Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 720

>>Fidel comanda a pauta
>>A guerra na internet

Por Luciano Martins Costa em 20/02/2008 | comentários

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Fidel comanda a pauta

A renúncia de Fidel Castro marca as capas dos jornais de hoje não só com sua face envelhecida, mas com a revelação de um jornalismo despreparado para narrar situações em contextos históricos mais profundos.

Fidel deu a pauta, ao decidir como e quando deixaria o poder formalmente.

E os jornais não foram capazes de propor uma leitura diferenciada sobre o líder da revolução cubana.

Como se a imprensa fosse pautada apenas para o contemporâneo, incapaz de visitar até mesmo um passado de 50 anos.

A decisão de Fidel foi noticiada ainda na madrugada de segunda para terça-feira, o que daria tempo suficiente para edições de qualidade.

Mas o que os jornais fizeram foi uma verdadeira corrida aos especialistas, repetindo o que os programas radiofônicos e de televisão haviam feito durante todo o dia.

Ancoradas nas falas de cientistas políticos e historiadores, as páginas dos jornais de hoje refletem essa incapacidade de penetrar na história.

A exceção é a participação do diretor do Estado de S.Paulo, Ruy Mesquita, essencial para entender a relação do tradicional jornal paulista com a revolução cubana.

Como no golpe brasileiro de 1964, o Estadão também embarcara, entusiasmado, na revolução de Fidel.

Mas o melhor, a reportagem publicada em 1959 por Mesquita, pode ser lido apenas na edição online.

O texto de Ruy Mesquita oferece essa visão mais profunda que falta aos outros jornais, mas resulta da casualidade de o Estadão ainda ter em seus quadros o antigo redator que esteve em Cuba em julho de 1959, e que na ocasião apostara que Fidel Castro não era comunista.

Ou seja, um patrimônio resgatado de décadas passadas é o que dá a maior qualidade ao jornalão paulista na edição de hoje.

O que se vê nas edições de ontem para hoje, de forma geral, é a algaravia de frases soltas que mistura Garcia Marquez e Oscar Niemeyer a Arnaldo Jabor e outros palpiteiros da moda.

A orquestra de falas soltas dá a impressão de imparcialidade e equilíbrio, mas não ajuda a entender a complexidade da história recente de Cuba e ignora o comunismo como tema político.

Com a transição proposta e comandada por Fidel, a imprensa ganhou uma oportunidade para conduzir um julgamento histórico com o personagem ainda vivo.

Mas não soube fazer melhor do que reduzir Fidel Castro à mitologia.

Os jornais tiveram no episódio sua grande chance de uma edição histórica. E a desperdiçaram.

A guerra na internet

A diretoria do Ibope anuncia que vai passar a pesquisar ainda neste ano os investimentos publicitários na internet, devendo oferecer os primeiros monitoramentos em 2009.

O instituto já faz a auditagem dos meios tradicionais no Brasil, como a mídia impressa, o rádio e a televisão e incluiu recentemente a propaganda nos cinemas.

Com o crescimento da internet e o aumento dos investimentos publicitários na nova mídia, surge a necessidade de comprovar a verdade sobre audiências anunciadas pelos sites.

A consolidação dos novos formatos na Web, que são conhecidos como Web 2.0, provoca uma disputa de gigantes pela preferência dos internautas e dos anunciantes em todo o mundo.

Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

– Entre junho e julho do ano passado, audiência global do portal de vídeos YouTube ultrapassou a do Google. E a partir de novembro último, um outro portal, o Windows Live, tirou mais uma casquinha do Google e também superou o buscador em número de visitas. Esses movimentos podem ser conferidos no Alexa.com, ferramenta que faz comparações entre quaisquer sites ativos com base em seu volume de tráfego.

O primeiro lugar entre os mais visitados ainda é do Yahoo!, mas não por muito tempo, a julgar pela curva descendente de audiência que acentuou-se a partir do último trimestre de 2006, e também pela marcha batida de crescimento do YouTube.

A escalada do YouTube comprova a tendência da utilização de vídeos na internet e a inexorabilidade da televisão sobre protocolo IP. Convém lembrar que este portal pertence à empresa Google. E os dados colhidos no Alexa.com ajudam a explicar o apetite da Microsoft – controladora do Windows Live – na compra do Yahoo!, operação esta que encontra forte resistência da Google.

É uma briga de cachorro grande que ainda promete fortes emoções para este ano.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/03/2008 Guilherme Silva

    Sugiro um comentário sobre as idênticas capas de Veja e Carta Capital (pelo visto nem tão inimigas assim…) sobre a despedida de Fidel.

  2. Comentou em 25/02/2008 Ivan Moraes

    ‘Nesse link tem a descrição do tráfego do iG’!!!!!!!! E aqui tem outra surpresa maior ainda, Carlos: a gente temos curtura… quando temos acesso a ela! Compare o ig com o nytimes, e aperte ‘pageviews’: o nytimes ta la embaixo!!!

  3. Comentou em 20/02/2008 Thomaz Magalhães

    Fiz um comentário, foi o primeiro a ser publicado e agora sumiu.

  4. Comentou em 20/02/2008 Eduardo Benedetti

    De fato, a cobertura sobre a Renúncia de Fidel foi péssima. Por exemplo, o jornal da Globo (destinado a um público mais ‘seleto’) não cansou de repetir frases como ‘Depois de Fidel’, com música póstuma de fundo e explorando a figura do ancião. Obviamente, a dramatização da carta de renúnica foi um capítulo aparte….
    O interessante é que houve jornalistas, escritores, personalidades, economistas, mas nenhum historiador/ cientista social para fazer a análise histórica, a qual o jornal se propunha. Talvez por que nenhum desses aceitaria analisar um acontecimento de forma definitiva menso de 24h depois de ocorrido. A imprensa tem – e deve – ter pressa, mas análise histórica é feita com TEMPO.

  5. Comentou em 20/02/2008 Fernando Schweitzer de Oliveira

    Foi patético ver o Bom dia Brasil, fazer uma nota pelada malhando fidel, logo após trazer Miriam Leitão a carrucuda neoliberal pra falar mal da China e apontar a crise americana como um momento!
    Parabéns a Record News que pelo menos em português foi a 1ª a noticiar o acontecimento histórico, trazer um especialista que pra ser da USP até que foi imparcial, e saiu na frente do sítio de todas as agências internacionais pelo menmos na versão em português. Até a Wikipédia chegou antes da Globo. Novos tempos. Se não me engano, após estar quase dormindo e ser acordado pelo plantão da Record News de fornte ao computador, a seqüência foi: Record News 1ª mão, após a EFE( Com declaração do governo Alemão, pelo ministro de Relações Exteriores ), depois Frace Presse, Roiters( Já com um parecer de americanos sobre a redemocratização de Cuba: Bush, Brach e Hillary ), Ag O Estado, G1( uma hora após a Record News )… Novos tempos! Ou as figuras são as mesmas, sempre dizendo o mesmo?

  6. Comentou em 20/02/2008 thomaz magalhães

    Muito interessante e pertinente a críticado autor Luciano Martins Costa sobre a cobertura da saída do ditador cubano. Relevando entretanto que, pega de supresa, a grande imprensa diária deverá apresentar coisa mais densa nas edições e suplementos do fim de semana, até para concorrer com os semanários.

  7. Comentou em 20/02/2008 Marco Antônio Leite

    O grande mito Fidel Castro renunciou o poder, mas não renunciou sua ideologia político, muito menos deixará seu povo à míngua. Viva Fidel viva a revolução cubana e seu valoroso povo.

  8. Comentou em 20/02/2008 Eduardo Goulart

    Pensamento politico do dia:
    O problema de você só olhar pra esquerda ou pra direita, é que um dia, sem mais nem menos, você dá de cara no poste.

  9. Comentou em 20/02/2008 Eduardo Goulart

    A Anistia Internacional é uma das ongs que registra violações aos direitos humanos em todo o mundo. Absolutamente, sem envolvimento ideológico, ela registra desde as torturas de Guantanamo até ao cerseamento da liberdade de imprensa na China.
    Segundo o relatório da AI, Cuba ainda está muito longe da democracia.
    Os presos de consciência, hoje na ilha, são 58 pessoas. Pessoas que cometeram o ‘crime’ de discordar do regime. Ainda, segundo o relatório, continuam as perseguições aos dissidentes e as restrições a liberdade de expressão e associação.
    O direito de ir e vir, que consta na declaração universal de direitos do homem, ainda é artigo de luxo.
    Resumindo: o país é na verdade uma grande fazenda, onde os administradores (governantes), se orgulham de tratar muito bem seu gado (o povo), desde que esse não fuja e demonstre total obediência.
    Acho que o ser humano é bem mais que isso.

  10. Comentou em 20/02/2008 Carlos Henrique

    Nesse link tem a descrição do tráfego do iG:
    http://www.alexa.com/data/details/traffic_details/ig.com.br
    Metade do tráfego é gerado pelo Baixaki. O restante está disperso entre Lancenet, Mailig, Hpg, Último Segundo, etc.

  11. Comentou em 20/02/2008 Jordan Bruno Oliveira Ferreira

    ‘A renúncia de Fidel Castro marca as capas dos jornais de hoje não só com sua face envelhecida, mas com a revelação de um jornalismo despreparado para narrar situações em contextos históricos mais profundos.’ – É verdade … que o digam os telejornais da Globo e do GloboNews que se apressaram em apontar um (suposto) fim de uma era, o socialismo, apontado como um projeto fracassado e ultrapassado assim tal qual o prórpio Fidel. Na verdade, pra mim, o que vi foi o mesmo tipo de abordagem feita acerca de Hugo Chávez e a Venezuela, a pressa em associar o lider com o país, como se fossem a mesma coisa. A pressa e a insistencia em apontar Fidel sempre como o ditador, que matou milhares e por aí vai, é apenas uma fachada para a elaboração do discurso que realmente interessa: não há outro caminho a não ser a democracia (liberal?) … que o diga o Iraque ….

  12. Comentou em 20/02/2008 Ivan Moraes

    ‘Entre junho e julho do ano passado, audiência global do portal de vídeos YouTube ultrapassou a do Google’: na mesma epoca a audiencia do ig aumentou estrondosamente, e passou em muito a audiencia do oglobo.com.br!!!!! Perdao, mas eu nao conheco: o que existe no ig alem do OI?! O comuniquese nao eh legivel pra mim por ter exigencia, pra leitura de *qualquer* coisa, de documento que nem tenho, entao nao entro, mas… o que mais existe no ig?!

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