Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

Programa nº 710

>>É quarta-feira
>>Cartão amarelo

Por Luciano Martins Costa em 06/02/2008 | comentários

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É quarta-feira

O carnaval terminou na mídia como havia começado: com a folia dos cartões de crédito corporativo voltando ao desfile e os bastidores da política ocupados novamente com barganhas para impedir uma nova CPI.

O enredo é conhecido dos brasileiros: gente do governo, ou próxima dele, é apanhada com a mão na massa, a imprensa faz seu trabalho de amplificar as denúncias, e as alas das agremiações no poder se ajeitam como podem para recompor a harmonia e fazer o desfile continuar.

No carnaval, como na política, seguem acontecendo os rituais misteriosos para os não iniciados: por exemplo, o beija-mão do bicheiro Aníz Abraão Davi, patrono da escola de samba Beija-Flor e um dos imperadores do carnaval carioca, reuniu de ex-diretores globais a políticos.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e o presidente do Partido Democratas, deputado Rodrigo Maia, foram vistos na prestação de honrarias ao delinquente, condenado pela Justiça e ainda investigado na operação Furacão, da Polícia Federal.

Houve, é claro, os desastres de sempre na volta do feriado.

Os jornais contam 37 mortos nas estradas.

E a terça-feira gorda das eleições americanas quase rivaliza com a última noite de folia, na escolha dos editores.

Com um olho nas fantasias e outro na realidade, também o noticiário econômico encurta o tempo de recuperação dos foliões e amanhece a quarta-feira calculando o volume das cinzas de riqueza que o mercado ainda precisa produzir para se estabilizar após a quebradeira do setor de crédito imobiliário americano.

O Brasil aparece bem em todos os jornais, com chances de sofrer menos do que os outros países emergentes os efeitos dos rearranjos do sistema financeiro internacional.

No balanço final do carnaval, ainda ficamos sem saber se a devastação da Amazônia aumentou ou não em 2007, se os gastos irregulares com cartões de crédito do governo vão mesmo ser apurados.

O Congresso reabre com a pauta travada por nada menos do que sete Medidas Provisórias e a oposição promete endurecer o jogo.

Ameaçado por uma nova CPI, nosso mestre-sala segue seu desfile impávido: a imprensa parece ter queimado todos os rojões nos carnavais anteriores e não parece disposta a abalar o momento de bem-estar econômico por causa de uma conta mal-explicada.

Cartão amarelo

A fonte é o próprio Poder Executivo, e os fatos demonstram a inegável propensão do atual governo para a autofagia.

O novo escândalo envolve o uso de cartões de crédito corporativos, e as informações são divulgadas abertamente por um órgão criado pelo Executivo.

A demissão da ministra Matilde Ribeiro, campeã de gastos irregulares, não bastou para enterrar o assunto.

Alberto Dines:

– Há um novo complô da mídia contra o presidente Lula? As revelações sobre a utilização dos cartões corporativos no primeiro escalão podem ser vistas como uma cruzada da imprensa para complicar a vida do governo num ano eleitoral? Este tipo de reação ainda não foi registrado, em parte porque o próprio governo apressou a saída da ministra Matilde Ribeiro (apontada como a campeã de gastos com o cartão de crédito) para aliviar a pressão em favor de uma CPI. É possível que a mídia tenha aproveitado as informações do site Portal da Transparência para esquentar o noticiário político numa temporada marcada pelos recessos, pelo calor e pelo Carnaval. Mas o teor e o volume das revelações não é desprezível. Nenhuma foi desqualificada ou desmentida e nada do que foi revelado compromete a segurança da Chefia do Governo. Impossível ignorar as irregularidades ou deixá-las impunes. O país volta a funcionar hoje, depois do almoço, é possível que então as autoridades abandonem a postura reticente e adotem uma linha mais afirmativa a respeito das denúncias. O importante nesta história é que não está havendo vazamento de informações, nem manipulação de informações: o Portal da Transparência, de onde saem todas as informações sobre as despesas com os cartões corporativos, foi criado e é mantido pelo governo. Sua credibilidade não pode ser contestada. Se algum complô está sendo tramado é para diminuir a sua transparência.

Todos os comentários

  1. Comentou em 07/02/2008 Sostenes Silva

    A nossa midia e´ golpista nao tanto pela gritaria, mas pelo ensurdecedor silencio.

  2. Comentou em 07/02/2008 Sergio J Dias

    Nunca se falou tanto em escândalos quanto no momento atual. A cada dia aparece um escândalo e a imprensa burguesa parece querer utilizar desse artifício para deslegitimar o governo Lula, mas nada no governo de então, nem mesmo o ‘Mensalão’, se compara ao que aconteceu no Proer(Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional) e no Programa de Privatização das Estatais. Aquilo sim, podemos chamar de escandaloso, abusivo, fortunas foram erigidas, novos ricos surgiram e a mídia oficial se calou. A que interesses inconfessáveis ela serviu, talvez nunca saberemos.
    http://www.pelenegra.blogspot.com

  3. Comentou em 07/02/2008 Fritz Nunes

    Ok, queridos arautos da imprensa investigativa. E os mais de R$ 100 milhões gastos no carão corporativo do sr. José Serra, conforme denúncia divulgada pela AL de São Paulo punblicada no site do Paulo Henrique Amorim. Deste cartão alguém vai falar?

  4. Comentou em 06/02/2008 José Carlos

    Tá bom. Vamos combinar: não há complô da mídia. Mas como explicar porque os cartões corporativos usados, por exemplo, pelos governos estaduais não merecem a mesma atenção? Consta que os gastos de cartões corporativos do governo paulista é 44% de retiradas em dinheiro. Não seria mais suspeito?

  5. Comentou em 06/02/2008 Fábio Carvalho

    Agora o governo quer que o Senado faça uma CPI dos Cartões Corporativos. Seu líder, Romero Jucá, protocolou o requerimento na quarta-feira de cinzas. O período de investigação, 1998-2008, inclui os tempos de FHC. O governo tenta esvaziar uma eventual comissão mista porque não tem controle na Câmara – é o que noticia, repetidamente, a Folhaonline nesse dia 6. O Planalto colocou um trio de ministros na retranca: dados da segurança do presidente, nem pensar. Só ainda não entendi uma coisa. Como é que o Senado, em pleno gozo de seu renascimento político (segundo a Veja), admite assim, de barato, o suposto controle do governo sobre Álvaro Dias, Arthur Virgílio, José Agripino Maia, Heráclito Fortes, Tasso Jereissati, Kátia Abreu e outros tantos que aboliram a CPMF? Mistério…

  6. Comentou em 06/02/2008 janes pretto

    Sempre me pergunto: onde andavam esses ‘jornalistas’já que ninguém os conhecia? Eu era viciada em ler jornais, mas depois que percebi que estava sustentando um bando de simples fofoqueiros e robotizados, cancelei todas as assinaturas. Não faz mais parte do meu orçamento sustentar malandros midiáticos.

  7. Comentou em 06/02/2008 ubirajara sousa

    Sr. Dines, como o senhor pode ver, o povo já não é tão tolo assim. Veja os comentários sobre o seu artigo. Tomara que saia a CPI, pois o propósito de investigar o governo passado. Aí é que veremos cobras e lagartos saltando para todos os lados. espero que o senhor ‘dê uma força’ para que a CPI vá fundo na questão.

  8. Comentou em 06/02/2008 Euzebio Martins

    Os comentários acima, em sua maioria, mais parece uma defesa do atual governo, e com críticas ao governo anterior. Os excessos devem ser apurados, tanto faz do governo atual como do governo FHC, pois é o dinheiro do meu imposto que está saindo pelo ralo.
    Não podemos nos esquecer destes fatos nas próximas eleições.

  9. Comentou em 06/02/2008 alfredo sternheim

    É complô , sim, pelo tratamento diferenciado que certa imprensa dá ao esbanjamento de dinheiro público. Claro que a ex-ministra errou, mas não vejo jornalistas tipo C.Rossi, E.Catanhede e outros que só vociferam contra o governo Lula, cobrar transparência de gastos do poder legislativo, do poder judiciário. Vamos cobrar transparência para as verbas de gabinete dos congressistas, de assessores parlamentares, os gastos de gasolina, vamos nos indignar com os altissimos salários de professores em universades públicas, de maestros de orquestras pagas pelo governo estadual, de conselheiros de orgãos públicos e assim por diante. Só cair de pau nos gastos dos cartões é uma postura unilateral, é mais uma indignação seletiva de nossa imprensa, com evidente finalidades partidárias. Aqui memos, foram apontados outros desmandos com verbas públicas que, em outras coasiões, não geraram nem metade da celeuma agora vista com os cartões.

  10. Comentou em 06/02/2008 José Orair Silva

    Vamos exigir Portais de Transparência dos governos estaduais, dos poderes judiciário e legislativo, das prefeituras municipais, das empresas estatais, das ONGs, enfim, de todas as organizações em que o dinheiro público estiver envolvido. Será muito divertido. Pelo menos ficará claro quem está a favor da transparência ampla, geral e irrestrita e quem está a favor da transparência seletiva, limitada, partidária, parcial e quase cega.

  11. Comentou em 06/02/2008 Ivan Moraes

    Foi complot sim. Tem um a cada duas semanas estourando na media brasileira, todos contra o presidente. E o escaaaandalo ja acabou, mas so acabou porque ninguem da media vai perguntar a Fernando Henrique Cardoso a respeito de 4 anos de gasolina em quantidade suficiente pra 17 voltas aa terra, todos pagos com cartao corporativo do governo do Brasil. Eh que ele eh pobre, so tem 3 pensoes… Quando chega a assunto assim a media volta correndo pro seu [ ] de 11 andares.

  12. Comentou em 06/02/2008 Rogerio Silva

    Recebi por email e repasso por entender que essa questão dos cartões deve ir maus fundo. Vejam:

    Está no Portal da Transparência. Eduardo Maximiano Sacillotto Filho possui um cartão corporativo da Presidência da República. Ele é da segurança do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a que ele tem direito por lei criada pelo próprio FHC. O tipo de gasto que este funcionário público faz com o cartão que recebeu: abastecimento sistemático de combustíveis no Auto Posto Higienópolis, em São Paulo. Estes são os gastos feitos pelo cartão do suposto encarregado pela segurança do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso:

    2004 – R$ 4.683,45
    2005 – R$ 13.071,26
    2006 – R$ 13.480,10
    2007 – R$ 14.792,07

    O funcionário Eduardo Maximiano Sacillotto Filho, possui dois saques cash, ambos de R$ 100,00, em 2004. Seria muito bom que explicasse porque sacou estes R$ 200,00. No mais, são apenas notas de combustíveis, no mesmo posto de gasolina.
    E QUE DARIA PARA DAR 17 VOLTAS AO REDOR DO MUNDO, só em COMBUSTÍVEIS!!!

    O funcionário público Eduardo Maximiano Sacillotto Filho recebe AINDA diárias, TUDO PAGO PELO BOLSO DO CONTRIBUINTE.
    Ele recebeu os seguintes valores, em diárias:

    2004 – R$ 678,74
    2005 -R$ 9.863,92
    2006 – R$ 10.171,90
    2007 – R$ 7.366,04

    PERGUNTO: PARA QUE O SEGURANÇA DO FHC TEM CARTÃO CORPORATIVO DO GOVERNO E POR QUE A MÍDIA NÃO FALA SOBRE ISSO?

  13. Comentou em 06/02/2008 Marco Solevero

    Esse texto não é para julgar o quanto Matilde Ribeiro estaria certa ou errada. É para mostrar a diferença de tratamento dada pelo imprensa.

    José Serra quando era Ministro do Planejamento de FHC, usou jatinhos da FAB e hospedagem oficial no arquipélago de Fernando de Noronha para um paradisíaco fim de semana com a esposa e filho, em 1995.

    NÃO DEVOLVEU o dinheiro.

    NÃO PEDIU demissão. Continuou Ministro do Planejamento e depois retornou ao Ministério da Saúde.

    Ficou tudo por isso mesmo.

    A ‘FHCtur’ ainda fez ‘pacotes turísticos’ a Fernando de Noronha pagos pelo contribuinte para os então ministros Raul Jungmann, Antônio Kandir, Luiz Felipe Lampréia, Eliseu Padilha, Paulo Renato de Souza, Clóvis Cravalho, e brindou o então Engavetador Geral da República Geraldo Brindeiro.

    Clóvis Cravalho devolveu R$ 25.000,00 (referente à uma viagem, faltou ressarcir outras 4 viagens), quando o assunto veio a público, reconhecendo, com isso, que se tratava de farra com o dinheiro público.

    O engavetador Geraldo Brindeiro também devolveu R$ 18.000,00 quando foi denunciado.

    Não se tem notícias de outros que devolveram o dinheiro.

    José Serra alegou que viajara ‘à serviço’, em um fim de semana, para uma prosaica averiguação de uma estradinha de apenas 8 Km na Ilha.

    Detalhe: ele não era Ministro dos Transportes e sim do Planejamento.

    Desculpa esfarrapada…

  14. Comentou em 06/02/2008 Ruy Acquaviva

    Por que não se informa que os gastos nos cartões de crédito corporativos do atual governo são MENORES do que os do governo anterior? Por que não se informa que o atual govarno apresenta suas contas em aberto para a sociedade enquanto outros governos (governos anteriores , governos estaduais e governos municipais) não tem essa transparência? Por que chamar a apresentação de contas do governo federal de ‘propenção à autofagia’ e não de respeito ao contribuinte como de fato é? Por que não divulgar os vultosos e inesplicáveis gastos de gasolina do ex-presidente FHC (com até 4 tanques completados em um único dia ENQUANTO ELE ESTAVA VIAJANDO)? por que não divulgam que os gastos do secretário da Fazenda estadual de São Paulo é muito maior do que o da ministra que dizem ser recordista (e isso sem transparência para sabermos onde foi gasto tanto dinheiro)?
    E depois vem o Sr. Dines dizer que a mídia é isenta? Isso é chamar o leitor de idiota. Até parece que não estamos vendo que a imprensa esconde fatos importantíssimos da população, enquanto martelam informações parciais, para ‘formar opinião’. Não quero ‘formadores de opinião’ quero que se divulgue os fatos que estão sendo OMITIDOS pela imprensa.

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