Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 75

Mauro Malin

>>Estranha “calmaria”
>>A vontade do freguês

Por Mauro Malin em 17/08/2005 | comentários

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Estranha “calmaria”


É curioso que comentaristas políticos tenham descrito um certo clima de distensão justamente no dia em que dois ex-presidentes da República, Sarney e FHC, fizeram pronunciamentos. Talvez estejam com os olhos excessivamente colados no espetáculo das CPIs.


Pesquisas ocultas


Vários jornais mencionam hoje pesquisas sobre a popularidade do presidente Lula. Os números não são revelados. E os resultados são antagônicos: ora o povo ainda apóia Lula, ora já o está abandonando.


Repórteres amadores


Todo cuidado é pouco no tratamento das revelações do doleiro preso. Não custa muito, para um bandido que cumpre pena, procurar envolver pessoas de vida limpa. Informações sobre o esquema que levou ao assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel podem ser da maior gravidade. Mas é preocupante que integrantes de comissões parlamentares saiam de reuniões fechadas e deitem falação, como se fossem repórteres de veículos de comunicação. A mídia não questiona. Ao contrário, adora.


‘Chutometria’


Ouvinte (leitor), faça a seguinte experiência. Colecione previsões de crescimento do PIB em 2005. É divertido. Mostra como uma parte do noticiário se baseia em pura “chutometria”, usada para manipular humores e expectativas.


O ministro Palocci diz que o aumento do PIB pode passar de 3,4%. Aqui vai mais um chute, confessadamente um chute: salvo a ocorrência de uma hecatombe, o PIB vai crescer mais do que andaram dizendo no fim do primeiro semestre. Porque o Brasil não segue os planos e planilhas de ninguém.


Há poréns. No jornal Valor desta quarta-feira, 17 de agosto, Cristiano Romero chama a atenção para o risco de que manobras ditadas pela evolução da crise política obriguem a equipe econômica a abrir a guarda. Ele cita o aumento dado ontem aos militares, decisão que vinha sendo adiada desde 2004.


Falta a fonte


Ontem à noite, no programa de televisão do Observatório da Imprensa, o correspondente do Corriere della Serra, Rocco Cotroneo, que viveu a experiência da operação Mãos Limpas na Itália, relembrou algo que não se pode perder de vista: na crise do “mensalão”, todo mundo sabe quem são os acusados de corrupção e de intermediação, mas ninguém sabe quem são os corruptores, de onde vem o dinheiro.


Para notívagos


A TV Cultura noticiou ontem parceria com o Ministério da Cultura para o lançamento da segunda rodada da série DOC-TV, que divulga documentários brasileiros. Só que o horário será onze da noite de domingo, o que não é exatamente a melhor maneira de popularizar o programa. Recentemente, a TV Cultura passou de dez e meia da noite para onze horas a transmissão do programa do Observatório da Imprensa, comandado por Alberto Dines.



A vontade do freguês


O editor do Observatório da Imprensa online, Luiz Egypto, destaca a discussão do futuro da imprensa na era da internet.


Egypto:


O modelo da informação impressa está sendo revisto. No mundo todo jornais e revistas perdem circulação, assediados sobretudo, pela concorrência da internet. Os jornais não vão acabar, mas precisam ser repensados.


Em recente palestra em Londres, o professor Rosental Calmon Alves, da Universidade do Texas, assinalou o seguinte: “Estamos entrando numa era de mídias ‘eu-cêntricas’, isto é, que tragam o conteúdo que eu quero, quando eu quero, no formato que eu quero, mas apenas quando eu o quiser.” Este é um dos assuntos da edição online do Observatório.


Cartéis em ascensão


Agora ficou claro por que o norte do México passa por um alarmante surto de violência. Reportagem do Christian Science Monitor de ontem afirma que quatro grandes cartéis mexicanos de traficantes − os do Golfo, de Sinaloa, de Tijuana e de Juárez − substituíram as quadrilhas colombianas que eram as principais responsáveis por fazer chegar às ruas dos Estados Unidos cocaína, heroína, maconha, metanfetamina e outras drogas ilegais. Esses cartéis mexicanos estão em guerra pelo controle da lucrativa fronteira.


O jornal de Boston contabiliza 820 assassinatos relacionados com o tráfico, entre os quais os de dois chefes de polícia e 21 policiais, desde o início do ano, e de seis jornalistas nos últimos dezoito meses.


Vários jornais de cidades da região praticam hoje auto-censura, com medo da violência dos traficantes, que têm ligações com a polícia.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/08/2005 geraldo moura da silveira

    Não entendi, Mauro. ‘O Brasil não segue cartilha de ninguém’. E o Consenso de Washington? Não é um cartilhão? Quanto ao aumento dos militares, não creio que isso seja ‘baixar a guarda’. É só uma questão de justiça. O mais preocupante é o ‘abrir o cofre’, como fez Lula ao liberar 1 bilhão de reais para a infra e para emendas parlamentares. No dia seguinte a Câmara aprovou o mínimo originário de 300 reais. E no outro dia a base governista na CPI se ‘reorganizou’ e barrou vários requerimentos da oposição. (Doleiro, Meireles, o ex-tesoureiro emprestador etc). Se Lula liberar 1 bilhão por mês, o Congresso aprova até a restauração da escravatura e enterra as CPIs. E isso não comprometeria o Orçamento, cuja execução até aqui é baixíssima. Diante das contingências, o descontingenciamento é um ‘argumento’ infalível – e irresistível – para a ‘governabilidade. O que acha?

  2. Comentou em 18/08/2005 sergio mainardi

    Senhores,
    a minha pergunta:

    A Policia Federal deu uma blitz na Schincariol, levou a diretoria em cana, a mesma coisa na Daslu. Mas e no Partido dos Trabalhadores, onde todos sabemos que existem problemas contábeis? Com a palavra o Sr. (que sempre esteve na mídia e hoje acho que com vergonha de aparecer) Marcio Thomaz Bastos.

  3. Comentou em 17/08/2005 Renato Colombo

    Achei muito estranho e suspeito a divulgação do diálogo entre o deputado Eduardo Paes (PSDB) Rio de Janeiro e o doleiro Toninho da Barcelona, pelo Jornal Nacional, da rede Globo de Televisão, na terça-feira à noite, dia 16 de agosto. Nesse dia o doleiro falou por aproximadamente três horas com parlamentares da CPI na Delegacia Geral de Investigações da Polícia Civil de São Paulo. Pelo que sei o depoimento foi sigiloso e a portas fechadas, sem a presença da imprensa. Se foi um Deputado ou um Senador que levou um gravador escondido e depois repassou para a gravação à Globo, o mesmo deve ser cassado por decoro parlamentar. Pelo que tenho percebido existe nas CPIs em andamento muita confusão com pessoas trocando suas funções. Tem jornalistas condenando sumariamente depoentes e tem inquisitores que se passam de jornalistas. Acho que, se a CPI quer ouvir esse tal doleiro, o seu depoimento deve ser em Brasília e a portas fechadas. Toninho da Barcelona não tem nada a perder. Ele já foi julgado e cumpre pena de mais de 20 anos de prisão pelos seus crimes e, à luz dos helofotes de uma CPI ele pode dizer coisas que depois não tem condições de provar – porém com o estrago já feito expondo pessoas inocentes. Finalmente parece que o Congresso e o Senado está brincando com a população brasileira que não aguenta mais tanta ‘fofoca’, ‘diz-que-diz-que’, ‘me falaram’, palavras e denúncias que ficam no ar. A que ponto chegamos em que uma CPI deixa se levar por afirmações de DOLEIROS CRIMINOSOS E CAFETINAS DE PLANTÃO. É o fim dos tempos!!!

  4. Comentou em 17/08/2005 lilia

    Todo mundo já sabe e finge que não, pois a fonte vem do governo de fhc que por motivos óbvios ficou impedida de atuar no governo do pt.Sabe aquela história do jabuti que não sobe em árvore? Pois é li aqui no observatório!
    tchau

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