Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

Programa nº 715

>>Entrevista: O livro das vidas
>>Jornalismo silenciado

Por Luciano Martins Costa em 13/02/2008 | comentários

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Entrevista: o livro das vidas


Você continua hoje a ouvir nosso diálogo com o jornalista Matinas Suzuki, organizador da obra o Livro das Vidas, obituários do New York Times.


Luciano Martins: – Matinas, falávamos outro dia da dificuldade que têm os jornais brasileiros para falar dos mortos. A criação de um obituário literário na Folha de S.Paulo é um sinal de mudança.


Matinas Suzuki: É essa tradição que eu acho que está na hora de mudar e que eu vejo que está começando a mudar. A gente falou ontem sobre o exemplo da Folha e eu sinto que o sucesso que o obituário da Folha vem fazendo é sinal de que começa a se mudar e eu acho que há um espaço para que se faça, para que se crie a memória de uma pessoa.


Luciano Martins: – Matinas, por que você faz a diferença entre os obituários do New York Times e os perfis de celebridades que se fazem na imprensa brasileira?


Matinas Suzuki: – Porque no livro nós temos o obituário, por exemplo, de professores universitários, nós temos alguns obituários de pessoas que foram conhecidas pelo menos no meio delas. Então algumas são bem desconhecidas e algumas são aquilo que a gente diz: são quase desconhecidas. Mas, para ir para as páginas de um jornal no Brasil, até a olha começar a fazer obituário, a pessoa precisava ser conhecida, muito conhecida. Essa é a grande diferença. E os jornais americanos, a partir dos anos oitenta, eles aprenderam que, uma pessoa que teve uma vida extraordinária, você tem um interesse, independentemente de ela ser conhecida ou pouco conhecida. O leitor tem prazer em ler aquela história, independentemente de quão conhecido é o personagem.


Luciano Martins: – Você tem notícia de como está o índice de leitura do obituário da Folha?


Matinas Suzuki: – Olha, pelos relatos que eu tenho, vai muito bem. É um das seções hoje já mais lidas no jornal.


Luciano Martins: – Esse menino foi um achado dentro dos estagiários da Folha.


Matinas Suzuki: – Foi um achado dentro. Pelo que eu sei, ele está há cinco ou seis meses dentro da redação da Folha, o Willian Vieira, e ele saiu, acabou de sair do último curso de trainees da Folha.


Luciano Martins: – Matinas, você chegou a criar na rede de jornais Bom Dia, do interior de São Paulo, o obituário literário. Isso é uma forma de estreitar o relacionamento com a comunidade e melhorar o desempenho dos jornais?


Matinas Suzuki – Exatamente. A nossa experiência na rede Bom Dia foi baseada nos jornalismo regional americano, que usa muito o obituário como uma maneira de se relacionar com a comunidade e é um, também no jornalismo regional americano, uma das seções mais lidas dos jornais.


Luciano Martins: – Muito obrigado, Matinas. Esse é mais um trecho de nossa entrevista com Matinas Suzuki, organizador do Livro das Vidas, obituários do New York Times.


Jornalismo silenciado


Ouça agora o comentário de Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa.


Luiz Egypto:

– O Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), organização que defende a liberdade de imprensa no mundo, divulgou semana passada seu informe anual – intitulado Ataques à Imprensa em 2007 – com informações muito preocupantes. De acordo com o CPJ, 2007 foi o ano mais letal da última década para o trabalho dos jornalistas: 56 profissionais morreram no exercício de suas funções e outros 23 casos ainda estão sob investigação.

Afora os episódios de eliminação física, o relatório menciona as restrições impostas pela China aos meios de comunicação, às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2008; a precária liberdade de imprensa em várias das novas democracias africanas; as dificuldades para o exercício do jornalismo na Rússia e na Ásia Central; e as manobras legais de governos árabes com o intuito de silenciar vozes dissidentes. Configurou-se como uma tendência o fato de que a manipulação dos meios de comunicação é mais palatável politicamente do que o seu controle sob mão-de-ferro.

Até 1º de dezembro do ano passado, 127 jornalistas estavam presos pelo mundo, mais de metade deles sob acusações genéricas de “subversão” e “ações contra o Estado”.

Malgrado os maus fados, o jornalismo continua mais necessário do que nunca.

A íntegra do informe Ataques à Imprensa está disponível aqui.

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