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ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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Por Luciano Martins Costa em 03/02/2009 | comentários

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Forçando a barra

Os jornais de hoje voltam sua atenção para o setor bancário, com ampla repercussão do balanço do Bradesco, que apresenta um lucro de 7,6 bilhões de reais, quase 5% menor do que o do ano de 2007.

Um dos detalhes da informação, bastante comentada durante o dia de ontem na mídia ‘online’, é a concentração de perdas no quarto trimestre do ano passado, período de muitas notícias negativas sobre a crise financeira global.

O noticiário sobre o Bradesco trouxe à tona o debate em torno do alto custo dos serviços financeiros no Brasil e da persistência, por aqui, dos juros mais elevados do mundo.

O executivo Márcio Cypriano, que deixa a presidência do banco em março, fez comentários sobre a acusação de que as instituições brasileiras de crédito cobram uma taxa exagerada de ‘spread’ – a diferença entre os custos de captação e os de concessão de crédito.

Oficialmente, tanto a queda no lucro do banco quanto o alto custo dos serviços financeiros são debitados ao aumento dos riscos de inadimplência.

Os banqueiros privados dizem que não é fácil reduzir os custos, por causa da necessidade de aumentar as garantias contra os efeitos da crise, e assim se forma o círculo vicioso que reduz a oferta de crédito e aumenta o potencial da crise.

Os jornais de hoje lançam um pouco mais de luz sobre o problema, mas ainda fica difícil para o leitor delimitar, em meio ao noticiário, o que corresponde ao Brasil e o que afeta a economia global de modo geral.

Algumas reportagens que tentam esclarecer a situação acabam por atrapalhar o entendimento.

É o caso da matéria publicada na revista Veja desta semana, sobre os planos de investimento cancelados por grandes empresas no Brasil.

Primeiro, o texto não informa quanto por cento da média anual de investimentos foi afetado, o prazo de cada projeto e sua relevância para o setor.

Segundo, em alguns casos citados não foi a falta de crédito que determinou a desistência dos investidores. Em pelo menos um deles, o investimento foi suspenso porque o projeto tinha graves restrições ambientais.

Terceiro, pelo menos duas das empresas citadas tiveram grandes prejuízos com operações financeiras arriscadas e suas dificuldades têm mais a ver com a ambição desenfreada de seus executivos do que com a crise mundial.

Quarto e último ponto, um pouco de honestidade intelectual ajudaria muito a melhorar o desempenho da imprensa.

De olho na vizinhança

A queda no volume das exportações brasileiras, registrando em janeiro o primeiro déficit comercial em sete anos, chama a atenção da imprensa para a questão das relações exteriores.

Com exceção da Ásia, que continuou comprando produtos brasileiros, os exportadores nacionais sentem agora mais fortemente a concorrência internacional acirrada em um mundo em retração.

Não está afirmado explicitamente em nenhum dos jornais, mas pode-se constatar que a estratégia brasileira de diversificar suas relações comerciais tem funcionado como uma defesa contra a crise.

Não custa lembrar que, até um par de anos atrás, a imprensa em peso criticava a opção do Brasil de reduzir a dependência dos Estados Unidos e reforçar os laços com seus vizinhos latinoamericanos e melhorar o comércio com outros países em desenvolvimento.

Outro detalhe do noticiário revela como a imprensa pode cometer erros estratégicos: lembra-se o leitor que os jornais brasileiros demoraram mais de ano para dar atenção aos projetos de produção de combustíveis alternativos.

Apenas a visita do ex-presidente George Bush, em março de 2007, foi capaz de impulsionar o noticiário sobre o potencial dos combustíveis de origem vegetal.

Pois bem: em 2008, o biodiesel contribuiu para reduzir em 1 bilhão de reais o custo da balança comercial do petróleo.

A necessidade de melhorar o desempenho das contas externas deve aumentar o interesse dos brasileiros pelo que se passa fora das nossas fronteiras.

Hoje à noite, o Observatório da Imprensa na TV apresentará uma reprise da série sobre a imprensa argentina, em uma conversa coletiva com os correspondentes brasileiros sediados em Buenos Aires. Na TV Brasil às 22:40 – canal 4 da Net em São Paulo –, e na TV Cultura à meia-noite e dez.

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