Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 709

>>É carnaval
>>Enquanto isso, na floresta

Por Luciano Martins Costa em 04/02/2008 | comentários

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É carnaval

A folia continua, mas não há como superar O Globo na melhor cobertura do carnaval deste e de muitos anos anteriores.

Não pela narração dos desfiles, pela descrição das fantasias e das alegorias, mas por duas reportagens que revelam a verdadeira natureza daquela que já foi a maior festa popular do Brasil.

Para produzir a primeira das reportagens, o repórter Sérgio Ramalho freqüentou a quadra da Mangueira durante algumas noites de sábado, observando os ensaios da escola, e na edição de ontem descreveu como o carnaval se transformou no grande evento dos traficantes de droga do Rio.

A reportagem lembra que o chefe do tráfico no morro da Mangueira, que é considerado foragido pela polícia, é um dos autores do samba-enredo da escola de samba mais tradicional do Rio neste ano e estende sua influência a outras agremiações, onde também contribui com seus dotes de compositor e como ‘benemérito’.

Mas o que mais impressiona, no relato publicado ontem, é o domínio territorial dos criminosos, que abrem seu comércio junto à quadra da Mangueira, sem que sejam incomodados pela polícia.

Jovens de classe média alta e turistas se misturam a meninos de rua viciados, que trabalham como intermediários entre os traficantes e os consumidores. Tudo a vinte metros do posto da Polícia Militar.

Coincidentemente, conforme relata o Globo, durante o maior movimento no período carnavalesco as apreensões de drogas pela Polícia Militar se reduzem a quase nada.

Na outra página da reportagem publicada domingo, o Globo conta como os bicheiros do Rio, contra os quais o Ministério Público e a Justiça fazem uma persistente operação há quinze anos, ainda são dos donos da Liga das Escolas de Samba.

Um contrato entre a prefeitura do Rio e a Liga privatizou o carnaval carioca. Neste ano, o poder público entra com 25 milhões de reais, sendo 12 milhões da União e o resto do Estado e do município do Rio. A festa é completada pelos patrocínios, que elevam as verbas da Liga das Escolas de Samba a 85 milhões de reais.

A Petrobrás é, de longe, a maior patrocinadora.

O Globo entrevistou o advogado do bicheiro Aniz Abraão David, que apesar de seus problemas com a Justiça segue mandando e faturando no carnaval.

Ele disse que a Liga das Escolas de Samba é a única coisa que funciona no Brasil.

A reportagem também procurou a Petrobrás. A empresa emitiu nota oficial dizendo que tudo bem: o carnaval gera bastante visibilidade para a marca.
 
Os outros jornais cobriram o carnaval como sempre: com muita fantasia e nenhuma relação com a realidade.

Enquanto isso, na floresta

O Estado de S.Paulo insistiu, durante o final de semana, em esclarecer se o desmatamento da Amazônia realmente aumentou nos últimos meses de 2007 ou se o governo tem razão em comemorar a redução dos níveis de devastação nos últimos anos.

As reportagens publicadas nos últimos dias não permitem ao leitor concluir se continuamos destruindo aceleradamente um dos maiores patrimônios naturais do planeta ou se há alguma esperança além da fumaça.

Alberto Dines:

– A mídia está sendo alarmista ao insistir nas denúncias sobre o desmatamento da Amazônia? Ou ela faz aquilo que lhe cabe na equação republicana – alerta a sociedade e apressa a reação das autoridades? A mídia, sobretudo a mídia impressa e, sobretudo, a mídia diária,  está se comportando corretamente – está investindo em reportagens de interesse público. Custa caro mandar um dupla de repórteres ao Mato Grosso ou Pará e mantê-los lá durante alguns dias ou semanas. Mas sem investimento não se faz reportagem e sem reportagem não se faz jornalismo. Não adianta reproduzir declarações dos ambientalistas ou repetir as sinistras estatísticas sobre a  devastação da Amazônia. O leitor só vai sensibilizar-se quando perceber que os jornalistas saíram do conforto da redação e estão no local do crime, correndo perigo e cumprindo a sua missão. Mas as autoridades não deveriam sentir-se confrontadas pelas denúncias da imprensa. Ao contrário. O governo só tem a ganhar quando se mostra sensível aos alarmes emitidos pela mídia. Quando resiste às evidências corre o risco de passar por cego. Ou o que é pior, por cúmplice.

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