Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 404

Mauro Malin

>>Filho de Lula na manchete
>>Chávez vira metro

Por Mauro Malin em 28/11/2006 | comentários

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Filho de Lula na manchete


A Folha põe hoje em manchete: “Publicidade oficial ajuda a bancar TV de filho de Lula”. O assunto não é novo. Precisa ser conhecido, porque se trata de, de um lado, de verbas de publicidade de entes públicos, e, de outro, de concessionárias de serviço público, as emissoras de televisão. Envolve processo do Grupo Bandeirantes contra um colunista e dois jornalistas da Veja. Há novidades, documentos. Em tese, nenhum parente de ocupante de cargo público pode ser favorecido. Mas a manchete desafia o senso de proporção do leitor. Terá sido esse o assunto mais importante de ontem, ou a Folha pretende fazer política com material jornalístico?


Estatal, não governista


O Estado de S. Paulo noticia com destaque palestra do presidente da Radiobrás, Eugenio Bucci, feita ontem no Rio, no lançamento do I Fórum Nacional de Tvs públicas. Bucci disse que o sistema estatal não precisa nem deve ser governista, que não se pode partidarizar o que é estatal. Ele reiterou que não pediu demissão da empresa, apenas colocou o cargo à disposição do presidente da República.



Chávez vira metro


Num certo sentido, o Jornal Nacional foi ontem “britânico” ao noticiar a vitória de Rafael Correa para a presidência do Equador. Limitou-se a informar que ele teve o apoio declarado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. É certo que o telejornal precisa compactar muita informação em relativamente pouco tempo, mas essa maneira de avaliar o processo político na América Latina não ajuda muito a entender os fenômenos. O repórter Pablo Uchoa, da BBC Brasil em Londres, fala dessa tendência.


Pablo:


– O que se percebe aqui é que Chávez passou a ser um metro, uma escala para se medir governos da América Latina. Quando há uma eleição na Nicarágua, quando há uma eleição no Equador, todo mundo se pergunta, a partir aqui de Londres, qual é a proximidade de governo A ou de governo B com Chávez. O Chávez realmente passou a ser uma escala de medida para se entender o posicionamento político de um governo. E o interessante disso é que isso corresponde ao próprio marketing do Chávez de criar um contraponto a Washington e de se colocar como um ponto de referência na América Latina. Nesse sentido, pelo menos aqui de Londres ele tem sido muito bem-sucedido.


Mauro:


– Tal maneira de ver as coisas não complementa uma visão excessivamente generalista dos países do continente?


Pablo:


– Esse tipo de avaliação encoraja observações nem sempre a partir de conceitos que se aplicam ao mundo de hoje. Normalmente se fala muito de populismo, de esquerdismo, ou de conservadorismo, de privatização, e são conceitos vazios que não chegam ao cerne do problema latino-americano, que é criar novas maneiras de desenvolvimento.


Mauro:


– Hoje, nos principais jornais brasileiros, questões relevantes da sociedade equatoriana são abordadas. A Folha e o Valor são os menos reducionistas.




A encrenca do Orkut


A Justiça desobrigou a empresa Google de passar às autoridades informações sobre usuários que infringem a lei brasileira no site de relacionamentos Orkut. Segundo a Folha de S. Paulo, o Google deu à Polícia instrumentos para ela própria barrar páginas consideradas criminosas. No fundo, o problema é que o Google ainda não tem no Brasil gente suficiente para administrar a invasão do Orkut por brasileiros, fenômeno que não lhe traz receita.


Mais crise nas cadeias


Segundo o Estado de S. Paulo, a demissão de 80 funcionários da Associação de Proteção e Assistência Carcerária, Apac, que administra a Penitenciária Feminina Sant´Anna, inaugurada há menos de um ano no Carandiru, deixa a prisão em estado de calamidade. A Apac é uma ONG criada no tempo do secretário da Administração Penitenciária Nagashi Furukawa para lidar com presos sem grande periculosidade. Há testemunhos de que deu bons resultados. Mas criou um grande desnível salarial em relação aos agentes penitenciários de carreira. A imprensa praticamente desconhece o assunto.


Polícia e bandidos


Foi esfaqueado na cadeia um cabo da Polícia Militar do Rio de Janeiro testemunha de chacina na Baixada Fluminense que deixou 29 mortos em março de 2005. Dois outros Pms presos no mesmo lugar são acusados do crime. Estudo divulgado pela CPI do Tráfico de Armas revela que quase 20% de dez mil armamentos apreendidos com bandidos entre 1998 e 2003 pertenceram a policiais. Na maior parte dos casos, foram negociados com bandidos. Essa componente da criminalidade nunca é suficientemente noticiada no Brasil.

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