Domingo, 24 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Programa nº 121

Mauro Malin

>>Dirceu antagonizado
>>O jogo está longe de terminar

Por Mauro Malin em 20/10/2005 | comentários

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Dirceu antagonizado


José Dirceu completou ontem, com o Supremo Tribunal Federal, um circuito de combate nos quatro poderes da República, se a mídia for computada. A torcida contra o deputado na imprensa é evidente. Não é justificável, mas não é gratuita. Dirceu cavou a hostilidade. Principalmente porque é um antigo beneficiário das manipulações midiáticas. Ninguém gosta de ser passado para trás. Seria bom que outros políticos influentes pensassem nisso.


Tarso e Caixa 2


Enquanto o caso do prefeito de Santo André Celso Daniel recusa-se a morrer, o ex-ministro Tarso Genro junta-se às declarações oficialistas que procuram atenuar as infrações financeiras do PT e dos outros partidos. A mídia não pode perder de vista que há uma ligação muito forte entre dinheiros escusos e um submundo cujo limite é o crime.


Os tesoureiros


Subiu à cena um ex-tesoureiro do PSDB, Cláudio Mourão. Junta-se a Delúbio, do PT, Palmieri, do PTB, Lamas, do PL. Uma averiguação séria dos esquemas de financiamento da política não poderia deixar de fora tesoureiros de outros ilustres partidos, como o PMDB e o PFL. Nesse terreno, a mídia continua trabalhando de modo reativo. Conviria levar em conta uma frase lapidar de Cláudio Mourão: “Não conheço nenhum grande doador de campanha que não tenha negócios com o governo”.


Delúbio Soares, informa Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo desta quinta-feira, 20 de outubro, é um poço até aqui de mágoa, mas não pretende revelar, em sua defesa perante o PT, nomes de beneficiários dos esquemas que pilotou. Marcou reencontro com seus ex-companheiros no “Tribunal da História”, ilusório consolo dos que são condenados nos tribunais dos homens.


O jogo está longe de terminar


O Alberto Dines chama a atenção para a necessidade de dar continuidade à discussão dos problemas de fundo da política brasileira.


Dines:


– Mauro, parece que o noticiário político está sendo influenciado pelo noticiário esportivo: “Dirceu perde no Supremo”, “Dirceu ganha na Comissão de Constituição e Justiça.” Claro, quando há uma votação é preciso dar os resultados, mas os resultados apenas não são suficientes. A filósofa Marilena Chauí, na última edição do “Observatório” na TV, terça-feira, mencionou a fragmentação do noticiário, a avalanche de pequenas notícias que às vezes não conseguem fazer o recorte da situação, mesmo quando sensacionais.


Um determinado placar numa disputa esportiva não significa que o jogo já acabou. Neste caso do ex-ministro Dirceu é imperioso deixar claro para os leitores que este jogo ou esta crise está longe de terminar. Ela precisa ser levada até o fim não apenas para evitar pizzas e impunidades mas sobretudo para evitar mazelas sem solução. Este jogo só estará encerrado quando decidirmos tocar a reforma política e a reforma eleitoral. Não adianta falar em deputados corrompidos e ministros corruptores enquanto assistimos ao nascimento de um novo partido de aluguel tutelado pelo próprio vice-presidente da República.


Referendo fora do lugar


Duas pesquisas mostram como o objeto do referendo do próximo domingo está cada vez mais distante. A da empresa Toledo e Associados constatou que 15% dos entrevistados disseram sim querendo dizer não e vice-versa. Esse é o resultado de uma pergunta mal formulada. A das empresas MCI e Ipespe parece identificar a contaminação da discussão sobre segurança pública por antagonismos políticos: o presidente Lula apoiou o sim, e quem apóia o sim apóia o presidente Lula. Quem não gosta do governo está com o não, segundo essa pesquisa.


Nesse referendo, está tudo fora do lugar.


Assembléia desconhecida


O deputado estadual petista Carlos Neder, que já foi vereador, constata que a mídia está excessivamente distante dos trabalhos da Assembléia Legislativa paulista.


Neder:


– Exercendo o mandato de deputado estadual há nove meses, o que eu tenho observado, depois de ter passado pela Assembléia Legislativa e anteriormente na Câmara Municipal de São Paulo, é que há um grande desconhecimento sobre o parlamento estadual, o papel dos deputados estaduais e aquilo que se discute na Assembléia Legislativa. A impressão que eu tenho é de que boa parte desse problema decorre de uma incompreensão sobre a esfera estadual num regime federativo, como o nosso, em que a União e os municípios têm atribuições muito bem definidas e para a maioria da população há um desconhecimento sobre o papel da esfera estadual. E freqüentemente a imprensa analisa os atos do poder executivo mas em relação à Assembléia Legislativa pouco se fala, não se acompanha o debate, a produção legislativa, e há coisas muito interessantes acontecendo na Assembléia que eu acho que deveriam ser objeto de uma atenção maior por parte dos órgãos de imprensa.


Herzog, 30 anos


Foi lançada ontem à noite no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo a sexta edição do livro Dossiê Herzog – Prisão, Tortura e Morte no Brasil, de Fernando Pacheco Jordão. É um livro excepcional.


No prefácio da nova edição, Fernando Jordão diz que os protagonistas dos episódios de 30 anos atrás tinham perfeita consciência do momento vivido: “Sentíamos todos que o sacrifício de Vlado representava, para a sociedade civil, que se levantou indignada, o ponto limite da submissão a um regime militar marcado pela brutalidade indiscriminada da repressão”.


Em parceria com o Observatório da Imprensa, o Museu da Pessoa criou um site especial com depoimentos sobre a morte de Vladimir Herzog. O endereço é www.museudapessoa.net.


Processo incivilizatório


Autoridades públicas e outras instâncias responsáveis da sociedade deveriam dar atenção a um fenômeno de civilização, ou incivilização, que marca o início do século XXI brasileiro: a festa do futebol está sendo derrotada pela selvageria da marginalidade.

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/10/2005 Helenice Araújo Costa

    Aí está o motivo por que, não apenas os petistas, mas também os leitores, telespectadores, ouvintes e usuários da Web, enfim, os cidadãos comuns que têm senso de justiça (entre os quais eu me incluo) reclamam da mídia. Com raríssimas exceções, usam-se pesos e medidas rigorosos para tratar dos erros do PT e de outros partidos de esquerda. Quando se trata de noticiar os erros praticados pela oposição raivosa, representada principalmente pelo PSDB e o PFL (Veja-se, por exemplo, o depoimento do tesoureiro do PSDB) tudo vira pluma. Não tem peso.

  2. Comentou em 20/10/2005 JOSÉ CARLOS ARAÚJO DE MEDEIROS

    Dúvidas sobre o referendo: 1) O que se está votando no referendo não é a permissão para portar, guardar, usar ou comprar armas, isso é proibido por lei, quem desobedecer estará cometendo crime inafiançável; o referendo visa permitir ou não a comercialização de armas. Aliás, para que comercializar armas, se elas são proibidas? 2) Não existe direito de portar, possuir, deter ou adquirir arma, o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03) proíbe, sob pena de reclusão de dois a quatro anos. Portanto, nem a Constituição Federal, nem as leis permitem que qualquer civil porte, use ou guarde arma de fogo, exceto os legitimados nessa lei, logo, não há retirada de direito do cidadão; 3) Não existe o benefício da dúvida, com relação a ter arma em casa, a lei é clara quando proíbe o cidadão comum de portar ou guardar uma arma de fogo. Se a lei proíbe ter arma, ninguém poderá tê-la em casa, sob pena de cometer crime inafiançável. Portanto, o bandido já sabe que não existe arma nas casas dos cidadãos, logo, não há benefício da dúvida. 4) Quanto à legítima defesa, não se pode usar arma em casa e alegar legítima defesa, em razão de ser crime inafiançável usar arma. Se a lei não permite usar arma, como poderia o cidadão cometer um ato ilícito para alegar legítima defesa? Se o cidadão o fizer, cometerá crime por usar arma e isso poderá ser considerado excesso na busca da legítima defesa, o que pode fazer com que o cidadão responda por lesões corporais ou homicídio. 5) Quanto à questão da segurança pública, vivemos em um Estado Democrático de Direito, o cidadão não pode querer resolver os problemas sociais buscando a justiça pelas próprias mãos, jamais alguém poderia sair com uma arma para resolver a segurança pública ou para desarmar os bandidos, pois isso é crime. Caberá aos cidadãos exigir que os Órgãos Públicos cumpram suas funções institucionais e sociais.

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