Quinta-feira, 20 de Julho de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº950

Programa nº 485

Mauro Malin

>>Dois jornalistas no governo
>>O risco de um PCC nacional

Por Mauro Malin em 23/03/2007 | comentários

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A Ipiranga e a Mangueira


A investigação aberta pela Comissão de Valores Mobiliários contra 26 investidores suspeitos de usar informação privilegiada na compra da Ipiranga pode ser um marco na história do pré-capitalismo brasileiro.


Mas o Estado e a mídia têm no Brasil dois pesos e duas medidas. Ontem, na favela da Mangueira, no Rio, um homem rendido foi executado pela polícia. Os protestos foram noticiados como baderna. No caso da Ipiranga, o segredo de Justiça não permite divulgar nos nomes dos acusados.


Os heróis e o atraso


O presidente Lula exaltou os usineiros de cana-de-açúcar como heróis e isso provocou noticiário sobre o lado mais atrasado do agronegócio brasileiro, o regime de trabalho a que são submetidos muitos cortadores de cana. Lula atirou no que viu e acertou o que não viu, porque a imprensa cumpriu seu dever.


[Manchete da Gazeta Mercantil: “Perda bilionária ronda os cofres do governo. Usineiros de álcool, chamados de heróis pelo presidente Lula, podem receber ao menos R$ 10 bilhões”. A Advocacia Geral da União informa que as indenizações pedidas podem chegar a R$ 50 bilhões. “O setor reivindica ressarcimento de prejuízos com o tabelamento de preços na década de 1980”, diz o texto.]


Dois jornalistas no governo


Alberto Dines fala das posições contrastantes de dois jornalistas que passam a integrar o governo Lula.


Dines:


– Com a indicação de dois jornalistas para compor o seu ministério o presidente Lula faz história. Mesmo que Miguel Jorge e Franklin Martins tenham posições visivelmente conflitantes tanto em matéria política como jornalística, a presença de ambos justamente pelas diferenças, pode ajudar a contornar o perigoso confronto entre governo e imprensa iniciado na fase final das eleições presidenciais. O ministro Miguel Jorge deixou há muito as lides jornalísticas, embora continue colaborando periodicamente com o Estadão na qualidade de articulista. Mas como ministro do Desenvolvimento e ponte para o mundo empresarial, certamente deverá funcionar como moderador no caso de eventuais recidivas. Franklin Martins, cujos comentários políticos eram modelares em matéria de equilíbrio, agora terá um desafio ainda mais difícil do que entender a situação e a oposição porque será encarregado de cuidar simultaneamente de searas tão opostas como imprensa e propaganda. Ontem os jornais registraram a contrariedade ostensiva do ministro Hélio Costa ao reconhecer que a questão da Rede Pública de TV doravante será da competência do ministro da Cultura Gilberto Gil. Isso significa que o governo tem no momento quatro especialistas em comunicação. Em matéria de pluralismo é ótimo. Em matéria de surpresas, boas e más, as promessas são imprevisíveis e inesgotáveis.


Ministério da Comunicação


Hoje o Globo destaca o papel de Miguel Jorge, como chefe de redação do Estadão, na malfadada greve dos jornalistas de 1979. Um episódio que ainda precisa ser narrado e estudado com detalhes. E Franklin Martins vai mesmo dirigir um ente chamado Ministério da Comunicação, misturando informação com verba publicitária.


O risco de um PCC nacional


Hoje faz nove meses que o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, inaugurou o primeiro presídio federal brasileiro, em Catanduvas, no Paraná. Quase um mês depois, em julho, Fernando Beira-Mar foi transferido para esse presídio. Quando, no início de janeiro, 12 condenados do Rio, considerados a cúpula do crime organizado no estado, foram mandados para lá, o número de presos em Catanduvas chegou a 125 homens. E desde então quase nenhuma informação foi publicada sobre essa prisão.


Nos meios penitenciários há quem critique o fato de que a permanência em Catanduvas, pelo próprio regulamento interno, é temporária. O preso sabe que em um ano, ou pouco mais, voltará ao estado de origem. Teme-se que o convívio de chefões de diferentes estados possa originar a formação de uma espécie de PCC nacional.


O doleiro da lavanderia


Os jornais de São Paulo subestimaram a operação que atingiu um esquema de lavagem de dinheiro de traficantes. Quem quiser avaliar melhor sua importância, destacada ontem nos telejornais, deve recorrer aos jornais do Rio. O que apenas se ensaia no noticiário, por enquanto, é mostrar as conexões do mundo do tráfico com o mundo considerado legal, ou tolerado. Um doleiro foi preso na operação. Segundo o Globo, ele é conhecido por “trabalhar para empresários brasileiros e ídolos de futebol do Rio”.


Duelo latino


A parceria entre a espanhola Telefônica e a TVA é contestada pela Associação Brasileira de TV por Assinatura. Mas a NET, que predomina na ABTA, tem sociedade com a Telmex, a gigante mexicana de telefonia.

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  1. Comentou em 25/03/2007 Grana rgergerger

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