeta.

Trata-se da questão da violência.

Numa borda de página dedicada às discussões sobre os números do
desmatamento, o Globo noticia o julgamento de um fazendeiro do Pará,
Décio Barroso Nunes, pelo assassinato do sindicalista José Dutra da
Costa.

Nunes é dono de 130 mil hectares de terras no município de Rondon.

Há mais de uma década é apontado como autor de grilagem e outros crimes.

Faz sete anos que ele é acusado de ter sido o mandante da morte do
dirigente sindical.

No primeiro julgamento, realizado em Rondon, Nunes foi absolvido, com
o apoio da própria promotoria.

A notícia de que será levado a júri em Belém se junta a outros casos
ainda pendentes, como o do assassinato da missionária Dorothy Stang.

Os jornais estão adorando noticiar o bate-boca entre Carlos Minc e Blairo Maggi.

Enquanto isso, outros dramas se desenrolam nas zonas de conflito entre
a agropecuária e a floresta.

O crime estatizado

O Observatório da Imprensa na TV havia planejado discutir os duzentos
anos do jornalismo no Brasil.

Mas um atentado contra jornalistas no Rio de Janeiro obriga a colocar
em debate um tema mais urgente: a liberdade de informar.

A impunidade de criminosos pagos pelo Estado, que dominam comunidades
inteiras no Rio, tem a ver com o esquema de propinas supostamente
comandado pelo ex-governador Anthony Garotinho?

Alberto Dines:

– O ‘Observatório da Imprensa’ vem acompanhando as diversas comemorações
referentes aos 200 anos da imprensa brasileira.

A edição desta noite deveria contar a façanha de Hipólito da Costa
iniciada em Londres, no dia 1 de Junho de 1808. Ao longo de 14 anos,
nosso primeiro jornalista escreveu, revisou, dirigiu e administrou o
Correio Braziliense, a universidade aberta que tornou possível nossa
emancipação.

A violência das milícias que controlam as favelas do Rio de Janeiras
contra os repórteres do jornal O Dia exigiram uma alteração na
pauta. Hipólito da Costa, preocupado com a função social do
jornalismo, aprovaria a mudança. Hoje, à meia-noite e dez na Rede
Cultura. Na TV-Brasil, ao vivo, às 22:40.

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