Domingo, 15 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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>>Escondendo o debate
>>Preservando a História

Por Luciano Martins Costa em 22/05/2009 | comentários

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Escondendo o debate

Os jornais desta sexta-feira foram extremamente modestos na cobertura da sessão de encerramento do 21o. Fórum Nacional, evento organizado pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso para discutir grandes temas de interesse dos brasileiros.

O tema do encontro era A Imprensa/TV/Rádio (Mídia) e a Sociedade Ativa e Moderna.

Mesmo com a presença de dirigentes destacados dos principais jornais do País, tanto o Estado de S.Paulo como a Folha e o Globo apenas fizeram pequenos registros, cada qual destacando as declarações de seus representantes

Aluízio Maranhão, editor de Opinião do Globo, observou que o modelo de negócio dos jornais está em xeque e que “jornal que não dá lucro não tem liberdade”.

Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Grupo Estado, defendeu a criação de um marco regulatório claro para proteger a imprensa e a sociedade contra os interesses de quem deseja ocultar informações da opinião pública.

Eleonora de Lucena, editora-executiva da Folha, afirmou que, competindo pelo tempo do consumidor e pelas verbas publicitárias, os meios de comunicação estão desconfortáveis e se questionam sobre o seu verdadeiro e possível papel na sociedade.

Todos os três parecem ter razão.

De fato, um jornal economicamente dependente se torna refém de seus patrocinadores.

Por outro lado, a imprensa precisa mesmo de um marco regulatório que cubra as lacunas deixadas pela extinção da ultrapassada lei de imprensa, mas que também defenda a sociedade da concentração da propriedade dos meios de comunicação.

E, finalmente, não apenas os meios de comunicação mas a própria sociedade gostaria de saber o que a imprensa considera como seu verdadeiro e possível papel, e como deveria fazer para cumpri-lo satisfatoriamente.

E, justamente poque todos têm razão, não seria impertinência observar que, para evento tão relevante, a cobertura da imprensa sobre os debates foram excessivamente tímidos.

Modéstia?

Não. Apenas o velho hábito da imprensa brasileira de não discutir seus problemas em público.

É como se, evitando se expor, a imprensa pudesse escapar do controle da sociedade.

Preservando a História

Os prêmios de jornalismo já não têm o mesmo prestígio de antes.

Mas em alguns casos ainda ajudam a estimular uma imprensa de qualidade.

Alberto Dines:

– São tantos os prêmios de jornalismo que perderam a sua importância. Eram estímulos à excelência, hoje são ferramentas de marketing de grandes empresas, recurso para aparecerem no noticiário.

Os prêmios Pulitzer nos Estados Unidos e o Prêmio Ortega y Gasset na Espanha são honrosas exceções, permanecem como referência. Nossa imprensa passa ao largo destas premiações internacionais, talvez envergonhada por não poder ostentar façanhas iguais.

A última premiação do Ortega y Gasset (a 26ª) aconteceu na última segunda-feira (18/5) em Madri e foi amplamente noticiada pelo jornal que o patrocina, “El País”, o maior e mais importante jornal em língua espanhola do mundo.

Como o patrono Ortega y Gasset foi um grande filósofo e também militante na imprensa, premiam-se jornalistas de todas as empresas, de todos os segmentos, inclusive o digital, e também escritores e intelectuais.

Acima de tudo procura-se estabelecer novos paradigmas para uma profissão hoje mais desnorteada do que nunca. O mote mais importante desta edição do Ortega y Gasset foi o papel da imprensa na recuperação da memória histórica.

Graças à imprensa os 70 anos do fim da Guerra Civil espanhola não ficaram sepultados pelo esquecimento. Graças à imprensa o passado torna-se presente não apenas para os jornalistas, mas principalmente para os leitores.

O prêmio mais tocante foi dado a uma foto publicada em Julho de 2008 por toda a imprensa espanhola. Nela o rei Juan Carlos aparece de costas caminhando abraçado a Adolfo Suárez, seu mais chegado colaborador na construção da transição do franquismo para a democracia. Adolfo Suarez sofre de Alzheimer, o rei foi vê-lo em sua casa, o político não o reconheceu e perguntou: “E tu, quem és ?”, respondeu o rei: “Teu amigo, Juan Carlos”. Foram passear no jardim, o rei com o braço no ombro do velho companheiro. Não é uma montagem fotográfica, nem reconstituição histórica. É o passado trazido para o presente.

Veja também
El rey Juan Carlos abraza a Adolfo Suárez – El País

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